Neste episódio do Raízes Ouro Verde, batemos um bate-papo inspirador sobre inovação e seu impacto no desenvolvimento de comunidades.
Paulo Renato Ardengui Rizzardi, executivo do Projeto Cidade Inovadora, e Lucas Bragagnolo, gerente de Processos e Inovação da Sicredi Ouro Verde MT, explicaram como a inovação vai além da tecnologia, focando na colaboração e na construção coletiva para resolver problemas e gerar valor.
Eles discutiram ainda a importância da inovação no mercado financeiro, a visão de Lucas do Rio Verde como uma cidade inovadora, e o papel fundamental do Sicredi como agente de transformação e fomento de um ecossistema de inovação. Ouça o episódio e descubra como a cultura de cooperação e o propósito do cooperativismo impulsionam projetos que visam construir uma sociedade mais próspera e um futuro mais sustentável para todos.
BRUNO MOTTA: Oi, gente! Bem-vindos a mais uma edição do podcast Raízes Ouro Verde. Muito bom ter cada um de vocês aqui com a gente em todo este projeto que está celebrando os 35 anos da Cooperativa Sicredi Ouro Verde. Por aqui nós já falamos de vários assuntos, recebemos vários convidados de todas as cidades da nossa área de atuação, isso na nossa primeira temporada, que foi quando falamos da história da cooperativa.
Agora, na segunda temporada, como já falamos em outros momentos, nós estamos evidenciando a relevância da cooperativa, e por isso nós estamos trazendo temas muito atuais e importantes, e que têm total ligação realmente com o trabalho que é executado pela Ouro Verde, e hoje, né, Camila, não é diferente.
CAMILA CARPENEDO: Não, tem ótimos convidados que vocês vão conhecer logo mais. Mas antes, fica um convite para você que ainda não nos acompanha nas nossas redes sociais, sigam o Instagram da nossa cooperativa, @sicredouroverde.mt, você pode ter acesso a esses episódios completos, a todos os outros episódios que nós gravamos, no nosso site sicredouroverde35anos.com.br, todos os conteúdos estão por lá, né, Bruno? Isso mesmo.
E olha, como já adiantamos, a nossa pauta de hoje é muito relevante, ela está muito ligada com o dia a dia da Sicredi Ouro Verde. A pauta de hoje é inovação, e por isso nós estamos recebendo aqui dois convidados que têm total ligação com esse tema, atuam diretamente com esse tema, e que vão falar de alguns projetos muito importantes aqui para a gente hoje. Por isso nós recebemos o Lucas Bragagnolo, ele que é gerente da área de processos e inovação aqui da Sicredi Ouro Verde, e também o Paulo Renato Ardengui Rizzardi, ele que é executivo do programa Cidade Inovadora.
Bem-vindos, obrigado primeiramente por toparem essa participação e por trazerem esse tema tão relevante para a gente.
PAULO RENATO ARDENGHI RIZZARDI: Bom, é um prazer estar aqui, eu estou acompanhando, sou um fã de podcasts, e esse aqui também eu tenho acompanhado para conhecer um pouco da história da cooperativa, e estou muito feliz de estar podendo participar e contribuir um pouco, não só em contar, mas também em como a gente constrói a história. Então, estou bem feliz de estar aqui.
Eu também estou chegando agora de Porto Alegre, vocês vão perceber pelo meu sotaque, pelo meu ato. Aliás, diga-se de passagem, o Sicredi no Rio Grande do Sul também faz a diferença, como vocês fazem a diferença aqui. Agradecer muito o convite, eu já me sinto em casa aqui.
Todo o processo aí do Pacto pela Inovação, que a gente vai falar bastante sobre isso, ele nasceu aqui, me parece que o Sicredi é quase que uma casa do Pacto pela Inovação. Então, toda vez que eu venho aqui, me lembro de todo esse processo incrível que a gente está aí construindo em conjunto, e o Sicredi é um pilar muito importante. Muito obrigada, ficamos muito felizes por receber vocês aqui no nosso estúdio.
