Sicredi Ouro Verde MT

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Raízes Ouro Verde | Ep. 24
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Raízes Ouro Verde | Ep. 24

André de Matto e Edmar N.

Neste episódio de Raízes Ouro Verde, exploramos o poder transformador do esporte e da cultura em Mato Grosso. Recebemos André Ricardo Fernandes de Matto, Secretário de Esporte e Lazer de Lucas do Rio Verde, e Edmar Nascimento, maestro da Orquestra Jovem da Escola de Música de Nova Mutum.

Eles compartilham histórias inspiradoras sobre a parceria da Sicredi Ouro Verde com projetos sociais que impulsionam o desenvolvimento e transformam a vida de crianças e adolescentes. Além disso, destacam iniciativas inovadoras que promovem o esporte e a música para jovens e comunidades locais, apresentando exemplos concretos de sucesso e evidenciando o papel essencial da cooperação para o fortalecimento e crescimento da região.

O episódio aborda o crescimento da agroindústria, a importância da qualificação profissional e o impacto das instituições como SESI, SENAI e IEL no desenvolvimento regional. Uma reflexão sobre os caminhos que a indústria tem trilhado e as oportunidades que se abrem para as próximas gerações.

Eles falaram sobre a relevância e os desafios dessas instituições filantrópicas que são pilares no atendimento à saúde da população mato-grossense. A dupla ainda destacou o papel fundamental da comunidade e do cooperativismo na construção e manutenção desses serviços essenciais.

Um episódio emocionante sobre a importância da solidariedade e do envolvimento da sociedade para a sustentabilidade da saúde pública.

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Raízes Ouro Verde | Ep. 24
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Oi, pessoal, bem-vindos a mais um episódio do podcast Raízes Ouro Verde. Nós estamos muito felizes em ter cada um de vocês que tem nos acompanhado aqui durante essa trajetória de boas histórias, de relevância da cooperativa Se Cria de Ouro Verde. Por aqui já passaram várias histórias, já tivemos vários momentos realmente muito impactantes para o trabalho que é realizado pela cooperativa e também para cada um dos associados que nos acompanham.

Hoje não será diferente, então a gente já pede que vocês continuem por aqui e acompanhem todo esse episódio. E antes disso também, ou depois, é claro, já aproveite para ver os outros episódios que estão disponíveis nas principais plataformas de podcast. Nós temos no Spotify e também no nosso site oficial secriadeouroverde35anos.com.br. Por lá você consegue assistir quando e onde quiser todos os episódios que já foram divulgados por aqui nessa nossa trajetória de boas histórias em comemoração aos 35 anos da Ouro Verde, né, Camila? É isso mesmo, Bruno.

Então acompanhe com a gente, curta todos os episódios que já se passaram e continue acompanhando com a gente os próximos que estão por vir. Porque hoje a gente tem mais um episódio muito especial nessa temporada em que a gente fala sobre a relevância da nossa cooperativa na comunidade. Nós estamos nessa temporada do nosso Raízes Ouro Verde e hoje o tema é esporte e cultura.

A gente vai falar especialmente de toda essa nossa atuação em prol desses dois temas e como isso fortalece as ações que acontecem nas nossas comunidades nos 15 municípios da área de atuação da Secrede Ouro Verde. A gente já contou algumas histórias por aqui, algumas histórias de como a nossa atuação nas comunidades transforma a vida das pessoas e hoje a gente vai ouvir muitas boas histórias de novo, né, Bruno? Na prática, né? Na prática, como que isso acontece. Então vamos apresentar quem está aqui com a gente hoje.

Então hoje a gente recebe aqui para falar desses temas o nosso secretário de esporte e lazer de Lucas do Rio Verde, André Mato. Seja muito bem-vindo, André. E o maestro da Orquestra Sinfônica Jovem de Nova Mutum, Edmar Nascimento.

Então é uma alegria receber vocês aqui no nosso estúdio do Raízes Ouro Verde, aqui na Secrede Ouro Verde. Obrigado, Camila. Obrigado, Bruno.

Obrigado ao Secrede Ouro Verde pelo convite. Vamos falar assim um pouquinho do esporte, um pouquinho da nossa história, aonde que o esporte de Lucas do Rio Verde conseguiu chegar, junto com essas parcerias feitas com a cooperativa Secrede ao longo desses anos. Hoje nós estamos aqui em nome da Escola de Música de Nova Mutum, a Orquestra Jovem de Nova Mutum, e só tenho a agradecer à Secrede por essa longa parceria desde o início da nossa história.

Estamos aqui para falar um pouco de todo esse envolvimento e contar um pouco das histórias, um pouco do que acontece e toda essa movimentação em torno da nossa cultura no nosso estado de Mato Grosso, sendo apoiada pela Secrede Ouro Verde. Um ótimo trabalho realizado pelas duas áreas, certamente. Mas, antes de a gente entrar nisso em detalhes, no início dos episódios do Raízes, a gente sempre pede para que os nossos convidados se apresentem.

Então, quem é o André? Quem é o Edmar? Que vocês contem realmente um pouco dessa vivência de vocês e como chegaram aos trabalhos que atuam hoje. Então, vamos lá. Começamos por mim, Edmar.

Sou o André, professor de Educação Física, formado em 2003, em Cascavel, e vim para o Lucas do Governo em 2006. Caí aqui de paraquedas, vamos dizer assim, e, de lá para cá, sempre trabalhei de forma direta e indireta dentro da Secretaria de Esportes. De 2006 a 2008, trabalhei com o Aloysio Bassani, que era o secretário.

Em 2009, comecei a atuar como profissional de Educação Física, professor na Rede La Salle, no Colégio La Salle, até 2020, onde desenvolvi o projeto Badminton. Desenvolvemos essa modalidade no estado do Mato Grosso e que se tornou destaque lá no Colégio São Cristóvão. Em 2021, recebi o convite de fazer parte novamente da Secretaria de Esportes, como secretário adjunto do Jackson.

E, de 2021 para cá, a gente vem construindo uma história bem sólida dentro do esporte e, com todo o apoio e toda a ajuda, não só do Poder Público como da iniciativa privada, a gente está conseguindo fazer o esporte na nossa cidade e virar um case de sucesso no nosso estado. Show! Falar o quê agora? Mas é isso aí. Eu sou matogrossense, nascido em Jaceara, Mato Grosso, nascido e criado em Jaceara.

Eu estudei música quando criança, pra tocar na igreja, na verdade, tinha aquela história de tocar na banda da igreja, né? Eu aprendi com meu pai, era o maestro regente da banda na época, e toda a nossa família, os irmãos, os primos, os tios, todo mundo toca algum tipo de instrumento. Porém, é básico, né? Apenas pra entrada, nada muito profundo. Resolvendo a partitura do momento, tá ok.

E não passava disso. Portanto, a minha formação foi em outra área, eu fiz técnico contábil, depois fui pra faculdade de contabilidade e, depois de um longo período, eu vim pra Nova Mutum. Quando eu cheguei em Nova Mutum, eu tive uma oportunidade na área da música.

Eu costumo falar isso sempre pros alunos da Escola de Música Nova Mutum. No mínimo, estudando música, você terá uma oportunidade a mais na vida. E, pra mim, não foi diferente.

Cheguei em Nova Mutum em 2005, e a prefeitura precisava de um instrutor de música no momento que eu cheguei. E eu me apresentei e consegui entrar na vaga de instrutor de música e abracei a causa. Dali eu fui fazer licenciatura pra ser professor, depois eu fiz regência, e aí tem toda uma história, montando ali a primeira farfarra, depois eu fiz o início da base, ajudando a criar a orquestra.

E estamos ali à frente hoje, na direção da orquestra, já há 16 anos. Vamos detalhar agora um pouco mais esse trabalho realizado? Eu queria começar, né, Camila? Vamos falar um pouquinho mais de como surgiu a Orquestra Jovem da Escola de Música de Nova Mutum. É um trabalho que foi realizado, tem as mãos do Edmar, de toda uma outra equipe junto que atua também.

Mas eu queria que a gente conte um pouco mais os detalhes do nascimento, da fundação dela e de como tem sido no decorrer dos anos. Uma história já de 15 anos, né? Exatamente. Na verdade, foi uma série de coincidências que aconteceram na criação desse lindo projeto que nós temos ali em Nova Mutum.

Dona Ilda Estrangue Ribeiro, esposa do Sr. José Aparecido Ribeiro, que é o patrono da cidade, o cara que loteou ali, que iniciou os primeiros movimentos do projeto da cidade de Nova Mutum, que eram os proprietários da Fazenda Mutum, ao qual surgiu a cidade. Ela era pianista e artista plástico. E ela tinha também, em São Paulo, em Riviera de São Lourenço, um projeto que a família, que o grupo patrocinava, ajudava.

E, quando ela veio para Nova Mutum com o início da cidade, ela sempre deixou muito claro que Nova Mutum precisa ter um projeto de orquestra. Nova Mutum precisa ter um projeto de orquestra. Numa determinada época, o Sr. Luiz Divino, que foi diretor do grupo Mutum por um longo período, veio trabalhar com eles.

Um músico também. Se aproximou com a Dona Ilda, primeira coincidência, um diretor-músico junto dentro do grupo. Começaram a ter conversas no fomento para que pudéssemos ter a nossa orquestra em Nova Mutum.

Plantou-se a semente. No ano de 2002, o Frederico, neto da Dona Ilda, em São Paulo, conheceu o Leandro Carvalho. Não sei se vocês já ouviram falar.

O Leandro Carvalho foi secretário de Cultura do Estado. Tinha um projeto muito forte em Cuiabá. E o Frederico conheceu o Leandro, o Leandro recém-chegado da Europa.

Tinha ido fazer regência, inclusive. Estava com gás, querendo fazer alguma coisa. E o Frederico o convidou para vir para Nova Mutum.

Falou, cara, vamos para o Mato Grosso. Minha avó quer fazer um projeto bacana lá, numa cidade que a gente está começando. E seria muito legal você ir.

Então o Frederico trouxe o Leandro à Nova Mutum. E, de Nova Mutum, o Leandro falou, cara, ainda não cabe, a cidade está muito pequena. O projeto que a gente está pensando é um pouco maior.

Então, vamos para a capital, vamos para Cuiabá. A gente monta em Cuiabá um projeto. E, no momento certo, a gente vem para Mutum.

E combinaram. O Grupo Mutum patrocinou o Leandro, levou o Leandro para Cuiabá. E o Leandro, em 2003, abriu o Projeto Ciranda em Cuiabá.

Então, em 2003, Projeto Ciranda em Cuiabá, o Leandro Carvalho. Em 2004, o Leandro abriu o Orquestra do Estado Mato Grosso. Tudo com o apoio do Grupo Mutum.

É lógico, tinha outros parceiros, mas o Grupo Mutum ali sempre junto, presente naquela movimentação ali. No ano de 2005, o Estado de Mato Grosso, em parceria com a Orquestra do Estado Mato Grosso, que já tinha ali toda uma movimentação conjunta, lançaram um curso de regência. E esse curso eles mandaram para todos os municípios.

Creio ou não, Lucas do Rio Verde recebeu também, porque tinha também alunos daqui de Lucas do Rio Verde fazendo esse curso de regência. Qual era o propósito? Capacitar professores, pessoas que pudessem fomentar esse movimento de orquestra no Estado de Mato Grosso. Daqui de Lucas do Rio Verde, se não me engano, tinha o Joãozinho, que tocava saxofone.

E ele foi fazer esse curso lá em Cuiabá. Por coincidência, mais uma coincidência, eu fui de novo a Mutum fazer esse curso de regência em Cuiabá. Chegando em Cuiabá, na sede do Ciranda, eu vi uma placa do Grupo Mutum.

Eu, sendo de Mutum, tenho que ir lá saber que movimento é esse, o que está acontecendo aqui. Descobri essa história, essa parceria, e entrei também nessa discussão, nessa ideia de ter a Orquestra de Nova Mutum. E, no momento certo, essa orquestra aconteceu.

Em 2009, no dia 5 de março de 2009, nós fizemos a primeira aula da Escola de Música. Um pouco antes, no mês de março, nós reunimos uma comissão. Nós fizemos uns convites.

Convidamos autoridades, religiosas, todo tipo de movimentação que poderia contribuir. Mandamos convite para todo mundo. Veio promotor, veio juiz, veio prefeito, veio secretário, veio padre, veio pastor.

Convidamos todo mundo para uma reunião. Dessa reunião, nós apresentamos o projeto da orquestra. Apresentamos o projeto Ciranda, que já era uma realidade, a Orquestra do Estado do Mato Grosso.

E aí apresentamos o projeto de Nova Mutum. Dessa reunião, saiu uma comissão. Essa comissão era presidida pelo seu Luiz Divino, que era o gerente.

Faz parte, inclusive, da história da Sicred. Fundador também da Sicred. Fundador também da Sicred.

E iniciamos ali uma comissão na qual montou a associação, que foi o formato que foi decidido, que seria a administração da orquestra. E aí criamos essa associação. E 5 de maio de 2009, a primeira aula da escola de música de Nova Mutum.

Aí tem uma trajetória até ser realmente escola de música. Começamos apenas como orquestra. E tem toda uma movimentação para chegar onde estamos hoje, com o resultado que temos.

Muito linda a história da orquestra. E quem já conheceu o trabalho lá, é um trabalho realmente louvável, encantador, de transformação da vida dessas crianças. E a gente vai falar mais sobre isso daqui a pouco, Edmar.

Quero que você conte algumas dessas histórias. Tem histórias lindas lá. Tem bastante coisa legal.

