Sicredi Ouro Verde MT

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Raízes Ouro Verde | Ep. 27
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Raízes Ouro Verde | Ep. 27

Jonas Alves e Osvaldo Martinello

Jonas Alves, Presidente da FACMAT, e Osvaldo Martinello, associado e empresário, compartilham suas jornadas e a evolução do Mato Grosso, abordando desafios e a importância da inovação para empresas de todos os portes.

Descubra como o cooperativismo impulsiona a economia local, gerando empregos e renda através de um círculo virtuoso de reinvestimento.

A conversa destaca a valorização do comércio regional e a união entre empresas e cooperativas como pilares para o desenvolvimento, reforçando a vitalidade da relação humana no cenário atual.

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Raízes Ouro Verde | Ep. 27
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BRUNO MOTTA: Oi, gente, bem-vindos a mais uma edição do podcast Raízes Ouro Verde, esse conteúdo que celebra os 35 anos da cooperativa Sicredi Ouro Verde, que já contou tantas boas histórias aqui nos últimos episódios. Hoje não será diferente, só que antes da gente falar realmente da nossa pauta de hoje, aquele recadinho, aquele lembrete bem importante de onde estão disponíveis os episódios. Vocês podem acompanhá-los através do site sicrediouroverde35anos.com.br, também no YouTube e nas principais plataformas de podcast.

CAMILA CARPENEDO: E a gente convida, então, para que vocês continuem nos acompanhando, né, Bruno? Tem muito conteúdo ainda por vir aqui no nosso Raízes Ouro Verde. É uma alegria ter vocês com a gente em mais um episódio. E como disse o Bruno, hoje mais um episódio bem especial dessa nossa temporada que a gente está chamando de relevância, que é essa temporada em que a gente fala do nosso impacto da nossa cooperativa nas nossas comunidades, nos diferentes setores.

E hoje nós vamos falar sobre o nosso impacto e a nossa relevância, a nossa atuação junto ao comércio. E para isso nós recebemos aqui dois convidados que nós já de antemão agradecemos muito pela presença aqui com a gente no nosso estúdio da sede administrativa. Então, seu Osvaldo Martinello, associado da Sicredi Ouro Verde já há bastante tempo, empresário, membro de várias instituições aqui, representantes da indústria.

E seu Jonas Alves, muito um prazer recebê-lo também aqui, presidente da FACMAT, Federação das Associações Comerciais de Mato Grosso. Então, muito obrigada por estarem com a gente hoje. Sejam bem-vindos.

BRUNO MOTTA: Obrigado. Obrigado pela oportunidade. Agradecemos mesmo a presença dos nossos dois convidados de hoje, que têm muito a contribuir e contar das suas histórias para a gente.

Então, a gente já começa falando das histórias pessoais e profissionais, para que vocês contem as raízes do seu Osvaldo e do seu Jonas para a gente. Ok? Fique à vontade, seu Osvaldo, pode começar.

OSVALDO MARTINELLO: Bem, a minha história é, assim, bastante simples. Eu sou um dos migrantes do Mato Grosso, aqui naquela época, lá no final da década de 1980. Como a gente costuma falar aqui, chegamos aqui com a mala nas costas, em busca de fazer o pé de meia. E começamos, então, o nosso negócio aqui.

Até porque, naquela época, a minha origem é lá de Santa Catarina, e lá na cidade de onde eu vim, São Lourenço do Oeste, se falava muito do Mato Grosso naquela ocasião, e que aqui tinha muitas oportunidades, e que tinha aquele jargão do governo, na época, ocupar para não entregar a Amazônia do Brasil. E nós viemos, então, tentando, em busca de fazer o pé de meia aqui, no Mato Grosso, e acabamos escolhendo Lucas do Rio Verde para começar o nosso negócio. Começamos em uma loja de 150 metros quadrados, e fomos enfrentando as dificuldades da época.