CAMILA CARPENEDO: E para a gente começar, né, Bruno? A gente normalmente começa o nosso podcast Raízes Ouro Verde perguntando aos nossos convidados quais são as raízes de vocês. Então, começamos com essa pergunta, e é legal vocês trazerem também das raízes e como que vocês chegaram a esse momento em que vocês trabalham com inovação. Então, Lucas, por favor, fala um pouquinho das suas raízes.
LUCAS BRAGAGNOLO: Minha raiz é muito ligada à família, sabe? Não só necessariamente a pai e mãe, mas a família que a gente vai construindo ao longo da nossa vida. Hoje, minha esposa, minha filha. E é uma raiz que, entre nós, é forte, mas que tem certa leveza, tanto que estou aqui no Mato Grosso, sou natural lá do estado de São Paulo, né? E se a gente tivesse a raiz bem fincada lá, talvez não estaria aqui.
CAMILA CARPENEDO: Não tinha saído, né?
LUCAS BRAGAGNOLO: Talvez não estaria aqui, né? Mas é isso, sabe? Acho que a minha maior raiz mesmo é família. E uma outra coisa também que permeia muito a nossa vida é mudança. Então, e é um pouco contraditório, né? Mas faz parte de ter ali a segurança em algum lugar, porque esse lugar te dá segurança para que você consiga estar fazendo todas as outras mudanças que você precisa fazer e não ter tanto medo assim, porque você sabe que, se der ruim, você consegue voltar e ter segurança lá na sua casa.
CAMILA CARPENEDO: Legal. Paulo?
PAULO RENATO ARDENGHI RIZZARDI: Bom, a minha raiz está muito ligada aos movimentos todos que acontecem no Rio Grande do Sul, né? Então, eu sou do interior do Rio Grande do Sul, de Palmeiras das Missões. Inclusive, tem uma coincidência interessante, porque o meu pai morou aqui em Lucas do Rio Verde antes de eu vir trabalhar aqui em Lucas do Rio Verde.
Ele veio de Palmeiras das Missões para morar em Lucas, morou durante 20 anos aqui. Então, a minha raiz está muito conectada com o meu Estado, que tem aí um grande desafio, porque é um Estado que tem tradições muito fortes e as tradições, muitas vezes, acabam não permitindo que a inovação flua como ela poderia fluir, né? A gente tem lá uma característica muito forte e até que é muito semelhante à de vocês, né? Porque, quando eu cheguei aqui, eu achei muito interessante que o pessoal sempre me recebe com chimarrão e tem um CTG aqui, eu acho que é maior que o nosso, lá de Porto Alegre. Então, posso dizer que, quando eu venho para cá, eu sinto que tenho algumas raízes aqui também.
CAMILA CARPENEDO: Legal, legal. Agora, vamos entrar um pouquinho na pauta, então, Bruno?
BRUNO MOTTA: Com certeza. A pauta de hoje é inovação, então, mas vamos começar falando… Lucas, queremos começar contigo.
O que significa a gente falar de inovação dentro de uma empresa hoje? E depois vamos trazer um pouquinho para o Sicredi. Mas, hoje, o que significa uma empresa tratar de inovação nesse universo, nesse contexto que a gente está vivendo hoje?
LUCAS BRAGAGNOLO: A inovação, dentro de um contexto empresarial, pode ter vários significados, mas, no geral, ela vem acompanhada da palavra mudança, da palavra transformação, porque inovar, no final das contas, é isso. É você promover algum tipo de mudança, alguma transformação que vai gerar, que vai resolver o problema de alguém, de alguma área, e vai gerar um valor, seja para a própria empresa ou seja para os clientes, que, aí, indiretamente, acaba gerando para a própria empresa.