Que eu já tive a oportunidade de ouvir. Mas, André, vamos falar também um pouquinho do esporte. Então, você está há 16 anos, mais ou menos, então envolvido diretamente com o esporte Luverdense.

A gente sabe que isso significa toda uma movimentação também para que esse esporte chegue até a população e que isso movimente a nossa comunidade. Conta um pouquinho para a gente dessa história mais recente desse esporte aqui em Lucas do Rio Verde. Isso mesmo, Nilce.

Estou há 16 anos atuando aqui com o esporte Lucas do Rio Verde. Conheço um pouco da história da nossa Secretaria de Esportes. Essa parceria que existe entre a cooperativa de créditos, o Cicred, vem desde quando a secretaria era departamento, em 1999.

Depois, em 2001, a Secretaria de Esportes se tornou realmente uma secretaria, de fato, com o Estevam, que era o secretário na época. De lá para cá, ela vem crescendo de forma estrutural, a Secretaria de Esportes. Hoje, a gente tem uma estrutura a nível estadual muito boa, condizente.

Acho que é um dos melhores municípios com estrutura esportiva, graças aos bons investimentos que aqui têm feito. E essa parceria vem aumentando. Nos últimos anos, como a gente falou, 2021 para cá, que a gente consegue falar com mais certeza, a gente conseguiu dar uma evolução muito grande no esporte, na nossa sociedade.

São diversas áreas que foram abertas. Hoje, nós estamos com 14 escolinhas esportivas, todas elas gerando oportunidade para que as crianças possam, dentro de suas habilidades, de suas condições, escolher qual o melhor esporte que ela consiga praticar. Além da área de lazer, a gente tem cinco modalidades também desenvolvidas na área de lazer para os adultos também da nossa cidade.

Temos algumas modalidades adultas que a gente apoia também. Mas eu acredito que os eventos esportivos são o carro-chefe hoje da Secretaria de Esportes e o diferencial que faz a nossa sociedade. Temos inúmeros eventos, de formas bem diversas.

Uma delas é as corridas. É o nosso case hoje de sucesso. No caso verde, a gente consegue fazer dez corridas no ano.

E isso se torna o município com mais poder em fazer corridas. Acho que só tem um município no estado que faz duas corridas. E nós conseguimos fazer dez entregadas para a sociedade.

Então isso está aumentando cada dia mais. Hoje a gente tem em torno de 1.500 pessoas por corrida. Mas além disso temos outros eventos, como o MTB, motocross, eventos onde pega o esporte amador.

Aí entra todas as copas de futebol, futsal, voleibol, handebol. Sim, são inúmeros eventos. E a gente tem um grande sucesso.

Com certeza a gente conseguiu atingir um case de sucesso devido às parcerias. A Prefeitura Municipal não teria condição de fazer nem a metade do que tem sido feito se não tivesse as parcerias e os apoios. Isso de forma geral na nossa sociedade.

O Cicrede sempre foi parceiro. Sempre podemos contar com o Cicrede em todos esses anos que nós tivemos aqui à frente da Secretaria de Esportes. E com certeza o esporte está onde está devido às parcerias.

Ninguém faz nada sozinho. Eu ouvindo o professor falar aqui, o Edmar, o que a gente planta hoje é uma semente na cabeça dessas crianças. Como foi o que aconteceu aqui com o Edmar, os familiares dele plantaram uma sementinha lá quando ela era criança, na música.

E alguns anos depois ele aproveitou isso. Ou a vida fez ele aproveitar essa semente. E se tornar o professor que é e poder conduzir essa grande associação que é a Emuton.

Então eu vejo que o que a gente ensina hoje para nossas crianças, alguns dias elas vão poder aproveitar. Então quanto mais oportunidade nós dermos a elas, um futuro melhor elas terão. E vamos falar um pouquinho disso, então, dessas oportunidades que a gente está dando para essas crianças.

Eu queria, Edmar, começando por você, contar um pouquinho de hoje. Qual é o impacto em número de crianças? Eu sei que um grande número de crianças hoje que fazem parte, mas muitas que já passaram também nesses 15 anos de orquestra. Conta um pouquinho para a gente.

Para falar desse impacto, vamos tentar fazer uma trajetória. Nós começamos trabalhando com um grupo de 64, 65 crianças. E esse grupo foi gradativamente crescendo.

E nós tínhamos uma orquestra jovem, com uma média de 60, 70 componentes, tocando num nível de excelência que era proposto. Não estou falando que eles tocavam… Pela proposta, eles estavam num nível de excelência. A prova disso eram os convites, uma média de 25 a 30 apresentações por ano, em vários municípios do estado do Mato Grosso, fora do estado do Mato Grosso.

Tocamos em São Paulo, temos várias atuações a nível Brasil. E acendeu-se uma luz no momento em que essas crianças, esses adolescentes, esses rapazes, começaram a sair para o mercado de trabalho. Nós fazíamos uma movimentação de oficinas, trazíamos professores de fora, fazíamos movimentos, workshops, e ali conseguíamos manter aquele nível legal daquela garotada tocando o que era proposto.

E, quando essa luz acendeu, nós nos deparamos com uma pirâmide de cabeça para baixo. Ela começou a se desfragmentar e nós não tínhamos base. E aí, poxa vida, vai acabar a orquestra.

Os meninos estão indo estudar, os meninos estão indo trabalhar e a gente precisa fazer tudo de novo. E sentamos, rediscutimos o projeto e aí veio a ideia da escola. Por isso, a Escola de Música de Nova Amotor.

Aí criamos a Escola de Música, no início um pouco tímido e depois nós, gradativamente, fomos também ampliando. E hoje nós temos uma escola de música com 550 atendimentos e com vários produtos. Hoje eu tenho uma orquestra só de cordas, eu tenho uma orquestra só de sopros, eu tenho uma orquestra de percussão, eu tenho uma orquestra do núcleo cultural.

Então eu tenho muitos movimentos dentro dessa escola de música. Eu tenho uma banda de rock, eu tenho um grupo de viola caipira. Então são muitos produtos oferecidos.

Qual é o carro-chefe? A Orquestra Jovem. A Orquestra Jovem é o nosso carro-chefe. Começamos com ela, ela é o nosso case de sucesso.

O nosso case de sucesso é a Orquestra Jovem. Dentro dessa proposta, nós criamos uma grade curricular onde nós atendemos três fases de musicalização e oito módulos. Na primeira fase de musicalização, a criança entra com cinco anos de idade.

Ali ela não precisa saber ler e escrever. Toda proposta é lúdica, mas ela vai saber o que é um som grave, o que é um som agudo, o que é um som longo, o que é um som curto. Todo tipo de som, forte, fraco, ela vai conhecer, cantando, dançando, pulando, pintando, desenhando.

Ela se envolve com essa proposta. No segundo momento, essa criança vai produzir esses sons. Nós temos vários instrumentos infantis, vários instrumentos que a gente possa deixar com a criança para a produção desses sons.

Então, todo mundo produzindo som grave, que som que é esse, identifica. Todo um envolvimento pedagógico na formação dessa criança. Como se ela estivesse lá no jardim, no pré, antes de vir para a primeira série.

Ela ainda não sabe ler e escrever, mas ela conhece todas as letras, ela conhece todas as cores e formas. Então, a proposta é que essa criança se envolva com o som de uma maneira que ela consiga ter dentro dela um conhecimento amplo do que é o som. No terceiro momento, ela vem ler esse som.

Então, primeiro ela conhece, se envolve, depois ela produz esse som, e, no terceiro momento, ela começa a ler. Ah, essa figura é de tal som, essa figura é de tal som, essa figura é de tal som. Após essa base, ela vem para o primeiro módulo.

Nesse primeiro módulo, ela vem para a flauta doce, que é um instrumento fácil de manuseio e é um instrumento barato, que você pode pôr na mão da criança sem medo, que se quebrar é barato. Lógico que a gente não quer que quebre, mas se acontecer alguma coisa, está fácil de resolver. E a criança vem para essa flauta doce, nós temos um coral de flauta doce lá na escola de música, e essa criança vem para a flauta doce para ter os primeiros momentos dela com o instrumento.

E nessa fase, cada profissional de cada área já apresentou para esses meninos os instrumentos e os tipos de som que são produzidos por esses instrumentos. Às vezes o pai quer que o filho estuda violino, chega lá e quer que o filho, eu acho lindo o violino, coloca o filho dele para estudar violino. Se você for fazer um levantamento, o perfil do filho dele é de som grave, o violino é um instrumento agudo.

Esse menino, por disciplina, ele vai ficar um período, mas depois ele vai sair, ele não está fazendo o que ele gosta, não está fazendo o que o perfil dele aceita, o que é legal para ele, o que é confortável para ele. O violino é estridente, vai incomodar ele, mas o pai quer que ele toque violino. E a escola de música veio para fazer essa mudança.

Então a criança escolhe o que ela quer tocar. O professor vem com um fagote para a frente da turma e fala assim, esse é um fagote, é um instrumento de som grave, ele atua em tais e tais situações e faz uma performance. O olhinho dele brilha, ele curte aquele som, ele gosta do grave, entendeu? Ele vai chegar em casa e vai falar, pai, eu quero tocar fagote.

O pai, não, filho, mexe no negócio do pagode. Não, filho, eu quero. Entendeu? Ele vem aprender o que gosta, o que curte e vai se envolver de uma maneira que nós vamos conseguir um resultado rapidamente com ele, porque ele veio dentro de uma proposta direcionada.

Não foi jogado dentro da proposta, ele veio direcionado. E, com isso, ele escolhe onde quer seguir. Dentro da orquestra temos quatro famílias.

Famílias das madeiras, metais, cordas e a família percussiva. Ele escolhe qualquer um desses que ele quer entrar. Nós oferecemos todas essas oficinas e ele vem fazer parte daquele grupo ali dentro da escola de música.

Com isso, o impacto vem para dentro de casa. Por quê? Porque o pai fala, poxa vida, esse menino está dedicado, ele realmente está querendo fazer. Aí vem o diretor da escola e fala assim, maestro, poxa vida, os alunos da orquestra são diferentes dentro da escola.

É show, é um cara que top, que bacana, vamos fazer algo junto? Nessa situação nós criamos os concertos didáticos. Então, hoje, a escola de músicos de Nova Votum leva para dentro da escola concertos didáticos. No ano passado nós trabalhamos o sítio do Picapau Amarelo.

Mandamos para a escola, a escola trabalhou toda a parte de literatura e nós fomos com o instrumental, com os músicos todos caracterizados ali, o Visconde, a Emília, todo mundo, e fizemos lá dentro da escola um concerto didático do sítio do Picapau Amarelo. Então não é só ir lá e ouvir um som e ouvir uma música, tem todo um envolvimento. E aí esse impacto ele vem para a comunidade.

Por quê? Porque o povo tem a cultura, o povo é a cultura que ele tem. Então você implanta um movimento saudável, um movimento sólido, e com isso você tem uma comunidade melhor. Com certeza, tenho certeza que esses impactos ainda vão ser muitos ainda no futuro.

E quando a gente fala do esporte também, né, Bruno? A mesma coisa, o mesmo impacto. Eu queria que vocês comentassem também como que isso chega fora. O André comentou no início dessa imagem que o Lucas do Rio Verde compartilha realmente de inúmeras ações, né? Mas como que isso chega fora? Você tem um exemplo também da corrida? A gente tem uma colega de trabalho aqui que através da corrida teve um potencial de transformação muito grande na vida dela e que ela compartilha isso com várias outras pessoas na cidade através dessas atividades.

Então o que vocês comentem sobre isso, né? Sobre esse impacto de transformação de uma comunidade, de um coletivo que o esporte também tem realizado por aqui. Isso mesmo, né? Se pegar o esporte de quando a gente entrou na Secretaria de Esportes, a gente procurou setorizar a Secretaria de Esportes para dar um direcionamento melhor. Então hoje nós temos a área do lazer, que a gente atua em 14 locais da cidade.

Isso durante toda a semana, gerando em torno de 5 mil atendimentos semanais em diversas áreas. Essas são as cinco modalidades. As escolinhas esportivas, que é a nossa base, onde a gente proporciona qualquer criança em participar.

São em torno de 3.500 crianças que atuam semanalmente nessas escolinhas. Como a Orquestra do Senhor, elas têm a opção de escolher a qual modalidade que ela mais se identifica. E são muitas, né? São muitas modalidades.

E também os eventos esportivos. Os eventos esportivos, a gente trabalha em média de dois a dois eventos em meio por final de semana. Isso numa média anual.

Então a gente pratica em torno de apoios diretos e indiretos que estão envolvidos. São mais de 70 eventos no ano. Isso fez com que o esporte do Lucas Overde desse uma guinada pra frente e muito boa, né? Hoje nós conseguimos ter uma equipe que tem capacidade técnica pra fazer isso.

A gente evoluiu nesses últimos 5, 6 anos de uma forma assustadora, vamos dizer assim, né? Ano passado a gente ganhou a melhor gestão do Estado na gestão esportiva. Ano retrasado, desculpa. 2023.

E virou uma referência estadual. Hoje o Lucas Overde é uma referência estadual. Muitos municípios vêm aqui nos procurando, querendo saber qual foi essa maneira, essa conquista que a gente teve de chegar a esse porte, de poder proporcionar e a nossa sociedade diversas oportunidades.

E a corrida é uma delas, como você falou. Eu entendo que as corridas hoje, eles deixaram de ser apenas uma atividade física. Eu entendo que as corridas hoje se tornaram um ponto de encontro.

Hoje todo mundo fica esperando chegar a corrida. Pra você rever aquelas pessoas. E isso a gente vem observando corrida após corrida.

Que no final da corrida as pessoas não vão mais embora de forma direta. Elas ficam conversando, trocando ideias. Então você formou aquelas comunidades na corrida.