Nós começamos aqui no início de 1989. Logo na sequência, tivemos o impacto do plano Collor, aquele plano que tirou a poupança da população e deixou a população com 50 mil dinheiros da época. Não lembro mais agora o nome.

Então, foi o primeiro grande impacto que tivemos, e que acabou culminando com a abertura da nossa primeira filial, para resolver o problema do impacto, até porque, quando, daquele plano, a população ficou sem dinheiro e as vendas caíram para quase zero, o recebimento também caiu para zero, e tivemos que buscar uma alternativa. E deu certo a abertura da primeira filial, depois foi a segunda, depois foi a terceira. Aí veio a crise do agro de 1995, que foi terrível para nós aqui.

Muitos lembram aqui de Lucas do Rio Verde, que até foi feito um movimento na ponte do Rio Verde, por aí afora. Mas superamos, superamos. Depois veio a crise de 2009, superamos.

Depois veio a crise de 2015, superamos. Veio a pandemia, que mudou tudo, mudou nossos conceitos em todos os sentidos. Enfim, a nossa história é longa aqui no Estado do Mato Grosso.

Estamos aqui há 36 anos. Presenciamos o surgimento, então, naquela crise de 1990. Eu não mencionei isso, mas o CrediLucas da época, que hoje é o Sicredi, que é Ouro Verde, nasceu num momento muito difícil aqui em Lucas, onde a maioria das lideranças e os agricultores se uniram para buscar uma solução, uma vez que o crédito agrícola estava aqui com muita dificuldade, até porque a maioria da época lembra que a dificuldade de captação de recursos para o custeio das safras agrícolas aqui era muito difícil, porque as áreas aqui, as terras daqui não tinham documentos, e era muito difícil o acesso ao crédito.

E a solução foi criar, então, um sistema cooperativo, onde cada um entrou com uma cota capital em soja. Vendendo soja verde, como a gente gosta de contar. E comprando as cotas.

E assim surgiu o CrediLucas, que foi o que salvou a pátria naquela ocasião. Sustentou toda a economia. Sustentou todo o processo aqui, especialmente de Lucas na época.

Claro, hoje o sistema cooperativo ampliou, e vem dando os resultados que todos conhecem.

CAMILA CARPENEDO: Muito obrigada, Osvaldo, por compartilhar um pouquinho com a gente. Sr. Jonas, por favor.

JONAS ALVES: Eu sou o Jonas Alves, sou paranaense de Guarapuava, mas me criei em Curitiba. Com seis, sete anos já estava em Curitiba. E me desenvolvi, a minha família toda está lá, ainda continuam os irmãos, os pais e as mães.

A minha mãe já é falecida. Mas meus irmãos e irmãs estão em Curitiba, sediados lá. E nós viemos para Mato Grosso.

Nós tínhamos uma possibilidade, na época, era a possibilidade de distribuir produtos frigorificados. E nós conseguimos uma representação da Chapecó. Lá, açaí, que chamavam… O apelido era açaí.

Uma indústria de presuntos, de salsichas, de linguiça, de frango, que operava em Chapecó. E a gente veio distribuir em Mato Grosso. Tínhamos dois sócios a mais, então nós éramos em três.

E a gente veio em 1985. E a gente cresceu muito. Cresceu vertiginosamente.

Em 1985, 1986, nós fizemos um projeto Sudão, por exemplo, num frigorífico, que existe frigorífico até hoje, lá em Rondonópolis, chama-se Superfrigo. E era um projeto de 20 milhões de dólares, na época, aquele projeto. Depois, nós tínhamos uma empresa de táxi aéreo, tínhamos a Chart de táxi aéreo.

Também tínhamos uma fazenda em Barra do Bugres. Então houve divisão de sociedade e tal. Acabei ficando com uma concessionária, Massey Ferguson, lá no Vale do Araguaia, em Água Boa, a 750, 740 quilômetros de Cuiabá.