Então, de forma muito simples, é isso. Para qualquer tipo de empresa, resolver problemas e gerar valor a partir desses problemas que são resolvidos. Agora, isso está muito presente dentro do sistema Sicredi, dentro da cooperativa, dentro da nossa cooperativa. Traz um pouco para a gente, para já contextualizar a relevância da inovação e de inovar aqui dentro.
Olha, inovação é um tema bem importante, principalmente quando a gente fala de uma instituição financeira como é o Sicredi, porque o mercado financeiro é um dos mercados que evolui mais rápido, acho que no nosso país e no mundo. É só a gente parar para pensar como era o mercado financeiro há 10 anos atrás, há 5 anos atrás, há 2 anos atrás.
E a gente vê perspectivas de que, nos próximos 2 anos, ele vai evoluir o que ele não evoluiu nos últimos 20. Então, é fundamental você falar de inovação, você falar de mudança, você querer resolver realmente os problemas do dia a dia, seja internos quanto dos nossos associados, para que a gente continue se mantendo relevante para a comunidade. Por quê? Porque, através disso, a gente vai conseguir realmente com que ela consiga alcançar os seus próprios objetivos.
Se a gente é mais ágil, se a gente tem um bom atendimento, se a gente tem os melhores canais digitais, a tecnologia disponível, a gente vai conseguir, com certeza, realizar sonhos dos nossos associados que a gente, às vezes, não faz nem ideia. E é com, às vezes, algumas mudanças que são super simples, mas que têm a ver com inovação, que a gente consegue alcançar isso. E quando a gente expande essa conversa sobre inovação, quando a gente vai além e a gente olha para uma comunidade como um todo, que aqui, olhando para o exemplo do que a gente vem visto e apoiado o desenvolvimento aqui em Lucas do Rio Verde, por exemplo.
BRUNO MOTTA: O que significa isso? O que é olhar para a inovação nesse contexto de uma cidade como um todo?
PAULO RENATO ARDENGHI RIZZARDI: Perfeito. Na verdade, para dar um contexto sobre essa inovação que a gente vai tratar agora, eu acho que tem um histórico importante a ser resgatado, no qual o Sicredi tem um papel muito importante, que foi, de certa forma, viabilizar, acreditar e apoiar um processo que não é comum nos dias de hoje nos territórios e nas cidades. Então, a gente foi, ao longo do tempo, se acostumando a viver nas cidades, cada um dentro da sua caixinha, fazendo o seu melhor.
Então, na empresa, está todo mundo buscando melhores resultados, buscando inovar. No poder público, o poder público busca, de certa forma, novas soluções para atender melhor o cidadão. Nas universidades, na academia, a universidade tratando sobre os temas de inovação e tudo mais, e a sociedade civil muito envolvida nessa pauta.
Mas cada um na sua caixinha. E Lucas do Rio Verde tomou uma decisão lá em 2022 de que ela trabalharia o desenvolvimento territorial de uma forma diferente, conectando poder público, sociedade civil, academia e iniciativa privada para, juntas, cocriarem uma visão de futuro em comum e passarem a atuar em conjunto em projetos estratégicos para alcançar essa visão de futuro. Então, a inovação que a gente está falando aqui tem pilares muito importantes que têm muito a ver com o que o Sicredi representa, que é a cooperação, a colaboração.
Então, a gente vem, desde 2022, trabalhando nessa estruturação e com resultados bem expressivos. O ecossistema de inovação, a cidade de Lucas do Rio Verde foi a cidade que mais evoluiu do ponto de vista da maturidade do seu ecossistema de inovação no Mato Grosso no ano passado. E esse é só o começo, porque as nossas raízes, as nossas bases, elas estão muito bem estruturadas com parceiros muito importantes como o Sicredi.
CAMILA CARPENEDO: Quando a gente fala desse conceito de cidade inteligente, que acredito que é um pouco do que o Cidade Inovadora trabalha, né? Tem relação?