Que aquela pessoa, assim, se eu corro em 25 minutos, então eu conheço todo mundo que corre naquele patamar meu de 25 minutos e eu começo a acompanhar ele nas redes sociais e acompanho também a evolução dele, ou não, nas próximas corridas. E isso se tornou, eu acho que isso começou, as pessoas começaram a pertencer aquilo. E colocaram hoje atividade física de forma de corrida como uma questão de dia a dia dela mesmo.

Hoje você vê… Rotina, né? Rotina, isso mesmo. Virou uma rotina, uma disciplina. Você vê as avenidas à noite, indiferente da avenida que você for no nosso município, tem muita gente correndo, tem muita gente praticando atividade física.

Começamos com corridas de 350 pessoas, ano passado 550 pessoas e esse ano 1.200 a 1.400 pessoas. Então mais do que dobrou. Hoje nós temos um grupo de corridas de mulheres aqui em Lucas Luverde, que já estão praticando 20 a 30 quilômetros de corrida por dia.

Então isso, pra nós, é gratificante porque, assim, é uma evolução que a gente plantou uma sementinha. A população luverdense acolheu e hoje está nos dando esse retorno. E por isso a gente lançou agora a primeira meia-maratona também em Lucas Luverde.

Pra ser um presente aí a essa população, essas pessoas que nos incentivam. Porque hoje a gente trabalha pra ver a alegria do nosso povo. Ou pelo menos levar a maior qualidade possível nos eventos esportivos.

Tentando surpreender eles sempre um pouco com as novidades. Mas eu vejo que Lucas do Rio Verde está no caminho certo. Temos muito que evoluir, claro.

A gente nunca pode parar. Mas como o professor falou, eu acho que crescemos com base sólida.

Não fizemos nenhum tipo de loucura, acho que tudo com os pés no chão, até onde a gente consegue ir. E a população está, de certa forma, satisfeita pelos comentários e pelas todas as informações que a gente tem e pesquisas. E estamos aí para melhorar sempre, com apoio.

Eu acho que essa parceria que existe entre a sociedade civil organizada, o poder público e a iniciativa privada, é que faz tudo acontecer indiferente da área que estiver atuando. E como que vocês percebem hoje, então, essa valorização da sociedade? Não somente essas empresas parceiras, como o Sicred, que estão diretamente envolvidos nessas atividades, mas, assim, o olhar da comunidade em relação a essas iniciativas que vocês desenvolvem, né? Vocês percebem que as pessoas têm visto e enxergado a importância disso e também devolvido, né, e se envolvido cada vez mais com esses projetos? A palavra-chave, o secretário falou, é pertencimento. Hoje a gente percebe um pertencimento.

A orquestra, por exemplo, a Escola de Música, eu jamais posso dizer que ela é minha. Jamais posso dizer que ela é do Sr. Luiz Divino, que foi citado, do nosso presidente, o Sr. Adair Hilton. Jamais posso dizer que ela é da Sicred.

Não, ela é da comunidade. Então, a comunidade abraçou essa causa e hoje a comunidade tem esse pertencimento, né, tem esse pertencimento de que ela é uma instituição que faz a diferença dentro dela, dentro da comunidade. Então, isso faz com que todos torçam por ela, todos ajudem ela para que ela possa realmente, de fato, acontecer como ela é. Então, essa é a palavra, secretário, pertencimento.

É isso mesmo. É isso mesmo. Eu vejo assim que, além de você fazer parte da evolução disso que está sendo construído dentro do seu município, você também quer fazer parte não só com valores financeiros ou com algum tipo de patrocínio, mas, sim, hoje muitas pessoas nos procuram para trabalhar de voluntários.

Então, hoje tem associações que já se colocaram à disposição no dia em que precisar de ajuda para qualquer ação que a gente vá fazer na Secretaria de Esportes. E isso, para nós, é gratificante. Empresas que antes não viam o esporte ou o lazer de alguma forma, hoje também nos procuram e falam, ó, nós queremos fazer parte disso aí também.

Nós queremos fazer parte desse mundo que está sendo construído em Lucas Velverde e não queremos ficar fora. Então, isso é gratificante, sabe? As pessoas vêm atrás de você querendo fazer parte daquilo. E, para nós que estamos à frente do esporte e sempre precisamos de recursos, a gente nunca fala não porque, a partir do momento que entra qualquer tipo de recurso, você consegue disponibilizar o seu recurso, às vezes, para outras ações e melhorar outras ações, é muito gratificante você ouvir um telefonema ou, senão, algum recado ou alguma entrevista de algumas pessoas que queiram ajudar o esporte de forma geral ou o lazer de forma geral ou ajudar alguma associação de forma direta, ó, vi alguns resultados na área do BMX, na área do badminton ou futsal e a gente poder direcionar.

Mas eu acho que a população, pelo menos, falando aqui por Lucas Velverde, das empresas que trabalham aqui, das instituições, Lucas Velverde é muito rico porque as empresas nos apoiam, fazem parte de muitos projetos. Juntamento com o Cicred, eu acho que a gente vem conquistando bastante resultados positivos a nível estadual e nacional. Eu queria voltar um pouquinho naquela conversa sobre essas sementinhas, né, que são plantadas, então, tanto no esporte quanto na cultura e quando elas começam a frutificar e a gente fica tão feliz de enxergar esses frutos.

A gente sabe que tem muitos exemplos aqui em Lucas de atletas que se destacaram, né, e se destacam nacionalmente, assim como nós temos muitos exemplos, né, de alunos da orquestra que também se destacaram e depois também levaram, acabaram assumindo, até se assumindo como professores, né? Hoje toda a equipe da Escola de Música Nova Motul foram formados pela escola. Todos os professores são ex-alunos. Todos os professores são ex-alunos da Escola de Música, formados lá dentro.

A gente, às vezes, fala de um case de sucesso, que foi aquele que foi embora, que se destacou e tudo. Porém, eu costumo valorizar muito também aquele que ficou porque ele não foi por questão de escolha. Ele também tinha know-how para estar lá, para se destacar, mas ele optou por questão cultural, família e outras coisas demais de ficar no município, né? E está fazendo a diferença.

Está fazendo a diferença, né? Hoje são os filhos… Foram nossos filhos e hoje são os filhos deles, né? Que estão aparecendo nesse cenário. E é muito gratificante, né? Muito gratificante. Hoje a gente faz… Fizemos um concerto agora no aniversário de Nova Motul.

Dia 4 foi o aniversário de Nova Motul. Dia 2 foi o dia da orquestra. Aí dia 3 teve um show, dia 4 teve outro show.

Mas a abertura dessa festividade foi com a orquestra. E nós fizemos a orquestra com o trio Pescoma Henrique Claudinho e fizemos com o Tô do Lambadão. A proposta era trazer algo regional, algo do Mato Grosso, para que já íamos ter um show nacional, já íamos ter um show góspel, já íamos ter um show católico.

E aí eles fizeram uma solicitação que a orquestra trouxesse algo regional para esse momento. E aí viemos com o Pescoma Henrique Claudinho e viemos com o Tô do Lambadão. Na distribuição do repertório, nós fizemos a abertura com o trio e depois nós fizemos com o Tô e depois o trio voltaria para encerrar todo mundo junto.

Porém, no momento em que o Tô ficou no palco, o trio não desceu para o camarim. O trio ficou no palco. E eles poderiam… Tinha um camarim à disposição para eles descerem para o camarim.

Eles ficaram no palco, ficaram tirando foto, fazendo selfie e registrando junto, participando de tudo. Terminou o momento, nós fomos jantar. E aí, conversando com o Pescoma, o Pescoma falou, cara, a energia estava tão gostosa que não deu vontade de descer.

E estava frio, estava frio para caramba. Eles poderiam… Não, ficaram lá. Falaram, cara, nós já fizemos vários shows, eventos com grupos, com orquestra, inclusive.

Mas a energia estava diferente ali. Então, assim, não deu vontade de descer do palco. Então, é especial você pegar algo que é puro e trazer para a sua comunidade, porque ali não tem maquiagem, né, cara? Ali é o resultado de um trabalho que realmente aconteceu.

Isso mesmo. Na área do esporte, para não ser injusto, a gente tem diversas modalidades e algumas que estão criando algum destaque. Essa sementinha a gente vem plantando e a gente procurou plantar de forma coerente em todas as modalidades, investindo o mesmo valor financeiro para que todas tivessem a mesma oportunidade.

E a gente não saberia onde sairia esse fruto, né? Então, hoje nós temos algumas modalidades que estão em destaque. Alguns frutos que a gente vê e fica muito feliz de você poder falar disso, né? Hoje nós temos o BMX, que era uma modalidade que tinha pouco apoio até então. A gente acabou investindo pouco e hoje nós temos o Pedro Bauer, que é um dos destaques do BMX.

Campeão pan-americano, campeão brasileiro pela segunda vez. Está indo para o Mundial agora e tem forte chance de ser campeão mundial e é um futuro atleta olímpico. Acho que a gente… O Pedro já não… Eu sempre brinco com o pai dele, o Leonardo, que é o professor, que o Pedro já não existe mais em Lucas, né? O Pedro já não é mais de Lucas, ele já é do mundo, né? Acho que é um menino que precisa ser bem trabalhado e tem que ser bem investido.

Mas não é só a ideia de plantar sementes às vezes para que surja uma criança, né? Então, o próprio BMX mesmo, agora, na última etapa, teve mais três campeões brasileiros, né? Então, quer dizer que a base vem. A ideia de plantar a sementinha sempre lá na frente. Alguém vai surgir.

E outras crianças devem se enxergar nele, né? No exemplo dele, né? Com certeza. Você pega… Um dos exemplos também que eu sempre coloco, assim… Porque, às vezes, quem não vive a realidade, não conhece a história, às vezes, né? Hoje, nós temos um aluno, que é o Victor, do badminton. Ele estava na Guatemala, agora, a semana passada, representando a seleção brasileira.

Ele tem 12 anos. A irmã dele foi em terceiro lugar no Sul-Americano, ano passado. E, agora, ele estava representando o Brasil.

Ele é um aluno da São Cristóvão, mora no interior, numa fazenda. E você poder dizer que uma criança que mora a 20 e poucos quilômetros de uma escola do interior, já, ele construiu uma quadra na terra mesmo, colocou uma rede, e treina lá. Então, você poder dar oportunidade para uma criança dessa conhecer o mundo, ou poder, pelo menos, através da capacidade dela mesmo, ela conseguir conquistar esses resultados, a gente fica feliz, porque é, realmente, onde o nosso investimento pode chegar, sem olhar para um ou para outro, mas, simplesmente, dar oportunidades a todos.

Então, eu vejo que esses dois atletas são o destaque. Um dos destaques que nós temos, também, eu não posso deixar de falar, é o nosso ex-secretário Jackson. Ele saiu das escolinhas, ele fazia toda a base em 2005.

Se formou em Educação Física, foi árbitro nacional, e foi gestor, agora, nos últimos quatro anos, da Secretaria de Esporte. Então, isso é o investimento que o esporte dá. É uma prata da casa, né? Que deu uma revolucionada no esporte.

Mas eu vejo que esses destaques aí são alguns destaques, né? Nós podemos colocar dentro do esporte, mas que vai ser olhado por outras crianças também. E a gente sempre fala, né? Nas nossas reuniões, né? Com os atletas. A Prefeitura, junto com o Poder da Iniciativa Privada e a Organização Civil, sempre vai estar dando oportunidades.

E até onde a gente conseguir levar essas crianças, a gente vai levar, e procurar fazer o máximo para que elas possam melhorar aquilo que elas têm, que é a habilidade técnica delas, e poder dar o melhor resultado possível. Então, acho que, Lucas, o governo está de parabéns. Agradecer, mais uma vez, todas as pessoas, todas as empresas que investem no esporte.

E não podia deixar de agradecer ao Cicred, que foi sempre parceiro nosso aí de todos os anos. André, outro sucesso que também é diverso, o próprio Luverdense também, acho que a gente pode destacar, né? Isso mesmo, o Luverdense é a paixão aqui do nosso município, né? Eu já vim para cá, já comecei a assistir os jogos desde quando cheguei. O Luverdense, ele teve uma fase esplendorosa, né? Que chegou à Série B do Campeonato Brasileiro, onde o Muti era o coordenador, o capitão do time do Luverdense.

E depois, caiu para a Série C, e acabou ficando alguns anos aí tentando se resgatar novamente, né? Agora, o Luverdense, com a Luísa Bassani, Felipe Rollon, deu uma recebida novo. Acho que o Luverdense, ele faz parte da história. Acho que Lucas do Governo é conhecido em muitos lugares do mundo, né? Principalmente no Brasil, onde você vai, você fala de Lucas do Governo, a pessoa já fala, é lá que tem o Luverdense, né? Então, ele elevou o nome da cidade, ele eleva o nome da cidade, eu acho que… Dá visibilidade.

Dá visibilidade, e isso que eu acho interessante, eu acho que a comunidade, quem é de Lucas do Governo hoje, pode ter certeza que, como nós somos muitas pessoas que vieram de fora, então normalmente você já vem com o time que você torce, né? Mas o Luverdense, eu tenho certeza que é o segundo time, se não hoje, o primeiro time de muita gente. E o Luverdense não vai, não teria conquistado tudo isso sem os parceiros também. Eu acho que o Luverdense está na ativa, né? Eu desejo boa sorte, eu, a Luís Massana, o Felipe Orolon, e eles vão conseguir resgatar o nosso Luverdense aí, que nos vê muito sucesso, já foi um sucesso e sempre será.