E foi justamente nessa época que o Sr. Osvaldo colocou aqui a questão da crise de 1995, em que o saco de soja valia 5 dólares na época. Eu lembro até disso. Então ele dava prejuízo, muito prejuízo.

Então a gente sofreu. E o Vale do Araguaia, a gente esperava que o Vale do Araguaia se desenvolvesse naquela época. E o Vale do Araguaia está se desenvolvendo hoje.

Então desenvolveu o norte e, depois, agora está desenvolvendo o Vale do Araguaia como um todo. Então eu fiquei 12 anos ali e pus muito capital naquela operação e me ajudou bastante no contexto pessoal. Mas, assim, eu estou há 40 anos em Mato Grosso, estamos há 32 anos fazendo parte do sistema associativista, não como presidente, mas há 32 anos a gente defende a causa empresarial no Estado, voluntariamente, como todos os presidentes e diretores das associações comerciais, e é um grande orgulho a gente fazer parte desse time aí.

Eu sou administrador e, hoje, ainda tenho, posso dizer que sou presidente da Associação Comercial de Cuiabá, uma entidade que fez 113 anos na semana passada, a gente comemorou em Cuiabá, e também sou presidente do Conselho Deliberativo do SEBRAE Mato Grosso, nesse momento. Então, muito com esse apoio ao desenvolvimento mesmo do comércio, das empresas de Mato Grosso, essa atuação. E acho que esse é um bom gancho, Bruno, para a gente puxar agora, para a gente começar essa conversa.

CAMILA CARPENEDO: Vocês dois que participaram, que já estão há quase 40 anos, seu Osvaldo, há mais de 40 anos, seu Jonas, participando desse espaço do comércio, das empresas de Mato Grosso. Como vocês enxergam esse desenvolvimento, esse avanço das empresas de Mato Grosso, do comércio, especialmente, de Mato Grosso, especialmente dessas regiões aqui que a gente está falando, Lucas, Cuiabá, claro, com cenários bem diferentes. Mas muito parecidos.

JONAS ALVES: Tem suas similaridades, seu Jonas? Sem dúvida nenhuma. A atividade do varejo, do comércio, é uma atividade muito estimulante, porque ela se altera, ela muda os rumos, muda o jeito de fazer as coisas. Acho que o grande desafio do varejista é conseguir acompanhar a evolução das coisas, é implementar inovações tão necessárias para melhorar a competitividade.

E, melhorando com inovação, você acaba melhorando a escala, e melhorando a escala, você consegue comercializar melhor, em condições melhores, enfim. Mas essa região do Brasil, ela oportunizou muitas empresas a se desenvolverem. Se a gente voltar a 30, 35 anos, ou 36 anos no tempo, a gente vai lembrar que a operação do varejo era muito elementar ainda aqui nessa região, até pela dificuldade de obter os produtos, e por aí afora.

OSVALDO MARTINELLO: Logística, um desafio gigantesco.

JONAS ALVES: Logística era o principal entrave. Hoje que nós estamos conseguindo resolver a questão logística.

Nós fomos evoluindo ao longo do tempo, buscando acompanhar o que se faz nos grandes centros, e aí você vem implementando diferenciais competitivos à medida que você vai inovando dentro da empresa. E aí as empresas que têm essa capacidade de se autodesenvolverem e criar inovações, ela obviamente vai conquistando mais espaço que as demais, não tenho dúvida nenhuma. E aqui, principalmente o eixo da 163, foi uma região que gerou oportunidades únicas.

E eu costumo dizer que nós ainda vamos vivenciar aquilo que o Norte do Paraná vivenciou há 50 anos atrás. Eu acho que o boom do crescimento vai acontecer ainda aqui, em razão da resolução da logística, com duplicação da 163, com ferrovias etc. Isso vai fazer com que nós possamos incrementar muito mais do que está acontecendo hoje, a transformação dessa produção primária em produtos elaborados, agregando valor à produção.