PAULO RENATO ARDENGHI RIZZARDI: Sim e não. Vou explicar por quê. Então, vamos explicar o que é a diferença.
PAULO RENATO ARDENGHI RIZZARDI: Vamos explicar para quem está nos assistindo. Eu me incomodo um pouco com o termo cidade inteligente, porque eu acho que, no Brasil, esse termo foi se transformando em sensor e em tecnologia. E é mais do que isso, né? E é muito mais do que isso.
Então, o que a gente vem defendendo é que, antes de uma cidade inteligente, a gente precisa de uma cidade sábia e uma cidade inovadora que coloca todo mundo numa mesma mesa e que utiliza uma tecnologia social muito poderosa, que é a tecnologia do diálogo, da conversa e da construção coletiva. Então, antes de sensor, antes de inteligência, antes de um monte de tecnologias, a gente precisa saber para onde vai, onde a cidade quer estar daqui 10 anos, daqui 20 anos, como que a gente resolve, por exemplo, a questão dos talentos indo embora da cidade, como que a gente trabalha ambientes de negócio, como que a gente melhora a qualidade de vida. Então, eu me incomodo um pouco com o termo cidade inteligente, porque a gente acabou indo para um lado de tecnologia que, na minha modesta opinião, é meio e não fim e nem começo.
Então, o Cidade Inovadora bebe da água metodológica de movimentos que aconteceram em outras cidades pelo mundo e que fizeram com que essas cidades se desenvolvessem num ritmo muito mais acelerado e de uma maneira muito mais sólida. Então, o que a gente vem vivendo aqui em Lucas do Rio Verde aconteceu em Barcelona, na década de 90. A Barcelona era o patinho feio da Europa, através de uma metodologia ligada à inovação e à quádrupla hélice que a gente chama, que é o Poder Público, Sociedade Civil, Academia e Iniciativa Privada, cocriou uma visão de futuro e hoje é o berço das smart cities, o berço das soluções inovadoras, mas porque ela definiu ir para esse lado.
Aí, você pode pensar, poxa, estou na Europa, a Europa é mais fácil, eles não têm problemas como a gente tem aqui, de desigualdades e tal. Então, a gente pode falar de Medellín. A Medellín, logo depois do Pablo Escobar, vocês já devem ter assistido Narcos, a Medellín ficou famosa por causa dos narcotraficantes.
E, na década de 90, ela tomou uma decisão e trouxe uma metodologia muito semelhante à nossa, que nós temos aqui, que foi de colocar todo mundo numa mesma página e, esse ano, Medellín ultrapassa o Rio de Janeiro em número de turistas e se transforma na principal cidade turística da América Latina, sem ter mar, sem ter alguns atrativos que o Rio de Janeiro tem. Por quê? Porque eles resolveram problemas de maneira coletiva. E, lá em Porto Alegre, a gente precisava de uma grande revolução, a gente foi beber dessa água.
Então, tudo o que está acontecendo aqui em Lucas não é algo que eu estudei num livro ou que os membros do Cidade Inovadora teorizaram. A gente viveu na prática tudo isso. Então, Porto Alegre, há cinco anos atrás, era uma cidade completamente diferente da que nós temos hoje.
E o que nos fortalece, inclusive, para sobreviver a uma enchente é esse sentimento de estarmos todos numa mesma mesa. Só que Lucas do Rio Verde tem uma questão que é muito peculiar e muito especial. Como ela é uma cidade muito nova, ela tem 37 anos, os fundadores da cidade ainda estão aqui.
Aí que bom! Então, você tem o Eledir, você tem o Miguel, você tem o Jossi, você tem o Grupo Ferrarim, esse grupo todo que fundou essa cidade. E, para quem não conhece Lucas do Rio Verde, tem que vir até aqui ver isso que estou falando, ele já construiu essa cidade numa lógica colaborativa. Então, em algumas cidades para onde a gente leva essa metodologia, a gente tem que ficar mais de um ano fazendo um processo de mudança de cultura, de colocar todo mundo numa mesma mesa.