Eu acho que essa união entre pessoas que queiram fazer as coisas e as empresas que também queiram ajudar toda a causa social, ela vem dar um lucro para a comunidade de forma gigantesca. E é isso que é o nosso capital social, vamos dizer assim, que a gente tem, de poder investir. E tem o projeto das escolinhas do município de base de futebol, hoje também é em parceria com o Luverdense, né? Isso mesmo, hoje nós temos quatro, cinco polos que acontecem os treinamentos, são mais de mil crianças, né? Que são colocadas à disposição para treinamento, inclusive agora nós tivemos o campeonato da Supercopa Mato Grosso de Futebol, que o Ciclete também foi um dos nossos grandes parceiros.

E a gente até, trazer aqui dentro de mão, a gente teve 21 pessoas selecionadas, né? A gente conseguiu trazer cinco olheiros de grandes clubes. E onde 11 dessas crianças já vão ir fazer teste nesses clubes de forma direta e 2 já vão ir para ficar. Então esse é o resultado, as oportunidades que a gente consegue colocar à disposição dessas crianças dentro do futebol, nesse caso, que hoje tem 21 crianças que estão sendo observadas por grandes olheiros, grandes clubes.

E torcer para que algum dia eles consigam chegar aí a ser um grande profissional e levar o nome do Lucas Luverde no peito. E acho que um projeto que a gente não pode deixar de mencionar, né? Que também tem ganhado muita visibilidade nacional é o projeto do voleibol Luverdense, né? André, que também a gente apoia, a gente também tem muito orgulho de, né? Enquanto o Ciclete apoia há bastante tempo. E que também tem formado muitos jovens, né? Nessa modalidade esportiva.

Isso mesmo. O voleibol adulto de Lucas Luverde é um sucesso, né? Eu acho que no nosso estado, na questão universitária, é imbatível. Acho que ele já é de 18 anos, que é campeão estadual.

E tem uma boa base, a gente tem diversos alunos ali que se destacam. Inclusive uma das alunas agora vai jogar da base, a Liga C, por Sorriso. Foi convocada para jogar lá.

Então torcer para que ela também tenha um grande sucesso. Mas também é mais uma modalidade, uma escolinha que vem há diversos anos sendo trabalhado base. E sempre surgido grandes atletas aí.

O Maurício foi um jogador da Seleção Brasileira. Ele passou pela equipe de vôlei de Lucas Luverde juntamente com a professora Tereza. Isso é uma das histórias que tem.

Mas o voleibol de Lucas Luverde, ele contribui muito assim com a sociedade. Porque é uma das primeiras modalidades que conseguiu fazer uma parceria juntamente do Sicred e com a faculdade. E dar oportunidades para que essas crianças tenham um bolso de estudo.

E consigam fazer uma faculdade no futuro. E ter um futuro mais de condição. Muito bem, Edmar.

Dentro dessa parceria toda, a gente tem um ponto que é muito interessante de ser mencionado. E que ele está previsto, está no Estatuto da Cooperativa, né Camila? E todo ano ele é realizado, que é o Fundo Social. Recentemente nós tivemos as entregas para as entidades beneficiadas lá em Nova Multum.

E a orquestra Escolim estava lá presente também. Como é que é essa relação? Desde o início do programa nós somos contemplados. Desde o início do nosso projeto, da Escola de Música, a Sicred é parceira.

Desde aquela comissão que surgiu para começar o projeto, a Sicred, que tinha representante na época também, nessa reunião, entrou como parceiro desse projeto. Depois veio o Fundo Social, porque o Fundo foi criado depois. Depois veio o Fundo Social com novas normativas, novas propostas.

E nós abraçamos junto, porque é importantíssimo para nós essa premiação. Nos ajuda muito, então não tem como ficar de fora. E nós corremos, abraçamos a proposta, nos inscrevemos e passamos a concorrer também à premiação do fundo.

E graças a Deus, até hoje, nós estamos conseguindo todos os anos. E vem fazendo a diferença. Por que vem fazendo a diferença? Uma boa parte das vezes nós fazemos convênios, porém são engessados.

Então, eu tenho que fazer a folha de pagamento, são séries, são várias rúbricas que são direcionadas dentro desses convênios. E às vezes uma coisa simples que me ajudaria, que resolveria alguma situação, eu não consigo, porque não está dentro daquele plano de trabalho do convênio. Aí vem a proposta do Fundo Social.

Dentro da proposta do Fundo Social, eu posso trazer um didático, por exemplo. Eu posso trazer uma proposta de um conselho didático, eu posso trazer uma proposta de ferramentas para nossa equipe de câmara, de microfone, de coisas que eu não conseguiria colocar dentro de um convênio com o município, por exemplo, que é 30% do nosso exercício. Eu não consigo jogar esses itens ali por normativas que são legais.

E aí o Fundo Social ele vem e ele dá essa abertura. Ele me oportuniza para me propor o que eu quero utilizar com esse recurso. E isso é muito bom.

Então, a gente senta, opa, tem um valor X aqui, a gente precisava resolver tal situação, é agora. E aí a gente vem e entra dentro dessa proposta. E não posso deixar de falar das assembleias.

A contribuição do Coisa foi um… Toda aquela mobilização dos associados. A vitrine não é só da cooperativa. A vitrine também é da instituição, porque ela vem a campo.

Ela vem a campo, ela precisa propagar, porque senão ela não tem… Ela mostra o trabalho dela. Senão ela não consegue recurso. Então, foi um golaço ali que a Secred fez.

E a gente está bastante agradecido mesmo. Eu falo em nome de toda a nossa diretoria. Você falou dos trabalhos de voluntários.

A nossa instituição também faz políticas públicas. Não é só o terceiro setor dentro daquele prédio daquela instituição. Nós estamos envolvidos em praticamente todas as políticas públicas do município.

Fazendo abertura, fazendo encerramento, fazendo uma participação, entregando um panfleto, ações… Contribuindo com ideias. Contribuindo com ideias. Nós fazemos parte de todos os conselhos.

Nós temos representantes da Escola de Música, no Conselho de Cultura, em todos os conselhos do município. Então, nós nos envolvemos diretamente com essas políticas públicas. E a nossa diretoria hoje, que é a galera que fala assim, não, aqui pode, aqui não pode, que bate o martelo mesmo, porque a ação está aqui, né? Porém, tem que ter alguém que fala, vai por aqui, aqui não cabe, aqui cabe.

Ela é toda voluntária. Nós temos 25 diretores. São 25 diretores voluntários, que dão o seu tempo.

Nós temos o Alcindo Geri, da cooperativa, que desde a comissão faz parte. Alcindo Geri, Luiz Divino, o seu Alaúr Zancanaro, hoje o nosso presidente, Adailton Nogueira. Então, são pessoas que já têm, não precisariam se não quisessem, mas se envolvem, abraçam, se doam, essa é a palavra, se doam para que as coisas realmente, de fato, aconteçam.

Então, a gente está ali no dia a dia, direcionando como diretor executivo, sou diretor executivo da associação, e sou maestro dentro da escola de música. Então, eu represento essa associação lá dentro, no dia a dia, e eu represento a escola dentro da associação. Eu sou o único diretor de 25 diretores remunerados, porque é o meu trabalho do dia a dia.

Sua dedicação. Exatamente. Os outros 24 diretores são voluntários.

E é assim que acontece lá os trabalhos da escola. Eu queria ouvir vocês agora também como dois acreditadores do esporte, da cultura. Quando a gente olha para municípios jovens, como São Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, como que vocês enxergam o impacto de tudo isso que a gente está falando, dessas iniciativas de esporte, de lazer, de cultura, na qualidade de vida dessas nossas pessoas? São municípios que são muito jovens para terem se desenvolvido ao ponto de ter toda uma base cultural, com boas opções, seja de lazer, de esporte, de cultura, mas a gente já enxerga isso nas comunidades.

Como vocês enxergam o impacto disso na qualidade de vida da nossa população, dessas duas cidades? Primeiro, o crédito. Como o crédito vem? Através do resultado. Foram vários nomes citados de alunos, de crianças que se envolveram com o projeto e trouxeram resultados.

Nós temos a Lidiane, o senhor falou, secretário, de vários nomes, eu vou citar o nome da Lidiane em específico, porque a Lidiane entrou na escola de música, passou pelas etapas, e saiu de Nova Mutum para estudar música fora, porque Nova Mutum não tem uma licenciatura, não tem ainda, tem a escola de música, que é uma escola técnica. Não tem uma licenciatura ainda para que essa criança possa dar continuidade naquilo que ela sonhava ou que ela esperava. Então a Lidiane saiu de Nova Mutum e foi para Cuiabá para fazer a licenciatura.

Fez o vestibular, passou na UFMT, entrou para fazer o curso de música. Dentro dessa trajetória, ela foi para Curitiba, participou de uma nova seleção, entrou e foi estudar em Curitiba. Concluindo os estudos dela em Curitiba, ela fez um novo seletivo e veio para São Paulo.

Em São Paulo ela entrou como aluna e estrutura do projeto Bacarelli, que é um projeto dos mesmos moldes que o nosso, porém em uma amplitude muito maior. E ela veio para o Bacarelli em São Paulo. E a Sala São Paulo, quando você fala de estádios, no Brasil hoje, posso estar errado, mas a gente fala Maracanã, a gente fala Morumbi, que são os que se destacam.

A Sala São Paulo é a principal sala de concertos da América Latina. Está lá em São Paulo. E a Lidiane teria a oportunidade de apresentar na Sala São Paulo em uma das peças do repertório como solista.

O que eu tinha que fazer? Tive que sair de Nova Mutumo para ir assistir a Lidiane tocar lá em São Paulo. Agendamos uma visita técnica no Instituto Bacarelli, até para conhecer toda a amplitude do trabalho deles. E fomos assistir a Lidiane na Sala São Paulo.

Qual foi o próximo passo? Recebemos o nosso tenor, que o mundo todo, nesse meio, reverencia, Andréa Bocelli, no Brasil. Fez quatro concertos. São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre.

Quem tocou os quatro concertos? Lidiane. Convidada para tocar os quatro concertos. Então, assim, a gente fala emocionado.

Para nós, chegou no ápice. Saindo do Bacarelli, que também é uma trajetória temporária, ela fez uma prova para a banda do Exército de São Paulo e passou. E aí ela foi intitulada, ela recebeu como a primeira cabo clarinetista do Exército.

Primeira mulher a assumir essa posição lá em São Paulo. Concluiu também ali a sua etapa, fez o concurso da PM de São Paulo e passou. Então, hoje ela está na PM de São Paulo.

Então, assim, vale a pena. Vale a pena. Esse é um dos casos que nós estávamos citando.

São N situações. São situações, tipo, você termina um concerto, professora, professora, posso te dar um abraço? Opa, claro. Aí você vai lá, o pai abraça você e fala bem assim, muito obrigado.

Meu filho hoje é homem. Foi direcionado. Então, não tem dinheiro que paga um resultado como esse, uma entrega como essa para a comunidade.

Então, o impacto vem no resultado dessas ações. Esse menino que o pai se orgulha dele, essa menina que levou o nome da nossa cidade, ela não só se realizou, ela levou o nome de toda uma comunidade. Eu fico imaginando, assim, o acesso a uma atração, como é assistir a um show da orquestra, que em muitas comunidades isso não está disponível.

E em Nova Mutum, isso já faz parte do cotidiano da população. Já é tradição todas as festividades de aniversário do município, nós fazermos a abertura. Então, todo ano, a Orquestra Jovem de Nova Mutum, fizemos com o Flor Ribeirinha, fizemos com o Renato Teixeira, fizemos com a Taíde Alexandre, fizemos com o Pescuma Henrique Claudinho.

Então, já é, a comunidade já tem esse pertencimento e essa cultura de que a abertura das festividades vai ser com a orquestra. Isso é legal. Isso mesmo.

Eu vejo, dentro dessa pergunta que você fez, Camila, hoje o Lucas Overde tem 37, 38 anos de vida, e você dizer que o Lucas Overde conseguiu diversos resultados já em diversas áreas, vamos pegar, educação, esporte, na própria saúde esse ano. Você dizer como uma cidade com tão poucos anos de vida conseguiu ter uma estrutura que nós temos, resultados que nós temos em diversas áreas. Eu acredito e tenho quase a certeza que é a união dos esforços.

Eu vendo o Edmar falar da associação dele, o quanto ele fala com amor daquilo. E, hoje, eu pertenço ao Lucas Overde, já falo isso, eu pertenço, eu defendo essa cidade, amo essa cidade. E acho que as pessoas que estão aqui, que vieram para o Lucas Overde, vieram em procurar algo melhor para si.

E acho que todas essas pessoas não param enquanto não conseguirem isso. Então, hoje, o Lucas Overde é, hoje, dentro da minha área, posso dizer, é uma das cidades, se não for a maior do Estado, tem 67 quilômetros de ciclovias. Isso gera qualidade de vida para as pessoas.

Temos avenidas, praças muito bonitas, bem cuidadas. Claro que essa época da grama guarnada seca não é fácil. Mas são, ouvindo pessoas que vêm de fora nos visitar, eles ficam encantados com a estrutura que temos, organização, limpeza na nossa cidade.

E acho que essa qualidade de vida está se construindo ao longo dos anos. É uma cidade jovem, uma cidade ainda que tem muito para se buscar, mas vejo que a união das pessoas que estão aqui já há 30, 40 anos, quando não tinha luz ainda, são as mesmas pessoas que estão hoje à frente de muitas associações, muitas entidades. E essas pessoas, elas são, Hugo, as pessoas que fizeram essa liderança, esse ensinamento do bom caminho, acho que tanto Nova Mutum, Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, e está gerando uma qualidade de vida que é benéfica para toda a sociedade.