OSVALDO MARTINELLO: Pega o exemplo de Lucas. Eu me lembro que quando nós assumimos lá em 2005, eu assumi como vice-prefeito da gestão do Marino, na primeira gestão do Marino França, o IVA do município era na casa de 600 milhões, exatamente 590 milhões. Com a entrada da operação da BRF, na época Sadia, ela multiplicou por algumas vezes.

Depois, com outros cases que entraram na área da transformação da produção primária em produto elaborado, multiplicou por um monte de vezes aquela produção primária, sem aumentar um hectare sequer da área plantada. A área agricultável possível da época já estava toda explorada. E aí a transformação proporcionou essa multiplicação de valores, seja em massa salarial, por aí afora, e desenvolveu todos os segmentos.

Então, as oportunidades estão aí para quem desenvolver a sua atividade com eficiência em todos os níveis. Eu acho que ainda tem muitas oportunidades.

JONAS ALVES: A nossa visão de associação comercial, ela entende que o Mato Grosso, ele trabalha em um nível de desenvolvimento maior do que todo o país.

Então, as oportunidades estão aí à disposição das empresas para aproveitarem. Mas a gente tem uma grande deficiência ainda, especialmente nas micro e pequenas empresas, de se inovarem, de crescerem, de se planejarem, de melhorarem. E o crescimento, eu costumo falar que o crescimento, o trenzinho, não da ferrovia, mas o trenzinho da história, está passando.

E nós precisamos incluir todos os empresários, ou todos os mato-grossenses que estão aqui, ou seja, mato-grossenses, mato-grossenses de corações, que estão aqui empreendendo em Mato Grosso. Porque, se a gente não inclui, o progresso passa e essas pessoas ficam olhando a janelinha passar e a gente não embarcou no trenzinho. Então, esse é um esforço que nós fazemos muito grande no meio de associações comerciais, para a gente incluir, principalmente o micro e pequeno empresário.

Existe uma resistência ainda, talvez uma falta de conhecimento grande ainda, nesse sentido, das novas tecnologias, estão chegando aí, inteligência artificial que precisa ser aplicada, nós temos que ir para o virtual, as pessoas precisam ser atendidas no virtual, mas presencial também, mas no virtual nós precisamos estar presentes com todos os negócios, também tem que estar no virtual. E a gente se esforça muito nesse sentido de fazer com que esclareça esses empresários, levar informação para que eles possam se entenderem nesse sentido e voltar-se a empresa para essa visão. Porque é importante, senão a gente vai perder o trenzinho da história.

Eu tive oportunidade, essa semana ainda, de estar em uma discussão na Frente Parlamentar de Logística e nós estávamos falando sobre a Ferrogrão. Então, eu tive a oportunidade de conhecer que o projeto da Ferrogrão foi feito em 2012. Então, desde lá, está se discutindo esse assunto e a gente está chegando aqui agora, de certa forma.

Então, estava se buscando uma alternativa para essa questão ambiental que está colocada, o Supremo Tribunal e tal, estão trabalhando isso. A gente deu algumas notícias essa semana também que já tem algum acordo, algum acerto nesse sentido para soltar. Mas ela também tem, dentro disso, por exemplo, questão concorrencial também.

Tem outras ferrovias que estão chegando em Lucas do Rio Verde que também vão concorrer com essa e também não querem que essa, de alguma maneira… Então, é um esforço muito grande para que a gente faça com que Mato Grosso se desenvolva. As necessidades de Mato Grosso em infraestrutura estão andando muito bem, mas ela ainda é muito pouco em relação ao que nós precisamos, na verdade. O Mato Grosso exige diferentemente dos outros estados.

Se a gente pegar São Paulo, Santa Catarina, Paraná, são estados que estão estáveis, que estão com a malha rodoviária muito forte, a ferroviária também, a própria questão aérea também é assistida. Mato Grosso é diferente. Mato Grosso exige todo dia a mais.