Aqui foi muito rápido fazer esse processo. Mas, óbvio, nós temos os desafios aqui de Lucas, que eu acho muito interessante. O ritmo aqui é totalmente diferente do resto do Brasil. O crescimento é muito incomum. Você está conversando com as pessoas, elas estão olhando no celular, elas querem saber quanto custa e quando vai estar pronto. E, para quem trabalha com inovação, isso é um desafio, porque a inovação precisa de um tempo de maturação, de construção coletiva.
Então, eu vejo que Lucas compreendeu o processo e, no ritmo dela, de cabeça erguida, como é a Ema… A passos largos e de cabeça erguida. A passos largos e de cabeça erguida, ela está construindo a sua história e eu sou muito grato e feliz por estar participando dela.
CAMILA CARPENEDO: A gente teve a oportunidade, né, Bruno, em muitos episódios anteriores, de contar um pouquinho dessas histórias que mostram como o Lucas realmente é fruto de muito movimento de cooperação.
A gente ouviu muitas histórias legais aqui no Raízes Ouro Verde sobre isso e, realmente, acredito que reflete muito em todo esse trabalho que está sendo feito agora. Mas, Lucas, por que faz sentido, então, para nós, do Sicredi, sermos esse agente que ajuda a impulsionar um trabalho como esse e outros também que a gente se envolve, fomenta, enfim, nas comunidades onde a gente está?
LUCAS BRAGAGNOLO: Para nós, o trabalho com inovação dentro de uma empresa já é desafiador por si só, né? Porque você está movendo a mudança internamente e, às vezes, todo mundo sabe que precisa mudar, mas não necessariamente todo mundo quer mudar. E, quando você vê que você tem a oportunidade de transbordar isso que você faz dentro da empresa e você conseguir trabalhar a inovação não só nas outras empresas, mas também no âmbito que você envolve o poder público, que você envolve a academia, que você envolve toda a sociedade, isso faz todo o sentido, e casa com o propósito do cooperativismo, que a gente quer construir, falando como Sicredi, construir juntos uma sociedade mais próspera.
A gente tem um pinheiro social, um pinheiro econômico, e esse social está muito ligado com isso. Várias ações que eu poderia fazer e nós poderíamos fazer como cooperativa só para o Sicredi, será que faz sentido fazer só para o Sicredi, se a gente pode levar realmente para todas as outras pessoas? Então, a gente tem muito esse drive aqui na cooperativa, né? Sempre que a gente pode, sempre que faz sentido, a gente abre para os demais parceiros e isso ajuda muito, porque os parceiros, muitas vezes, vão fazer coisas e eles falam assim, não, mas o Sicredi tem que estar junto. E não necessariamente, né? A gente teve, por exemplo, recente, né? Uma formação de investidores, que a gente tinha a intenção de fazer, mas foi convidado por outros dois parceiros para estar junto.
E eles não necessariamente precisariam, mas pela nossa atuação na comunidade nos abriu isso. Então, é meio assim, sabe? Eu falo que quando você trabalha com inovação, você trabalha com ecossistema, a gente usa um termo em inglês que chama que o ecossistema é giver, ou seja, ele devolve. Tudo aquilo que você faz para ele de bom, tudo aquilo que você entrega, ele te devolve também de alguma outra forma.
Então, eu vejo que isso que a gente está fazendo, como inovação para a comunidade, a gente também vem colhendo bons frutos com isso.
CAMILA CARPENEDO: É interessante porque é tudo feito em grupos, em equipes, e as pessoas compartilham muito desses conhecimentos. Inclusive, o Paulo está aqui em Lucas hoje com a gente justamente para participar de um evento.
Esse episódio está sendo gravado no dia 7 de agosto. No dia 7, 8 e 9 de agosto temos o Green Summit, um evento onde o Paulo vai participar. E justamente lá é onde existe essa oportunidade dessa troca, né? Desse conhecimento, dessas informações.