Acho que a união entre as pessoas que vieram para cá, principalmente, mas acho que é uma união que pega empresas, qualquer entidade, associação civil organizada, mas acho que são pessoas que vieram buscar algo, e todo mundo quer o melhor para si aqui. Começando a chegar no final, mas ainda antes das falas finais de vocês, nós gostaríamos que vocês compartilhassem com a gente quais são os próximos passos e sonhos para a cultura e para o esporte nas áreas que vocês atuam. Hoje nós temos uma estrutura que não comporta mais o nosso time.

Nós temos uma equipe de 18, 19 colaboradores, nós temos 500, mais de 500 atendimentos, 520, 530 atendimentos, dentro de uma estrutura que automaticamente já temos que fazer um atendimento híbrido. Então, só para vocês entenderem um pouco mais o que eu estou querendo passar, na segunda-feira a gente atende somente cordas, na terça a gente atende somente sopros. Se não, não consegue.

Não consegue. E limitado. Tipo assim, uma hora a cada aula o aluno vem, faz aula e vai embora.

Vem, faz aula e vai embora. Porque tem uma rotatividade. São quatro turmas por turno que entram e saem, entram e saem, porque nós não temos uma estrutura que comporta o tamanho que o projeto está hoje.

Esse sonho, ele já está direcionado. Nós ganhamos uma nova área e estamos com projeto de uma construção de uma nova sede. A associação, ela, no terceiro setor, ela fica de uma maneira que, às vezes, as pessoas até querem ajudar.

Foi aquilo que eu falei da rúbrica engessada. O município, às vezes, é parceiro. Às vezes, não, ele é parceiro, né? Mas ele não pode, ele fica atado, ele não tem o que fazer.

Ele não pode construir na minha área, por exemplo. O município não pode construir na área do terceirizado, né? Então, eu preciso construir uma nova sede, tenho parceiros, porém, a gente precisa administrar isso de uma maneira que saia tudo conforme tem que ser. Tudo muito certo, tudo muito direito, para que ninguém saia prejudicado, que, às vezes, por falta de conhecimento, o cara se prejudica, né? Pela bondade, quero ajudar, quero contribuir e aí faz algo que não cabe dentro da nossa legislação e possa se complicar.

Então, o próprio Poder Público que está ali, que é parceiro, que está junto, às vezes, não consegue fazer muita coisa, não consegue fazer muita coisa. Não podem doar. Não, então, vamos fazer na nossa área, vamos doar para vocês.

Faz um comodato por um período, depois, e a próxima gestão, né? Será que consegue renovar? Será que consegue continuar? E um projeto, quando ele chega na magnitude que está a Escola de Música, hoje, de Nova Mutum, ela não pode fazer nada que não seja com o pé no chão. Então, nós ganhamos a nova área, ganhamos o projeto arquitetônico, estamos trabalhando o projeto executivo e já estamos buscando, aí, através desses parceiros, dessas pessoas que sempre contribuíram, para que a gente possa lançar a pedra fundamental e construir esse novo projeto da Escola de Música. Então, o nosso sonho, para esse momento, é a gente conseguir direcionar as coisas para que nós tenhamos ali o nosso novo espaço.

Hoje, infelizmente, para a época, foi o ideal, né? Quando o secretário estava falando, dando depoimentos, assim, a gente viaja, né? Na questão de estrutura, de tudo. Quando nós começamos, a casa da frente, que é a sede, é a primeira casa de Nova Mutum. A dona Ilda, que eu citei lá atrás, no início, falou, não, aqui tem que ser a orquestra.

E ela, num primeiro momento, cedeu como comodato, depois fez a doação para a orquestra, na época, que não era a Escola de Música ainda, ela doou aquele espaço ali para a Escola de Música. E, no fundo, nós desenhamos o que tem hoje com cal. Pegamos assim, jogando no chão, riscando, aqui vai ser a sala de ensaios, aqui vai ser a sala tal, tal, tal, tal, e apaga e risca de novo.

Ficou legal, assim, eu acho que fica bom. Aí veio para o papel, né? Veio para o papel, tiramos as medidas e aí fomos trabalhar e construímos, né? Num tempo recorde, eu gosto muito de falar do formato que nós construímos a Escola de Música Nova Mutum, porque nós construímos uma estrutura muito bacana, embora hoje ela é pequena, não comporta mais para a época, foi o ideal, entendeu? Em seis meses, sem um centavo de dívida. Ah, como que vocês fizeram? Nós buscamos os parceiros, né? Nós chegamos no valor do metro quadrado da instituição e nós pegamos os espaços.

Essa sala aqui, não sou muito bom nisso, mas ela deve ter três por cinco, por quatro, não sei, coisa parecida. Então, a metragem de cada sala e nós vendemos isso, nós vendemos isso. Aí veio o agricultor, veio o… eu vou pagar isso aqui para vocês aqui, aí pagou aquela sala e hoje leva o nome.

Então, nós temos a sala Alcindo, que foi um dos que pagou um dos espaços, nós temos a sala Luz Divino, nós temos a sala Ilda Ribeiro, que é a nossa sala de ensaios, que é a maior sala da estrutura. Então, essas pessoas pagaram do valor do metro quadrado esse espaço e nós construímos, em seis meses, nós construímos a nossa estrutura que nós temos hoje lá. E agora, o grande desafio para construir a nova sede, né? Não demos o start ainda, porque ainda dependemos burocraticamente de alguns papéis, alguns documentos, mas, no momento certo, nós vamos fazer o lançamento aí e todos vocês são convidados, né? Para estarem juntamente conosco ali no nosso novo espaço, se Deus quiser, breve, breve, breve.

Isso aí, dentro do Esporte Lucas Ugo Verde, a gente tem vários sonhos para ser realizado, isso aí é vários planejamentos, várias áreas sendo bem conduzidas, né? Claro que nenhuma efetivada ainda, mas hoje, se você for pegar o Esporte Lucas Ugo Verde, olhando para dentro da minha questão de colaboradores, nós precisamos ainda crescer com a equipe do Paradesporto, que eu vejo que é uma área que a gente vem investindo desde 2021 e dando oportunidades para essas crianças, né? Acabei nem falando antes, mas tivemos três, quatro atletas que são campeã brasileira no Paradesporto e a gente precisa evoluir. E acredito que esse ano ainda a gente vai fechar o contrato, a gente vai se tornar um centro de referência do centro do paradesporto no estado do Mato Grosso, aqui no norte. Já está bem encaminhado isso e para nós é uma alegria muito grande.

Nós precisamos construir dentro da Secretaria do Esporte também uma equipe de lazer, uma equipe que trabalhe aos finais de semana, uma equipe que seja específica para isso, porque está sobrecarregando demais os nossos professores. Dentro da área estrutural, claro, tem diversos sonhos, a gente precisa criar um centro paradesporto pequeno, mas que essas crianças possam ter uma referência de aonde procurar. Eu vejo que Lucas do Verde tem muitas pessoas ainda cadeirantes, muitas pessoas que tenham dificuldade de locomoção e que não sabem ainda que isso existe dentro da Prefeitura.

Essas pessoas, se elas quiserem treinar, tem a possibilidade, tem professor especializado para isso e é de forma gratuita. E também a revitalização do nosso querido estádio Paço das Emas é uma das ideias que está sendo bem pensadas, acho que precisamos revitalizar essa história, deixar ela mais bonita. E o centro de treinamento poliesportivo nosso aqui, esse já é o que está mais avançado, eu acredito que esse ano vai ser lançado.

Eles são quatro quadras poliesportivas, onde vai acontecer todos os treinamentos das seleções do município, ao mesmo tempo, dentro de um único espaço. Então é um espaço de 100 metros por 50, sem nenhum pilar no meio. Será um centro bem grande, 5 mil metros quadrados, onde a gente vai poder observar tudo o que há de talento em algumas modalidades esportivas vão estar treinando.

Ali dentro, esse é um sonho que eu tenho certeza aí que nessa gestão vai começar e ser terminado também. E diversos sonhos que a gente tem em outras modalidades. Acho que esse é o mais importante hoje dentro da Secretaria de Esportes, é construir o poliesportivo, para dar um pouquinho mais de qualidade para os nossos atletas, nossos professores, mas também poder liberar os espaços dos ginásios, para que a comunidade possa utilizar no final de semana e dia de semana.

E agora sim, então nos encaminhando para o final da nossa conversa, eu queria pedir que vocês deixassem uma mensagem para quem está nos assistindo e que também gostaria de levar esse exemplo de tudo que é desenvolvido na cultura em Nova Mutum, no esporte e lazer em Lucas do Rio Verde, para um exemplo dessa mobilização, desse engajamento das pessoas para essas causas. Então, que mensagem vocês deixariam para quem está nos assistindo e também quer levar esse exemplo para outros locais? Eu acho que a palavra chave hoje foi o pertencimento. Então, vamos fazer com que essas ações sejam nossas.

Vamos participar, vamos fazer o nosso social, vamos envolver. Hoje nós temos 24, 25 diretores lá em Nova Mutum, que são voluntários. Falamos sobre isso, não precisariam se não quisessem.

Por que nós temos um projeto de destaque hoje? Porque essas pessoas se doaram e fizeram com que acontecesse. Então, assim, qual que é a mensagem hoje? Vamos nos envolver, vamos cooperar, vamos participar e aí a gente faz a diferença com certeza. É isso aí.

Eu acho que o Lucas do Verde é um exemplo de várias ações que foram conquistadas e hoje são fortes. Eu acho que essa questão de você pertencer a algo é importante, faz parte da nossa vida. Eu sempre falo para nossas equipes, nossa equipe, que daqui cinco anos, oito anos, dez anos, quando a gente olhar para trás, a gente vai ver que a gente fez parte daquela transformação.

E é isso que é o mais importante. Eu olho para trás, vejo o trabalho que a gente fez de 2006 a 2008, com as escolinhas esportivas e os eventos. E naquela época, nós fizemos a diferença em Lucas do Verde.

E hoje, de 2021 para cá, nós estamos fazendo a diferença dentro do esporte. Mas é por se dedicar, é por se integrar, de forma cem por cento, não é cem, é cento e um por cento. E a gente precisa que a comunidade faça isso também.

Porque o esporte não é meu, o esporte não é da prefeitura, o esporte é de todos. Então, assim, peço e deixo o convite aqui a quem quiser fazer parte dessa história, venha junto com o Cicrede, junto com as outras empresas, ajudar. Ajudar de mãos dadas aí a fazer o esporte chegar o mais longe possível.

Nós queremos parabenizar pelo belíssimo trabalho que vocês desenvolvem, né? E dizer do nosso orgulho, né, Bruno, aqui nesse momento, então, representando o Cicrede, de fazer parte também, poder contribuir, então, com essas ações que a gente vê acontecer e fazer tanta diferença na prática. E estender esse agradecimento para que os nossos associados também sintam esse orgulho, né, Bruno? Porque, com certeza, tudo isso que o Cicrede contribui, ele só é possível graças à participação dos nossos associados, né? Então, quero estender esse agradecimento também aos nossos associados. E é muito bacana a gente estar nesse momento de agora, podendo ouvir essas histórias, podendo ouvir sobre o trabalho de vocês.

Então, parabenizar e agradecer pela participação de vocês aqui no nosso Raízes Ouro Verde. Nós só temos a agradecer, né, secretário? A oportunidade, o momento e todo esse crédito, né, que a cooperativa tem com o nosso projeto, que senão não estaria investindo, que é o investimento também, né? Então, nós só temos a agradecer vocês pelo espaço, pelo carinho e dizer que nós estamos ali de portas abertas sempre, sempre, que precisarem para que possamos desenvolver essas políticas públicas, essas ações e trazer sempre o melhor para nossa comunidade. É isso aí.

Eu considero o Cicrede um grande parceiro da Secretaria de Exporte. A gente só tem a agradecer, como você mesmo falou, Edmar, tudo que está sendo construído é construído junto com vocês, com o Cicrede. A gente fala o Cicrede, mas é como a Camila falou, né? São os colaboradores, né? São todas as pessoas aí associadas que fazem parte da cooperativa e sabem que esse recurso está sendo voltado para a nossa sociedade, né? E a gente fica feliz de poder contar com o Cicrede todos os dias, né? Eu acho que faz parte você pertencer, o Cicrede pertence a essa comunidade, em diversas ações, não é só no exporte, a gente vê isso aqui no município de Lucas Luverde, e parabenizar a toda a equipe do Cicrede aí por esse olhar carinhoso que vocês têm com o exporte do Lucas Luverde e com toda a nossa sociedade.

Excelente, mais uma vez, Edmar, mais uma vez, André, muito obrigado pela participação de vocês, muito obrigado também por cada um que nos acompanhou em mais um episódio aqui do Raízes Ouro Verde. Como falamos no início, vale o reforço, os episódios estão disponíveis no site cicredeouroverde35anos.com.br e os principais cortes, os melhores momentos, digamos assim, estão disponíveis também nas nossas redes sociais, no Instagram Cicrede Ouro Verde MT. Por lá você acompanha esse conteúdo, compartilha esse conteúdo, interage também com os outros que ainda estão por vir.

E ainda tem muito conteúdo por vir, então continue acompanhando a gente toda semana, seja no nosso site, seja no nosso Instagram, seja pelo Spotify e fique com a gente, porque ainda o Raízes Ouro Verde ainda tem muitas boas histórias para contar, né Bruno? Então, obrigado e até a próxima semana. Até lá.

CAMILA CARPENEDO: Oi, gente, muito feliz em ter vocês com a gente em mais um episódio. Nós estamos, então, nessa segunda temporada do Raízes Ouro Verde, que é a nossa temporada que a gente está chamando de relevância, porque a gente está falando do nosso papel, da nossa cooperativa, dos diferentes setores da nossa sociedade.