Então, é na saúde, na segurança, é na educação, mas também é na infraestrutura e também é para os empresários que façam novos investimentos e cresçam, porque senão ele não acompanha o crescimento também. Então, tudo isso… É um ritmo muito acelerado, né? São muito acelerados e a gente vive nesse mercado tentando acompanhar e tentando incluir os micro e pequenos empresários principalmente nesse contexto todo.

BRUNO MOTTA: Falando em números já, para a gente entrar em alguns deles que nós temos aqui para falar, acho que um número que caminha muito com a questão do comércio é a geração de empregos.

Queria que vocês avaliassem como está atualmente esse cenário da geração de empregos no comércio, no negócio do seu Osvaldo, nos negócios do seu Jonas também e no contexto geral nesses municípios onde estamos presentes.

OSVALDO MARTINELLO: Bem, a empregabilidade do Mato Grosso é impressionante, né? Nós temos hoje cerca de alguma coisa em torno de 2% da taxa de desemprego, né? É absolutamente um sucesso o estado do Mato Grosso, né? Nós temos, claro, muitas deficiências em mão de obra especializada nas várias áreas, né? E hoje… Assim, a oferta de mão de obra é muito pequena, né? Em razão da empregabilidade. Então, hoje é uma das áreas muito preocupantes das empresas e especialmente nós como varejistas, né? Mas estamos evoluindo, né? E você acaba criando processos internos de treinamento, de evolução, de formação, etc, etc, etc.

Nós, por exemplo, criamos a nossa plataforma de treinamento, criamos a plataforma da Universidade Martinello, buscando aprimorar os nossos colaboradores no sentido de gerar oportunidades também de crescimento dentro da própria empresa, né? Para quem já está aqui, né? Mas é uma região do Brasil que demanda muita mão de obra, especialmente mão de obra especializada, né?

JONAS ALVES: Nós vivemos em um estado com emprego pleno, viu? Então, assim, nós chegamos aí há uns dois anos atrás, por exemplo, a discutir a possibilidade de a gente trazer imigrantes para Mato Grosso. Porque havia uma necessidade muito grande e até isso, de alguma maneira, ele cerceia o crescimento das empresas. Chega final de ano, por exemplo, às vezes, eu acho que é capaz de a gente fazer uma conta e ver que a gente vai vender menos, às vezes, do que poderia vender em função da falta de capacidade de atendimento.

OSVALDO MARTINELLO: Com certeza, com certeza.

JONAS ALVES: E isso é uma coisa que nos preocupa muito. E nós colocamos até uma proposta a nível de governo há dois anos atrás no sentido de a gente trazer pelo menos umas 10 mil famílias para Mato Grosso, na época.

Só que, quando a gente foi para dentro do Estado para promover isso, uma que é complicado você sair, por exemplo, a Mato Grosso, venha para Mato Grosso e tal, chamar as pessoas para vir para Mato Grosso. Nós temos uma população pequena para o tamanho do Estado que nós temos, o mercado também, logicamente, ele fica pequeno para esse tamanho de Estado também, tudo que nós produzimos aqui. Então seria muito bom que viesse mais imigrantes para Mato Grosso.

Mas aí nós esbarramos, principalmente quem conduz o governo do Estado, no sentido de dizer, não, vocês vão trazer 10 mil famílias, eu preciso fazer 10 mil casas, eu preciso ter mais 40… 30, 40 mil vagas de escola, mas a segurança pública, a educação, a própria saúde, e aí começou. E também os que estão em Mato Grosso. As pessoas que estão em Mato Grosso e que estão desempregadas e que a gente vê aí a questão, especialmente, do assistencialismo, do governo federal, Bolsa Família, muitas pessoas talvez acomodadas, ou talvez mesmo sem falta de a gente descobrir quem são elas para a gente poder conversar com elas e trazê-las para o mercado de trabalho.