E queria que você pontuasse como que isso facilita, então, quando a gente pensa em desafios nas cidades, como que momentos como esse, que são muito feitos, são feitos com frequência aqui em Lucas, como que eles ajudam a identificar esses desafios e superá-los?
PAULO RENATO ARDENGHI RIZZARDI: Bom, perfeito. Eu acho que tem aqui alguns passos que eu tenho que dar para trás para poder contar um pouco dessa história e também fazer algumas pontuações metodológicas para quem nos assiste possa entender de onde vem o Green Summit, de onde vem o Green Hub, de onde vem a Escola de Investidores, de onde vem a Escola de Líderes, professores inovadores e todos esses projetos. Então, lá em 2022, uma missão que foi até o Rio Grande do Sul acabou me encontrando por acaso, porque a agenda toda era construída com uma empresa grande nossa lá que representa muito a inovação, que é a SLC, mas o Head de Inovação da SLC pegou Covid no dia e me ligou, Paulo, eu estou com o pessoal aqui de Lucas do Rio Verde, você pode recebê-los no Tecnopuc, lá no nosso Parque Tecnológico? Eu disse, claro, vai ser um prazer.
Meu pai, inclusive, morou lá e tal. E cheguei lá, tinha uma missão, no qual o Sicredi também fazia parte, estava lá o pessoal da Prefeitura, o pessoal do Sebrae, que é outro agente bem importante do processo, e apresentei o que a gente tinha feito em Porto Alegre. E aí a provocação foi, como que a gente faz isso lá em Lucas do Rio Verde do ponto de vista da inovação? E de 2022 para cá, a gente então foi trilhando um caminho que nos traz até hoje.
Então, a gente, num primeiro momento, fez toda a preparação das hélices, que a gente chama. Então, preparou a Prefeitura, preparou a iniciativa privada, preparou a academia e a sociedade civil para entenderem a metodologia. Depois, a gente foi para o radar da inovação, que a gente chama, que foi um diagnóstico através de 20 entrevistas semi-estruturadas, a maioria delas com os fundadores da cidade, para entender quais eram os principais desafios.
Então, aqui a gente encontrou desafios, por exemplo, de logística, de infraestrutura. A gente encontrou desafios de talentos que acabam indo embora. Enfim, vários desafios.
E depois a gente fez um workshop de cocriação de visão de futuro que apontou que Lucas do Rio Verde quer, em 10 anos, se transformar em referência nacional e internacional em economia verde. Então, eu tenho uma visão de futuro de 10 anos, eu tenho macro-desafios e, a partir desses macro-desafios, foram escolhidos 12 projetos prioritários, que rodaram dois ciclos, cada um de seis meses, e, dentre esses projetos, o Green Summit, que é apoiado pelo Sicredi, que é um projeto liderado pelo Green Hub, que também é outro filho do Impacto Lucas. Ele, então, aparece no macro-desafio comunicação e posicionamento da cidade.
Então, se a cidade quer evoluir do ponto de vista da inovação e da economia verde, ela precisa debater sobre esse tema, ela precisa se debruçar e entender o que significa economia verde. Ela precisa andar nessa direção. E o Sicredi liderou alguns projetos muito importantes, como o Crédito Verde, que foi junto com as outras cooperativas, que aqui tem uma visão de abundância, de trazer os demais, mapear todas as linhas que nós temos de crédito para negócios verdes, para transformação, para transição energética etc.
E desse movimento acaba se originando um fundo de investimento e acaba se originando uma escola de investidores, que entram para resolver o desafio do ambiente de negócios. Porque a gente precisa ter clareza do que são os negócios verdes, do que são startups e empresas de base tecnológica. Então, percebam que esse é um movimento que tem uma estrutura metodológica, mas que ele também é orgânico, as coisas vão acontecendo.