E, hoje, a gente vai tratar de um tema que é a indústria, especialmente a indústria mato-grossense. E, para isso, a gente está aqui com dois convidados muito especiais que eu já começo agradecendo pela disponibilidade de estarem aqui com a gente nesse momento, que é o Alexandre Furlan, presidente do Conselho das Relações de Trabalho da Confederação Nacional da Indústria, CNI, e o Silvio Rangel, presidente do Sistema FIEMT e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria. E, também, os dois associados da Sicredi de Ouro Verde.

Sejam muito bem-vindos e muito obrigada pela participação aqui no Raízes Ouro Verde.

ALEXANDRE FURLAN: A gente é que agradece, né, Silvio, a oportunidade de estar aqui e dialogar um pouquinho com as pessoas que nos ouvem, que nos assistem sobre a importância do sistema cooperativo não só no nosso estado, mas acompanhando o desenvolvimento da nossa indústria.

SILVIO RANGEL: Bom, eu queria agradecer, Bruno, Camila, também ao nosso amigo e companheiro aqui, o Furlan, pela oportunidade de a gente estar podendo falar um pouquinho aqui da nossa indústria, do nosso desenvolvimento, né, ao longo dos anos, e, principalmente, com o apoio que o Sicredi tem dado para a indústria.

BRUNO MOTTA: Muito bem, vamos lá. Antes da gente começar a falar, realmente, da atuação da indústria aqui na nossa região, no início do nosso podcast, a gente pede para que vocês falem um pouco mais das raízes de cada um. Então, eu gostaria de saber e gostaria que vocês se apresentassem, né, para quem está nos acompanhando, quem é o Alexandre, quem é o Silvio.

ALEXANDRE FURLAN: Começo? Então, vamos lá. Meu nome é Alexandre Furlan. Eu já nasci dentro de uma indústria, em Concórdia, em Santa Catarina, porque o meu pai já trabalhava na Sadia, que passou a ser, depois de muitos anos, a maior companhia de alimentos do Brasil.

Hoje já está… virou BRF, já está lá com a Marfrig, mas comecei… Então, nasci em Concórdia, depois meu pai foi transferido para Toledo, aí fui fazer faculdade em Porto Alegre, me formei em Direito e Administração de Empresas e vim para Mato Grosso, no dia 5 de março de 87. Então, com 26 anos, para coordenar uma área jurídica da Sadia aqui, no Mato Grosso, e aqui fiquei. Depois passei pela presidência da Federação das Indústrias no ano 2000.

Tenho hoje uma indústria aqui no Estado, já há 22 anos, que é a Plastibras, também associada do Sicredi, e desenvolvo alguns trabalhos ainda na área de Relações do Trabalho, na CNI, como as discussões todas que giram em torno da questão de relação de emprego, de relação de trabalho. Hoje tem temas importantes que estão sendo tratados por aí, a questão da pejotização, a questão do trabalho em plataformas, quer dizer, para onde caminha, com a inteligência artificial, as relações de trabalho pelo mundo. Mas, historicamente, foi isso.

Tenho Direito e Administração de Empresas na formação, e já estou aqui em Mato Grosso há 38 anos.

SILVIO RANGEL: Silvio Rangel, atualmente presidente da Federação das Indústrias, e vice-presidente da CNI, Confederação Nacional da Indústria, e também estou à frente, como presidente, de um sindicato que é de bioenergia, que é o BioInd. Já estou no terceiro mandato e cheguei a Mato Grosso em janeiro de 83.

Então, tenho um pouquinho mais de Mato Grosso do que o Furlan. Vim com 15 anos de idade e, de lá para cá, tive família aqui, constituída aqui, a minha esposa é cuiabana, dois filhos cuiabanos, dois netos também já. E vou falar do amor que eu tenho por Mato Grosso, não só pela questão da família, mas por essa terra.

Então, acho que é aqui que a gente resolveu fincar raízes, e aqui que a gente tem oportunidades e teve as oportunidades. Sou formado em Economia e Direito, e algumas pós-graduações na área de bioenergia também.

CAMILA CARPENEDO: Que legal ouvir as histórias também de dois pioneiros, já estão há tanto tempo na indústria mato-grossense.

E vamos falar um pouquinho dessas duas entidades, então, que estão representadas também aqui, nesse momento. Seja a FIEMT, seja a CNI, também representada por dois profissionais mato-grossenses, então, nessa mesa. Vamos explicar um pouquinho para o pessoal como que a atuação hoje da FIEMT pode ser e também a nossa atuação na CNI.

SILVIO RANGEL: O sistema FIEMT, então, é constituído por mais três instituições. A Federação das Indústrias, o SESI, o SENAI e o IEL. E cada instituição dessa tem um trabalho à frente da indústria.

O SESI cuida da parte social, a parte de lazer, e também da saúde e segurança do trabalhador. O SENAI, por sua vez, é a parte de capacitação, das habilidades de um profissional da indústria. Então, tem tanto o curso técnico como o curso também superior, através de uma faculdade que a gente tem, que é a FATEC.

É um trabalho, realmente, de trazer pessoas, às vezes, fora do mercado do trabalho para dentro do mercado do trabalho. Esse é um papel importante no Estado, que tem índice de desemprego nos últimos anos, vai ficar em primeiro, segundo ou terceiro. Então, a gente tem uma falta de pessoas para o trabalho e a gente faz esse trabalho com algumas parcerias com o governo, Estado, prefeituras, indústrias.

E nós temos o IEL também, que é um braço da parte de pesquisa, desenvolvimento do empresário também, com curso de capacitação para o empresário, e também a parte de inovação e tecnologia que está tanto no SENAI como no IEL. Então, nós temos esse trabalho desenvolvido por essas entidades. E o papel da Federação das Indústrias, junto com mais 37 sindicatos que nós temos hoje, que são 17 setores, é de levar para o industrial o apoio necessário para que ele possa produzir de forma sustentável, de forma econômica, para que a gente possa gerar emprego, renda, gerar impostos, e esses impostos beneficiar a nossa população como um todo, com saúde, segurança, a parte de lazer, e, principalmente, educação, que eu acho que o vetor de educação, que o SESI também tem um papel na parte educacional, importante, porque eu acho que isso vai fazer com que nós, mato-grossenses ou brasileiros, possamos ter uma vida melhor no futuro.

ALEXANDRE FURLAN: Eu acho que a gente, só uma contextualização histórica, dentro disso que o Silvio está falando, a gente, a Federação das Indústrias, através das entidades SESI, SENAI e IEL, ela vem acompanhando, passo a passo, o desenvolvimento de Mato Grosso. Então, quando eu vim morar aqui, a gente sentia muita dificuldade na questão da mão de obra. Você tinha que trazer pessoas para cá de longe e, às vezes, as pessoas não se adaptavam.

Então, esse acompanhamento do desenvolvimento, acho que a Federação das Indústrias tem feito muito bem. E só para falar um pouquinho da CNI, a estrutura sindical no Brasil, ela tem os sindicatos na base, ela tem as Federações, as 27 Federações de Indústria, e a CNI, que é o nosso comando, vamos dizer assim, que é quem coordena todas as Federações e é quem tem, vamos dizer, o domínio institucional do SESI e do SENAI. O SESI e o SENAI são autônomos nos Estados, mas eles estão coordenados lá por cima.

Então, por exemplo, uma coisa importante, o que é importante termos em Mato Grosso? Que tipo de pessoas nós devemos qualificar para aquilo que Mato Grosso necessita? Não é a mesma coisa que São Paulo necessita, não é a mesma coisa que, eventualmente, o Rio Grande do Sul, que é um polo coureiro calçadista, necessita. Então, o importante é que a CNI, como guarda-chuva, vamos dizer, ela passa para as Federações de Indústria um apoio técnico. Por exemplo, o Silvio hoje tem todos os dados macroeconômicos do Brasil na mão.

Ou pelo Observatório da Indústria que ele tem aqui, em Mato Grosso, ou porque quaisquer coisas que ele precise em termos nacionais, em termos macro, a CNI pode auxiliar. Não só na área jurídica, como na área econômica, como na área de Saúde, Segurança e Trabalho, na área das novas regulamentadoras. Então, tudo isso.

A gente é, na verdade, um sistema. E esse sistema deve, em termos de Brasil, funcionar de forma harmônica. Uma coisa importante, só para não me estender nesse particular, é que, até alguns anos atrás, algumas Federações de Indústria tinham alguma coisa interessante e não compartilhavam muito as boas práticas.

E, de um tempo para cá, isso é um trabalho que o Silvio está fazendo, inclusive, muito. Por exemplo, semana passada, ele foi visitar o Ceará. O que era o Observatório da Federação do Ceará.

Então, nós temos intercambiado muito mais essas informações e cruzado essas melhores práticas entre Federações. Isso faz com que o sistema cada vez se fortaleça mais e a gente tenha um lobby propositivo para a indústria brasileira, tanto na Câmara quanto no Senado Federal, de forma tal que você consiga, através de políticas públicas, atender os anseios da indústria em termos de desenvolvimento.

SILVIO RANGEL: Só complementando o que o Furlan colocou, essa questão do Observatório é um ponto muito importante para nós hoje.

Hoje, o nosso Observatório é o Observatório de Mato Grosso. Então, ele traz dados, não só da indústria, mas da economia como um todo. E quando a gente vai para um determinado município, a gente faz um levantamento para entender quais são as necessidades daquele município, em termos de indústria, de empregabilidade, para que a gente possa ser mais assertivo nos cursos que a gente vai oferecer em determinadas regiões.

Então, isso é importante para a gente. E colocar também que o SENAI tem os Institutos SENAI de Tecnologia e Inovação. Então, nós temos mais de 86 institutos pelo Brasil todo e que são interligados.

Às vezes, eu não consigo trabalhar com um assunto aqui sobre inovação, tecnologia, mas eu vou buscar dentro do sistema, por isso que a gente fala sistema, em outro estado que possa trabalhar com aquele assunto. Então, acho que isso é importante só para contribuir.

CAMILA CARPENEDO: E quando a gente vai olhar para esse panorama da indústria, a gente entender o papel e representatividade da indústria de Mato Grosso hoje, para o Brasil e até um pouquinho desse olhar, desse crescimento dos últimos anos.

Como o Furlan falou, o sistema vem acompanhado exatamente desse crescimento. A gente tem observado um crescimento bem importante da indústria mato-grossense. Eu queria que vocês trouxessem um pouquinho desse cenário.

SILVIO RANGEL: Eu vou colocar assim, nos últimos 10 anos, é uma das indústrias que mais cresceu no Brasil. A gente realmente tem crescido muito e principalmente em alguns ramos, alguns setores, como de alimentos, principalmente a produção de carne, principalmente para exportação, uma área que o Furlan entende bastante, e também na parte de bioenergia, tanto na produção de biodiesel como de etanol. Nós, nos últimos anos, tivemos implantação de uma indústria nova, que é a indústria de etanol a partir do milho, e essa indústria nos favoreceu de um crescimento muito elevado.

Nós saímos da sétima colocação no país, em termos de produção, para a segunda posição, consolidada esse ano, e com a tendência do futuro que a gente possa até chegar em primeiro lugar, porque a gente ainda tem muito espaço de crescimento. Então, acho que é um setor que tem crescido bastante, mas principalmente nesse novo ciclo do Mato Grosso. O Mato Grosso cresceu, em todas as fases, parte agrícola, hoje nós somos grandes produtores de diversas commodities, mas é importante que a gente precise agora agregar valor, verticalizar a nossa produção, para que a gente realmente, ao invés de estar exportando produto, a gente possa industrializar aqui, agregando, gerando muito mais valor aqui dentro do Estado.

ALEXANDRE FURLAN: O que é importante a gente também, mas, de novo, uma retrospectiva histórica. Como é que o Mato Grosso começou? Como começaram os Estados lá do Sul? Primeiro, a indústria madeireira. Você tinha a exploração da madeira, você abria áreas onde você explorava madeira, e isso virava o que depois? Pecuária extensiva, pecuária de corte.

Então, nós passamos já por essas fases, depois o que veio depois? Depois veio, você tem soja e tem milho. O que é a soja e o milho? A soja e o milho são as proteínas vegetais que você pode transformar em proteína animal, que é o frango e o suíno. Então, a gente já passou por essas fases, por isso que dizem, eu não vou entrar na área que o Silvio falou, que ele já explicitou bem a área de bioenergia, mas dizem que o Mato Grosso vai ser o Estado provavelmente mais industrializado do Brasil nos próximos 20, 30 anos.

E por que isso? Porque a gente, passando esses patamares da verticalização que o Silvio está falando, vai chegar uma hora que a gente vai ter que ter indústria de ponta já, que você já passou por essas primeiras fases de agregação de valor. Então, você vai ter indústrias que estão além dessa indústria primária, vamos dizer assim, que transforma a proteína vegetal em proteína animal. Nós já estamos passando adiante disso.

Então, o importante é justamente saber que o Mato Grosso hoje, ele desponta como o Estado que mais cresce no Brasil, mas o Estado que também, e isso nós devemos, acho que, a um olhar integrativo que a gente tem entre a iniciativa privada e o governo atualmente, que é de você sair da 22ª posição do IDEB para a 8ª, é melhorar a educação, é melhorar a parte de qualificação profissional de professores, de infraestrutura no Estado que ainda precisa. Então, assim, nós somos um Estado que tem tudo para os próximos anos crescer. Por quê? Porque as instituições vêm fazendo o seu dever de casa ao longo dos últimos anos porque perceberam que não é só o governo que tem que tratar dos assuntos concernentes à população e ao desenvolvimento.