Porque isso é muito mais… dá muito mais satisfação para a pessoa, ela trabalhar, do que ela viver num auxílio que realmente tira a pessoa daquela condição de pobreza extrema e que isso é necessário, não estou dizendo que não é necessário, mas que, de alguma maneira, tira a pessoa do mercado de trabalho. E isso, para nós, é ruim. A gente sente que nós temos necessidade.

Eu falo que cada brasileiro que existe no país, ele chega num momento em que a economia, o PIB do país, precisa daquela pessoa produzindo. Porque nós contamos com a população para produzir. Então a população de Mato Grosso tem que produzir para que o PIB continue crescendo, para que a condição de vida melhore daquelas pessoas, para que a riqueza flua dentro do estado de Mato Grosso e que o Mato Grosso se desenvolva.

Então isso serve para o Brasil também. Nós não podemos ter uma pessoa em condição de trabalho, em casa, parado, olhando televisão o dia inteiro. Essa pessoa tem que vir para o mercado de trabalho e contribuir.

Porque assim as empresas vão crescer e vão se desenvolver. É onde se gera emprego e renda, são nas empresas. Então é aí que nós temos que fazer com que isso se desenvolva.

CAMILA CARPENEDO: E quando a gente fala dessa economia girando, acho que tem um ponto que é legal a gente abordar, Bruno, que é o que, no cooperativismo, a gente chama de círculo virtuoso. Porque as cooperativas, como bem comentou seu Osvaldo, lá do início da CrediLucas, elas têm esse olhar para devolver e reinvestir aqui na região todos os recursos que são investidos pelos seus associados. E a CrediLucas nasceu disso, como seu Osvaldo lembrou.

E a Ouro Verde tem essa atuação até hoje nesses 15 municípios, assim como o Sicredi em todo o Mato Grosso. Então eu queria entender de vocês e ouvir essa avaliação de vocês da importância desse dinheiro circulando e dessa valorização das empresas e do comércio da nossa região para esse crescimento. Valorizar o que é daqui, comprar do comércio daqui e esse dinheiro que circula e gera mais renda, mais empregos.

JONAS ALVES: Não, sem dúvida nenhuma. O sistema cooperativo proporciona isso em uma velocidade muito maior que o próprio sistema financeiro normal, que são os bancos. Mas tem um diferencial muito grande.

Primeiro que o sistema cooperativo ou o Sicredi, ou Ouro Verde, ele tem um vínculo com as pessoas muito maior do que qualquer outro sistema financeiro. Ele tem um vínculo até, vamos dizer assim, de compromisso. Quando o Sicredi fomenta o agricultor, fomenta o comércio de alimentos, fomenta o comércio de confecções, ele vai estar gerando empregos e esse empregado ou essa pessoa empregada vai ter renda e passa a comprar móveis e eletrodomésticos e assim também o contrário.

Alimenta a roda da economia. Mas não é só isso. Acho que o mais importante que a gente percebe no sistema cooperativo, e no Sicredi é muito latente isso, é a participação na sociedade como um todo.

Você veja, pego como exemplo que eu admiro muito que é o programa União Faz a Vida, um programa fantástico que eu conheci lá. Desde o início estamos juntos nesse programa e é um programa que hoje está com mais de 60 mil alunos dentro do programa, está com cerca de 4 mil ou mais, me recordo se eu estiver errado. A faixa de 70 mil alunos e 5 mil professores.

Cerca de 5 mil professores dentro do programa. É um negócio espetacular que tem como principal objetivo inserir as pessoas em formação dentro da sociedade e torná-los cidadãos, cidadãos responsáveis e comprometidos com a sociedade. Acho que assim é um movimento de transformação sem precedentes.