E o Lucas do Rio Verde tem uma característica, um DNA interessante. Quando você menos espera, e eu que estou trabalhando na execução do processo, já tem vários projetos acontecendo com líderes diferentes. Mas o que eu vejo de muito precioso nesse processo todo é que me parece que a cultura de trabalhar em conjunto pegou, e pegou muito forte. Eu não vejo mais uma organização fazendo e querendo ela ser a protagonista e excluindo as outras. O Lucas pode falar muito melhor disso, mas eu vejo que a prefeitura está muito em sintonia com o que as empresas estão desejando do ponto de vista dessa agenda da inovação. Eu vejo muito a academia, Unilasalle, agora chegando à Universidade Federal, concursos de inteligência artificial, as escolas, todo mundo muito engajado, o IFMT com o Reginaldo e tal.
E um ponto que é importante destacar aqui é que esse processo todo tem uma governança. E o Sicredi está presente nas quatro camadas da governança. A gente tem no Conselho Estratégico representantes do Sicredi, a gente tem na coordenação do pacto, na pessoa do Lucas, a representação do Sicredi, a gente tem como líderes de projeto e grupo tático-operacional pessoas do Sicredi desde o início do processo.
E é engraçado que elas vão mudando, elas vão indo para Cuiabá, nas outras agências, tipo a Cate e algumas pessoas. E outros líderes do Sicredi vão surgindo organicamente. O que me leva a comprovar, e eu que não sou do Sicredi, não trabalho no sistema bancário, é que vocês são uma incubadora de talentos.
LUCAS BRAGAGNOLO: É isso mesmo, Lucas? É bem isso, sabe? E é interessante isso que você está falando da gente dividir as coisas, porque ontem a gente fez aquela reunião com o pessoal da, novidade essa, com o pessoal da NASA Space Apps, e na hora que a gente fez a reunião, que a gente saiu, eu falei assim, não, mas isso aqui não faz sentido a gente fazer sozinho esse desafio que fala de ODSs, que fala de economia verde, faz sentido a gente fazer como o movimento da cidade como um todo. E aí na hora eu já mandei lá no grupo, gente, seguinte, acabei de sair de uma reunião assim com o pessoal que representa a NASA Space Apps aqui no Brasil, e assim, assim, assim, para 2026, quem está junto? Não deu cinco minutos e já estava todo mundo, não, um apoio, vamos fazer, vamos fazer, vamos fazer. Então, esse é um spoiler, né? De uma baita novidade que talvez venha para o ano que vem.
E assim, é muito genuíno isso mesmo, de fazer e de compartilhar o que faz sentido e tem um grande potencial de impacto mesmo, porque assim, eu trabalhei seis, sete anos em outras empresas no universo que a inovação está muito ligada ao seu diferencial competitivo que te faz estar aqui ou não amanhã. E você pensar que você vai construir inovação junto com outras empresas, dividindo muitas vezes os seus desafios, que tem a ver com geração de talentos, pensando que se todos crescerem, se todo mundo formar gente boa, a gente só troca figurinhas entre nós, é um pensamento muito… Um olhar para o bem comum, né? É muito diferente do que acontece no resto dos lugares mesmo, porque geralmente a inovação é tipo a fórmula da Coca-Cola, né? Que você deixa ali e não divide de jeito nenhum, né?
CAMILA CARPENEDO: Mas acho que tem um ponto também, né, Lucas, que quando a gente ouve o Paulo falar sobre esse envolvimento das nossas pessoas do Sicredi, é muito de uma cultura que a gente vem tentando e trazendo de inovação, de incentivar a inovação internamente. Então, acho que você podia falar um pouquinho também disso, de como a gente tem trabalhado isso internamente entre os nossos colaboradores, para se criar essa cultura de inovação.