É a iniciativa privada que tem que capitanear isso. Quer dizer, o governo, como a gente sempre dizia, o governo não nos atrapalhando já está bom.

BRUNO MOTTA: E quando a gente olha, então, para a agroindústria, que eu acho que se a gente pensar lá na nossa região principalmente, hoje nós estamos gravando aqui de Cuiabá, que faz parte da área de atuação da Sicredi de Ouro Verde, mas a sede da nossa cooperativa está em Lucas do Rio Verde, Nova Mutum também é uma cidade da nossa área de atuação que tem um perfil bastante semelhante, e a agroindústria transformou a realidade desses municípios, assim como de outras cidades de Mato Grosso.

Como que vocês enxergam, então, o papel disso dentro da economia mato-grossense hoje?

SILVIO RANGEL: Eu colocaria, sim, como Lucas do Rio Verde, um caso, um exemplo muito positivo desta industrialização. Ao ponto que, hoje, Lucas, ele industrializa muito mais produtos do que se produz na região de Lucas. Então, é um caso de sucesso, realmente, e mostra que a indústria tem essa força de agregação, realmente, de valor, com indústrias importantes de etanol, de biodiesel, da parte de alimentos.

Então, aquela região ali é um modelo importante para que a gente possa fazer com que outras cidades possam ir nesse mesmo caminho. Ou seja, o momento que a gente chegar a agregar valor de mais de 100% do que a gente está produzindo de grãos, isso vai ser fantástico. E aí vai nesse caminho que foi colocado pelo Furlan.

A exemplo aí, nós temos, por exemplo, o algodão. Nós temos 73% do algodão do Brasil. Nós não temos aqui uma indústria da área de confecção.

Mas por quê? Porque ainda nós estamos num caminho de crescimento, através da fiação, e depois vem as outras indústrias, a tecelagem, a parte de cor da tecelagem. Isso realmente, ao longo do tempo, a gente entende que vai ter esses pontos positivos para a gente atrair novas indústrias de agregação, ou seja, de tecnologia alta, altamente tecnificada. E a indústria tem esse poder de atrair empregos tecnificados que pagam, muitas vezes, um valor maior.

E cria uma sinergia onde essa indústria está. Uma coisa importante. Nós falamos de uma região em que o conceito de sociedade para as pessoas que lá foram é diferente de outras regiões.

Por exemplo, eu fui secretário de Estado aqui de 2003 a 2008. Na época não era desenvolvimento…

ALEXANDRE FURLAN: precisava contextualizar o que foi contextualizado. Onde é que estava Mato Grosso? Qual é a importância do sistema nesse caminhar que Mato Grosso deu em relação ao desenvolvimento? Falamos das regiões, que vocês quiseram colocar, que as regiões se desenvolveram melhor. Acho que o Silvio foi muito feliz, agora, quando também colocou a parte dos Institutos SENAI de Tecnologia, que hoje você pode intercambiar necessidades ou boas práticas para lá e para cá.

E olhar o Mato Grosso no futuro é olhar um dos estados que vai mais desenvolver no país e mais crescer no país. E, para isso, a gente vai precisar contar com Federação de Indústria, com Sicredi, com as pessoas que, efetivamente, se preocupam com o desenvolvimento do estado, sem política, com política partidária, eu queria dizer.

CAMILA CARPENEDO: E aí eu queria puxar, mesmo que a gente está falando desse futuro e desse papel também dos jovens, eu queria que a gente fizesse essa mensagem final justamente com esse olhar, sabe? De como a gente vai trazer, então, essas pessoas que vão fazer esse futuro. Pode ser assim? Essa mensagem final é de engajamento, de pensar nessas pessoas, nesses jovens. Então, o que a gente vai trazer para que façam esse futuro de Mato Grosso? Seja trabalhando na indústria, seja empreendendo. Pode ser? Pode ser.

BRUNO MOTTA: Então, Kaique, tudo certo aí? Podemos seguir, não é? Você quer fazer a pergunta, querido? Pode, pode. Pode fazer. Posso fazer? Então, agora, já nos encaminhando para o final, já agradecendo vocês também por essa participação aqui no nosso Raízes Ouro Verde.

CAMILA CARPENEDO: Muitas boas histórias, né, Bruno, que ouvimos hoje aqui sobre esse futuro e esse papel da indústria em Mato Grosso e no Brasil. Vamos deixar uma mensagem final. Então, pensando nesse olhar para o futuro que nós falamos tanto, como nós vamos trazer essas pessoas, então, que vão fazer esse futuro da indústria mato-grossense? Queria deixar para a mensagem final de vocês.

SILVIO RANGEL: Eu acho que é uma parte muito importante. O governo tem feito um trabalho importante na questão de valorização da educação do Mato Grosso, igual foi colocado. Nós saímos da 22ª colocação para a 8ª. Esse ano deve ficar entre os cinco. Eu acho que a gente tem que pensar que o jovem, as crianças do Mato Grosso, é o futuro do nosso Estado e que a gente precisa investir cada vez mais nessas crianças através da educação, seja para trazê-las para o setor produtivo como um todo. A gente tem feito esse papel, desenvolver as crianças para o lado da robótica, da automação, de instigar ela realmente que ela possa fazer parte, que ela tem esse potencial que está ali e a gente vê o tanto que isso é importante.

Por quê? Quando a gente traz a robótica, você só não está mostrando para a criança que ela vai trabalhar com a robótica. Mas eles criam equipes que desenvolvem ao longo do tempo desse processo. E ali cada um tem um papel de desenvolvimento. Então tem uma atuação específica de cada um. Um é administrador da equipe, outro é o mecânico, outro é… Então cada um tem um papel. Então você desenvolve realmente a possibilidade daquela criança estar dentro da indústria, gostar realmente de fazer esse trabalho.

Então acho que o futuro são as crianças. É através da educação que a gente possa ter uma indústria mais forte, a transformação, a verticalização da nossa produção. Então esse novo ciclo econômico passa realmente pela educação. E a gente tem esse papel, acho que nós sabemos dessa oportunidade que a gente tem de transformar vidas. Então seja na inclusão de pessoas com deficiência também, é um papel importante que a gente faz. E a transformação das crianças, dos jovens, para que esse novo mundo do trabalho para ele seja alguma coisa mais interessante, mais importante, e que ele entenda que ele pode realmente fazer parte desse futuro e desse crescimento do Estado.

ALEXANDRE FURLAN: Eu acho que o meu recado iria para os pais desses jovens. Primeiro para incentivar os seus filhos a percorrerem o estudo como necessário para a formação. Porque além de princípios e valores que você carrega, que vem de berço, eu acho que os pais dessas crianças, que talvez tenham um pouco mais de dificuldade, eles deveriam transmitir aos seus filhos que eles não são piores e nem melhores do que ninguém. Que todos vivem em pé de igualdade no sentido de que, se eles batalharem e estudarem, eles vão chegar lá. Então assim, eu sempre digo uma coisa, comece pequeno, mas pense grande e ande rápido. Então que essas crianças que hoje nós conseguimos fazer no SESI, com que elas tenham uma visão diferenciada, e de repente se pegar um menino aqui da periferia de Cuiabá e colocar ele lá em Houston, nos Estados Unidos, numa competição, significa que qualquer um pode. Desde que ele tenha a força para isso, e a força começa dentro de casa. Começa em os pais pensarem que os filhos podem sim ter um espaço nesse mundo tão competitivo, se eles incutirem esses princípios e valores fundamentais de família, mas se eles disserem para os jovens, você não é pior do que o filho do rico, você é igual a ele. E se você for atrás da tua oportunidade, ela vai aparecer. E se você for melhor que o filho do rico, você vai ser melhor que ele no futuro.

CAMILA CARPENEDO: Muito obrigada, nós agradecemos, Bruno, Alexandre Furlan, Silvio Rangel, por esse momento aqui com a gente. Ficamos muito felizes em compartilhar essas conversas e agradecemos também pela contribuição de vocês dois para esse desenvolvimento da indústria mato-grossense, que tanto nos orgulha, e nós do Sicredi também nos orgulhamos de fazer parte e poder também contribuir com esse desenvolvimento. Obrigada pela participação de vocês aqui.

SILVIO RANGEL: Nós que agradecemos, Camila e Bruno, por estar aqui junto com o Furlan e bater esse papo gostoso aqui dentro do Raízes Ouro Verde. Para a gente realmente foi um prazer estar aqui. Obrigado.

ALEXANDRE FURLAN: Da mesma forma, fiquei muito feliz e acredito que vocês estão no caminho certo no sentido de explicitar aquilo que é o Sicredi, aquilo que são as raízes do cooperativismo, para todo mundo aqui em Mato Grosso. Muito obrigado.

BRUNO MOTTA: Muito bem, muito obrigado também a você que nos assistiu em mais um episódio do podcast Raízes Ouro Verde, esse projeto que já contou tantas histórias, né, Camila? Já passaram tantas pessoas por aqui, mas que ainda tem muita coisa pela frente. Continue acompanhando, seja no nosso site sicrediouroverde35anos.com.br, seja nas nossas redes sociais, no Spotify, todos os episódios passados já estão lá e todos os que ainda estão por vir. Continue com a gente. Até semana que vem!

BRUNO MOTTA: Isso, Camila. Olha, agora nessa segunda temporada, a gente já falou isso aqui antes, mas é sempre bom reforçar, né? É uma segunda temporada que trata da relevância do Sicredi Ouro Verde. Então, por aqui, muitas histórias de pessoas que atuam na nossa região e que fazem realmente a diferença junto com a nossa cooperativa.

CAMILA CARPENEDO: Hoje não é diferente. Hoje nós vamos falar de saúde. E por isso, nós estamos recebendo aqui hoje a Gabriela Reffati, que é diretora executiva do Hospital São Lucas, aqui de Lucas do Rio Verde, e o Laudemir Moreira Nogueira, presidente e diretor do Hospital de Câncer de Mato Grosso. Duas instituições que prestam trabalho muito importante para a nossa região, né, Camila? É isso mesmo. E sejam muito bem-vindos. Uma alegria receber vocês aqui no estúdio da nossa cooperativa, aqui na nossa sede, em Lucas do Rio Verde, para a gente falar um pouquinho, principalmente, da atuação, né, dessas duas instituições tão importantes para a saúde do nosso Estado e também da nossa relação tão próxima, né, entre a nossa cooperativa e essas duas instituições. Então, sejam muito bem-vindos. Muito obrigado. Muito bem.

BRUNO MOTTA: Olha, a gente geralmente começa falando muito sobre as raízes dos nossos convidados e hoje esse ponto das raízes será um pouquinho diferente. A gente quer saber as raízes da Gabriela, as raízes do Laudemir ligadas ao trabalho que vocês prestam hoje. Como que foi essa conexão com a área da saúde, essa conexão atual com os hospitais que representam? Começa aí, Gabriela.

GABRIELA REFFATI: Vamos lá, então. Eu sou a Gabriela, eu sou enfermeira de formação, então sempre atuei na área da saúde, né? Iniciei no Rio Grande do Sul, minha formação é em Porto Alegre e depois morei um tempo fora do Brasil, na Austrália, fiz alguns cursos e retornei e já retornei para o Mato Grosso. Trabalhei em Cuiabá e depois de Cuiabá vim para Lucas do Rio Verde, isso há 11 ou 12 anos atrás. Quando eu vim para Lucas do Rio Verde, o hospital tinha 36 leitos e eu até vim sem conhecer, sem conhecer o hospital e o prefeito na época, que era o Otaviano, ele disse, não, vamos para lá, você vai trabalhar, o hospital é grande e eu cheguei e disse, nossa, o hospital tem 36 leitos. Ele disse, não, mas nós vamos ficar muito grandes e hoje nós estamos aí com quase 200 leitos, então realmente ficamos grandes e vamos ficar cada vez maiores, né? Hoje estamos representando aí o atendimento de mais de 120 mil pessoas, hoje credenciadas aqui na atenção primária, né, do nosso município, fora toda demanda de convênios e particular. Então, uma grande representatividade aí na história de Lucas, né, o nosso Hospital São Lucas.

LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Obrigada, Gabriel. Bom, meu nome é Laudemir Moreira Nogueira, eu sou advogado, mato-grossense e eu chego em Cuiabá para fazer faculdade. Me formo, constituo minha família, monto escritório, assessoro empresas, fui advogado do Banco Bradesco durante vários anos e nesse tempo eu conheço alguns médicos que lutavam para pôr em funcionamento o hospital de câncer, que era um prédio inacabado. São 23 mil metros de área construída e fui ajudá-los nessa luta. No primeiro dia que eu estive lá, vi aquele monumento inacabado, aquela coisa que precisava funcionar, me apaixonei por aquilo e estou lá até hoje. Eu brinco que eu li a ata de abertura do hospital, mas é verdade. E aí passei a ocupar conselhos, conselho fiscal, conselho deliberativo, vice-presidência, até que me convenceram em 2015 a me tornar presidente. Estou lá até hoje. Na época que o começo da presidência, o hospital tinha feito, em 2014, 47 mil atendimentos. O ano passado nós fizemos 252 mil atendimentos.

CAMILA CARPENEDO: Eu queria que vocês contassem, Gabriela, talvez não participou do início do Hospital São Lucas, chegou há pouco mais de 10 anos, pelo que você falou. O Laudemir, pelo que eu entendi, participou, então, desde muito do início ali do Hospital de Câncer, pelo menos da implementação dele, a abertura. Vamos contar um pouquinho dessa trajetória dessas duas instituições, então, né? Esse crescimento tão expressivo, no caso do Hospital São Lucas, que cresceu acompanhando essa necessidade dessa nossa região. O Hospital de Câncer, da mesma forma, acompanhando toda essa necessidade de Mato Grosso.