Eu gosto muito desse programa, mas não só isso, a participação do Sicredi em outras instituições de desenvolvimento, associações e instituições dentro do município. Ela cria um vínculo muito diferente do sistema financeiro. Além de, claro, no rateio do resultado ainda devolver parte daquilo que gerou de lucro a operação.

É um sistema autossustentável em todos os sentidos. Eu admiro muito isso. O cooperativismo tem muito a ver com o associativismo das associações comerciais.

É uma coisa assim… Os princípios são muito parecidos. E a gente tem assim o maior orgulho de dizer que as associações comerciais cuidam do comércio local. Elas valorizam o comércio local.

Elas valorizam a compra local. E a gente precisa fazer com que a sociedade, inclusive, entenda isso. Que, a hora que ela compra no município, ela está gerando a possibilidade de um novo emprego naquela empresa.

E que pode ser o filho dela, pode ser o marido, pode ser alguém que vai se alimentar daquela economia e vai voltar para o próprio comércio local. Então, a associação comercial tem muito a ver com a atividade das cooperativas. Especialmente a Sicredi Ouro Verde, os municípios que atuam e que participam da sociedade, principalmente.

Porque eu falo que o presidente da associação comercial todo mundo conhece. Ele encontra na esquina todo dia. Então, se você tiver que reclamar, falar alguma coisa, você vai encontrar o presidente da associação comercial que vai dar voz a esse empresário.

Então, a cooperativa também está junto. E esse crescimento das cooperativas vem de encontro a um vazio que também os bancos estão deixando. Estão indo mais para o virtual e deixando essa relação humana que é tão importante na vida da gente.

Então, as cooperativas têm isso. E eu gostaria, estão falando de raízes das cooperativas e da Ouro Verde. Eu queria dizer que a associação comercial de Cuiabá ajudou a fundar as cooperativas Sicredi de Comércio em Cuiabá.

Nós saímos, eu saí. De porta em porta. De porta em porta batendo para que os empresários, então, adquirissem as cotas e participassem da cooperativa.

Que foi o Sindicato de Farmácia, o Hermes Martins da Cunha, que iniciou isso. E a gente acompanhou tudo isso. A associação comercial de Cuiabá, porque nós tínhamos um vínculo muito grande com o Hermes, com o Sindicato.

Então, nós partimos de dentro da associação comercial para fazer isso. Que foi Sicredi de Comércio. Sicredi de Comércio, depois encontrou o Credi, que daí virou Sicredi de Empreendedores.

E daí, então, virou a Ouro Verde, que está hoje, até agora, nessa luta, nesse crescimento vertiginoso em Cuiabá que a gente admira tanto.

CAMILA CARPENEDO: Nós já contamos um pouquinho dessa história por aqui, né, Bruno? Então, se você quiser saber mais, é muito legal ouvir, né, do Sr. Jonas, que participou, assim, como o Sr. Osvaldo também, né? Lembra do início da CrediLucas aqui em Lucas do Rio Verde. Então, se você quer ouvir um pouquinho mais dessa história do início do Sicredi de Comércio, que se tornou Sicredi de Empreendedores, volte a alguns episódios que tem também um podcast sobre isso, né, Bruno?

BRUNO MOTTA: E é interessante que a gente vai conversando e percebendo como as histórias vão se conectando, né? Realmente, as pessoas que estão passando por aqui trazem muito disso e é o propósito, realmente, do podcast, né, Camila? Seguinte, eu queria ouvir, do Sr. Jonas, uma avaliação sobre o atual cenário do comércio em Cuiabá e região.

Dizendo, assim, para a gente avaliar quais são os comércios que mais têm se desenvolvido. Isso no sentido de negócios, setores que mais têm se desenvolvido por lá. Porque em Lucas do Rio Verde a gente tem um cenário, em Cuiabá a gente tem, por mais que pareça… Isso, isso mesmo.