LUCAS BRAGAGNOLO: É, o nosso maior desafio, e acho que de toda empresa que vai trabalhar inovação, é você trabalhar a cultura primeiro. Porque senão, se você começa a trabalhar por resolução de problemas, trazendo o que o Paulo já falou aqui, que a tecnologia aqui, na minha visão, também é meio, você acaba falhando, porque as pessoas não estão preparadas para aquilo. Porque, ah, você vai colocar para rodar uma inteligência artificial que vai conversar com as pessoas e resolver as dúvidas delas.
Na primeira vez que aquilo ali falhar, todo mundo vai criticar e não vai usar nunca mais. Mas se a gente trabalha uma cultura de inovação, uma cultura de experimentação, onde as pessoas entendem que o erro pequeno, rápido, barato, faz total sentido, elas vão se abrindo cada vez mais para errar e aprender com os seus erros, inclusive compartilhar os erros. Porque não é normal também a gente compartilhar erros.
Geralmente, a gente tem medo, a gente tem vergonha de, tipo, nossa, erramos, e agora? O que a gente vai fazer com isso? Mas essa construção de cultura se passa por várias ações. Primeiro, a gente fez um diagnóstico, a gente rodou duas, três edições de uma pesquisa que nos ajudou a entender qual era o cenário da cooperativa. E a gente entendeu que, primeiro, precisamos falar mais sobre o tema inovação aqui dentro.
E aí surgiram várias iniciativas em que o nosso time de comunicação é super nosso parceiro, que a gente faz newsletter, agora a gente tem podcast interno, a gente tem ação no Instagram para os nossos colaboradores. Então, tudo isso para quê? Para que o tema inovação esteja mais presente no dia a dia. Aquele negócio que você vê, que você ouve, que você lê, ele vai se tornando cada vez mais comum. E aí, quando você vai falar de algo mais complexo, as pessoas já estão mais preparadas para isso. Então, o nosso maior desafio é a cultura. E a gente tem trabalhado muito forte nisso.
CAMILA CARPENEDO: É muito legal ver como a inovação, ela está presente em todos os pilares, né? Desde o propósito do Sicredi, até a cultura interna da cooperativa, e como isso se reflete também na comunidade, né? E Paulo, para a gente finalizar, qual a mensagem que você deixa para quem está nos ouvindo, para quem quer inovar, para quem quer fazer a diferença, seja na sua empresa, na sua comunidade, na sua vida?
PAULO RENATO ARDENGHI RIZZARDI: Eu acho que a principal mensagem é que a inovação não é um bicho de sete cabeças. A inovação é um processo, é uma jornada, e ela começa com um passo. E esse passo pode ser pequeno, pode ser simples, mas ele precisa ser dado. E a inovação é sobre pessoas, é sobre colaboração, é sobre construir junto. Então, não tenha medo de errar, não tenha medo de experimentar, não tenha medo de compartilhar. E busque sempre o bem comum, porque a inovação que gera valor para a sociedade é a inovação que realmente transforma. E o Sicredi é um grande exemplo disso, de como a cooperação e a inovação andam de mãos dadas para construir um futuro mais próspero para todos. Muito obrigado pelo convite, foi um prazer estar aqui.
LUCAS BRAGAGNOLO: Eu também queria agradecer muito o convite, foi um prazer estar aqui, compartilhar um pouco da nossa experiência, e reforçar que a inovação é um caminho sem volta. É um caminho que a gente precisa trilhar, e que a gente precisa trilhar junto. Então, contem com o Sicredi, contem com a cooperativa, contem com a gente para construir esse futuro de inovação e prosperidade. Muito obrigado.
BRUNO MOTTA: E assim a gente encerra mais um episódio do podcast Raízes Ouro Verde. Agradecemos a presença dos nossos convidados, Paulo Renato Ardengui Rizzardi e Lucas Bragagnolo, por compartilharem tanto conhecimento e experiência conosco. E a você, ouvinte, que nos acompanhou até aqui, o nosso muito obrigado. Fique ligado para os próximos episódios, e até a próxima!
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