JONAS ALVES: Por favor. Então, nós estamos passando um período que é um período de uma certa, como é que eu vou dizer assim, atenção. Nós estamos num país que está de alguma maneira com um crescimento pequeno, projetando um crescimento pequeno, uma economia, um PIB que a gente não vê as políticas públicas muito claras.

Tem muitas nuvens à frente para a gente passar. E o comércio também está sentindo isso, especialmente. Está sentindo isso em todos os setores.

Os setores que mais se desenvolvem são os setores principalmente de tecnologia, de equipamentos de informática, equipamentos que usam tecnologia. A agricultura está usando bastante também, então isso está fomentando bastante. Mas há uma preocupação.

Nós não estamos num momento bom do comércio. Há uma preocupação muito grande. As empresas, as pessoas não estão consumindo o que deveriam consumir.

No interior do Estado, a gente vê bastante o agro bem retraído e isso logicamente impacta em todo o Estado. Não há algo que se dizer contra isso. A hora que o agricultor segura, porque está inseguro para a frente, ele segura o capital que tem, quem tem.

Quem tem. Nós estamos com uma inadimplência muito alta também no setor do agro. E as RJs têm causado também uma grande insegurança.

É um dispositivo legal, está aí para quem usar e precisar usar, deve usar. Não sou contra a RJ, mas está criando uma concentração em Mato Grosso em função até do tamanho que ele é. Mato Grosso, os negócios.

Criou uma insegurança e um custo superior financeiro para toda a sociedade, de uma maneira geral. Porque o bolo é um só, a hora que esse bolo não volta para o giro, de alguma maneira, uma parte dele não volta, o resto que sobra tem um custo maior para a sociedade, por conta de que aquilo está em um momento que não pode contar com aquilo. Então, isso faz falta e a sociedade como um todo paga.

Então, nós estamos com o crédito mais alto e o comércio, de um modo geral, está sentindo isso tudo. As pessoas… Eu sempre falo que o dinheiro é um ser vivo, ele precisa circular. Ele não pode ficar parado. E quando ele para, ele não gera emprego, ele não gera renda, ele não gera riqueza. Então, a gente precisa fazer com que esse dinheiro circule.

E o comércio é o grande motor da economia. É o que faz o dinheiro circular. É o que gera emprego, é o que gera renda, é o que gera riqueza. Então, a gente precisa valorizar o comércio local, o comércio da nossa região, o comércio do nosso Estado.

BRUNO MOTTA: E para finalizar, eu queria que vocês deixassem uma mensagem para os nossos ouvintes sobre a importância do comércio local e do apoio da Sicredi Ouro Verde.

OSVALDO MARTINELLO: Eu gostaria de dizer que o comércio local é o coração da nossa comunidade. É ele que gera emprego, que gera renda, que gera riqueza. É ele que faz a economia girar. E o apoio da Sicredi Ouro Verde é fundamental para o desenvolvimento do comércio local. A Sicredi Ouro Verde é uma parceira do comércio local, ela acredita no comércio local, ela investe no comércio local.

JONAS ALVES: E eu gostaria de reforçar a importância da união entre o comércio local e as cooperativas. Essa união é fundamental para o desenvolvimento da nossa região, para o crescimento das nossas empresas, para a geração de emprego e renda. E a Sicredi Ouro Verde é um exemplo de cooperativa que realmente apoia o comércio local, que realmente acredita no comércio local.

CAMILA CARPENEDO: Muito obrigada, seu Osvaldo e seu Jonas, pela participação de vocês no nosso podcast. Foi uma conversa muito rica, muito esclarecedora.

BRUNO MOTTA: É isso aí, pessoal. Mais um episódio do nosso podcast Raízes Ouro Verde. Esperamos que vocês tenham gostado da nossa conversa sobre a força do comércio local e o apoio da Sicredi Ouro Verde. Continuem acompanhando os nossos episódios, e até a próxima!

CAMILA CARPENEDO: Até a próxima!

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