GABRIELA REFFATI: O Hospital São Lucas, ele nasceu em 1999. Em 2003, foi constituída a Fundação Luverdense de Saúde. Então, eu falo que a gente tem aí uma característica em comum, quando a gente olha para as nossas instituições, o Sicredi e a fundação, que ela nasceu da vontade dos moradores, da nossa população, de fazer algo. Então, vamos nós, comunidade, aqui, estruturar um hospital, fazer uma fundação para que a gente tenha saúde. Então, sempre que a gente conta e que a gente revive um pouquinho da história da fundação, isso é muito marcante, assim. As fotos, os primeiros documentos, todos os participantes dessa fundação, desse conselho, são pessoas da sociedade que realmente disseram, vamos fazer uma instituição de nós, para a nossa população, para gerar esse atendimento e para trazer e fazer uma saúde de qualidade. Então, assim, ela já nasceu com essa intenção de fazer saúde de qualidade, de nós mesmos aqui, enquanto comunidade, nos unirmos para construir algo que nos atenda. Então, isso é muito marcante desde o início da fundação. E ela vem crescendo e continua trazendo esse espírito nela. Continua marcada por um conselho administrativo que são pessoas da nossa comunidade, são representantes da nossa comunidade, que estão ativamente lá, buscando melhorias, buscando investimentos com parceiros, assim como a gente já tem uma parceria de longo prazo com o Sicredi, no sentido, em amplos sentidos, de doações de apoio, inclusive de apoio com gestão, de apoio com estratégias educativas, com eventos. Então, assim, são várias linhas dessa parceria. Então, o hospital sempre teve essa característica muito forte. A fundação nasceu com essa característica de ser da sociedade. A sociedade fez, se falava antes assim, fizeram com as próprias mãos mesmo. E ela continua mantendo essa ideia e trazendo esse senso de pertencimento aí para a comunidade. Então, isso eu acho muito bacana.

LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: O hospital não é diferente, o hospital de câncer. Ele nasce de um desejo de um médico, o primeiro médico oncologista de Mato Grosso. Doutor Zé Leite Figueiredo, já falecido. Em 1954, ele cria a Associação Mato Grosso Centro de Combate ao Câncer, que é a dona do hospital de câncer. É uma entidade civil, em forma de associação, e filantrópica. Ali ele começa um sonho, lutar para que os pacientes oncológicos tivessem um espaço próprio para tratar. Essa luta vai, ela adormece, ela nasce. Nos anos 1980, chega em Cuiabá mais dois oncologistas que se unem a ele. O sistema dos hospitais, tanto aqui da Gabriela que de Lucas, ele é um sistema de cooperativa. São pessoas que se unem para construir algo que possa prestar serviço e atender uma demanda da sociedade. Naquele momento, Mato Grosso tinha dez leitos fictícios para oncologia em todo o estado. Não existia atendimento? O fictício porque era assim, lá no sul tem lá, Mato Grosso tem quantos leitos de oncologia? Dez leitos. Mas isso não quer dizer que tinha dez leitos. Não tinha nenhum aparelho de radioterapia voltado para isso. Aí começa o hospital, hoje tem dois aparelhos, tem braquiterapia, um centro cirúrgico enorme. Estamos concluindo agora uma UTI nova de 18 leitos, temos UTI pediátrica. Por exemplo, hospital Loucura, 24 horas por dia. Mas é um trabalho conjunto, um trabalho cooperativo também.

BRUNO MOTTA: Vocês trouxeram antes e agora também alguns números, né, Bruno, do que representa esses atendimentos. Eu queria que vocês trouxessem um pouquinho mais para que as pessoas pudessem entender também o que é hoje essa atuação dessas duas instituições. O que elas representam no caso do Hospital de Câncer para Mato Grosso, para esse atendimento especializado. No caso do Hospital São Lucas aqui para essa região.

GABRIELA REFFATI: Hoje o nosso hospital é o único da cidade, o único de Lucas do Rio Verde. Nós atendemos toda a nossa região aqui por meio de um contrato com o nosso município, onde a gente assume toda a demanda de saúde, né, desde a média até alta complexidade. Hoje nós temos em torno aí de 510 colaboradores. Estamos indo para uma expansão para em torno de 600, agora com as novas UTIs e hemodinâmica. Temos 6 salas cirúrgicas, que hoje realizam em torno de 950 cirurgias mês. Fazemos em torno aí de 5 mil atendimentos mês de urgência e emergência. Também atuamos bastante na parte da ginecologia obstetrícia, né, que é uma das nossas maiores demandas. E realizamos em torno de 135 partos mês aqui. Então, representamos aí esse atendimento, né? São, como eu falei antes, são mais de 120 mil credenciados, que o município tem credenciado na atenção básica. Então, a gente sabe que é a população que, por mais que não esteja residindo aqui, ela está buscando saúde aqui e está dentro do nosso atendimento, né, da nossa linha de atendimento. Então, hoje nós temos aí quase 200 leitos agora com essa ampliação e sempre pensando em expandir, porque a demanda ela vem mais rápida do que qualquer construção.

LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Por mais que o hospital esteja crescendo, como você disse. Exatamente. O hospital de Câncer, nós temos 130 leitos, num projeto agora de iniciar a expansão para mais 60. Mas é um hospital diferenciado, porque nós trabalhamos só com especialidade oncológica. Crescer o hospital muito não é a solução, ao contrário, é criar mais problemas. Porque nós vamos começar a absorver demandas que poderiam ser resolvidas em outras esferas. O que nos preocupa, em cima disso que a gente trabalha, é a modernização do hospital e a qualificação. Tanto é que nós temos várias residências. Nós temos residência em cirurgia oncológica, em clínica médica, em radioterapia, anestesiologia. Iniciamos de gastro, temos também de bucomaxilo, acho que faltou alguma. Nós hoje formamos médicos no estado, isso é muito importante. Temos também residência em UTI, tanto adulto quanto pediátrica. Porque há uma carência muito grande de profissionais no Mato Grosso. Você para buscar médico de fora, porque são especialistas, eles não vêm por pouco dinheiro. Nós temos 700 empregados CLT, fora empresas, prestadores de serviços que circulam. Mas com exceção de diagnóstico de imagem, todos os serviços são do hospital. Somente diagnóstico por imagem, que hoje é terceirizado, mas atua em nome e no interesse do hospital. Isso é um volume de serviços e de gente. Vocês para terem uma ideia, nós servimos no hospital 1.600 refeições por dia. É muita coisa. É muita coisa. A área é muito grande, você tem toda a manutenção. É um prédio muito bonito, mas custa muito caro. Mas eu volto a dizer, o que mais motiva é quando você entra naqueles corredores. Aconteceu um fato interessante agora recentemente. Eu sou da família de agricultores no interior do estado. E eu fui advogado de um tio durante muitos anos. Ele faleceu, ele era rico, os filhos deles todos bem de vida. Um casal de filhos, inclusive um deles é meu padrinho. Chegou e falou, nós vamos pegar um pedaço de uma das fazendas que nós recebemos e vamos doar para o hospital. Eu falei, o que eu vou fazer com isso? Ele falou, não, você vai ter uma ideia, você vai fazer alguma coisa. Nós tivemos uma ideia, Gabriela. Nós criamos uma nova clínica médica com 25 leitos. Nove leitos de isolamento com característica de semi-UTI. Com janelas enormes para fora ali, sabe, para o jardim. Fizemos um jardim lindo. Todas as camas com balança. Os isolamentos são maiores que essa sala aqui. Então, assim, humanização. Lá dentro tem área de convivência da família. Tem uma capela lá dentro. Quer dizer, o paciente não tem que se sentir em um ambiente de doença. A nossa grande preocupação é que o paciente se sinta em um ambiente que busca acolhimento. Muitas vezes ele sabe que está para morrer. E o paciente sente isso. Mas ele não precisa sofrer. Esse é o nosso lema lá. Não pode sofrer. Aí veio essa doação. Uma família, dois irmãos, doaram 4 milhões e 500 mil reais para o hospital. Cash. Montamos essa clínica linda. Então, isso é magnífico para nós.

CAMILA CARPENEDO: Quando a gente fala, né, Bruno, desse impacto, dessa atuação de vocês, dos números, né? Mil e seiscentas refeições, tantos leitos. A gente fala desse impacto direto, digamos assim, na saúde das pessoas, né? Mas como que vocês conseguem enxergar além disso, né? Nesse impacto em oferecer um serviço de saúde para quem, no caso do Hospital São Lucas, até um tempo atrás não tinha acesso. No caso do Hospital de Câncer, da mesma forma, não se tinha acesso. Vocês conseguem mensurar esse impacto para essas pessoas efetivamente atendidas? Esse impacto humano, né?

LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Eu vou dar um exemplo para vocês. Um dia desses eu estava saindo para almoçar e tinha um casal lá fora, o senhor na cadeira de rodas e ela segurando a cadeira e falando para ele assim, vamos, não tem problema. Ele, não, eu vou cair. Não, vamos, eu te seguro. Para onde que eles iriam? Eles iriam dar uma volta no prédio para acessar o serviço de radioterapia, porque por dentro só iria se fosse, né, como não era horário de atendimento deles. Aí eu cheguei e perguntei, o que vocês vão? Ah, vamos no setor de radioterapia. Aí eu falei, se o senhor confiar no piloto aqui, peguei ele com a cadeira de rodas e vai aqui, fecha a porta, abre a porta. Quando chegou lá, eu perguntei, vocês são de onde? Lá no Baixo Paraguai. Aí ele virou para mim e falou assim, quem é o senhor? Eu não costumo falar que eu sou o presidente. Eu falei, eu sou o presidente do Hospital de Câncer. A reação dele na hora, ele pulou em pé com dificuldade e me abraçou e começou a chorar. Gente, nesse hospital até o presidente pilota cadeira de rodas. Não, isso para mim não tem coisa mais gratificante. Não reconhecer o presidente, mas da pessoa poder ser atendida, alcançar o atendimento. Se sentir acolhida, né? Se sentir acolhida e com simplicidade. Isso para nós, para mim especificamente, então, é uma coisa muito gratificante. Vendo essas pessoas chegarem com dificuldade. Acessar um serviço de alta tecnologia, de altíssima complexidade. Para nós, assim, e salvar vidas, né? No momento de tanta vulnerabilidade dessas pessoas, né? Sim, muita dor. No caso de vocês, né? Porque no caso do câncer, a Gabriela sabe mais do que eu, porque ela é da área da saúde mesmo. O diagnóstico do câncer é quase que um atestado de óbito, não é isso? Se a pessoa não tem na família alguém que possa… Calma, vamos buscar uma informação mais segura e tal. É um atestado de óbito, quase.

GABRIELA REFFATI: E, na verdade, assim, também a gente, né? Nos desafios de estar à frente de instituições de saúde, o nosso olhar acaba estando… Eu preciso, né? Ter estratégias. Preciso ter estratégias, principalmente financeiras, né? Que são as nossas maiores dificuldades. Hoje, eu acho que para qualquer diretor de serviço de saúde, tem todos esses desafios diários de pensar na estratégia, pensar no financeiro. Então, a gente não olha, também, muitas vezes para o marketing e porque eu falo, assim, do pessoal lá fora enxergar o que acontece lá dentro. Então, às vezes, até quando está num dia, assim, pesado, às vezes a gente está em reunião e problema, problema e problema. Peraí, vamos… Eu falo até com as meninas, com as minhas gerentes. Vamos sair, vamos dar uma volta. Vamos olhar o hospital. Porque quando a gente anda, a gente vê os milagres acontecendo ali. Então, a gente vê… Olha, o bebezinho nasceu. Nasceu bem, graças a Deus. A pediatra avaliando. Chegou um paciente grave na emergência. Está sendo estabilizado, está tudo bem. A família está tranquila. Paciente na UTI tendo alta. Doadores da alegria. Então, a gente vê os projetos acontecendo lá dentro. Quando vê, às vezes, a gente está lá num dia tribulado, vem uma música, porque é um projeto de música acontecendo lá dentro. Então, está tudo acontecendo lá dentro, né? E a gente tem uma operação tão difícil do dia a dia, que às vezes a gente não consegue ter esse olhar. A gente que está ali dentro, imagina para quem está lá fora, né? Então, eu falo assim, é muito gratificante e é o que faz valer a pena, é justamente a gente ver tudo isso acontecendo. E ver as pessoas saindo com a sua saúde reestabelecida. Ver aquele amor nos profissionais de saúde, porque eu falo que quem está na saúde, não é por dinheiro, não é por status, é por amor, né? Que são pessoas que chegam lá, deixaram suas famílias em casa. Em sua maioria mulheres, na nossa instituição, são quase 90% mulheres. Então, assim, a gente vê um time todo, né? Dando o seu melhor, médicos, equipes. E aí a gente vê esses milagres acontecendo no dia a dia e aí a gente percebe, nossa, realmente é fantástico. O trabalho vale a pena.

BRUNO MOTTA: Olha só, Gabriela, você comentou agora, um dos desafios que a gente, de fora, né? Imagina que são enfrentados. Mas eu queria que vocês, antes da gente começar a falar ainda mais intenso aí sobre os pontos bons, os pontos positivos de todo esse trabalho, certamente existem desafios atuais que as instituições enfrentam. Atuais, quando eu digo atuais, é os desafios de hoje, né? Hoje, no dia dessa gravação, os desafios que vocês estão enfrentando. Queria que vocês comentassem um pouquinho sobre isso, pra gente entender realmente quais são as realidades.

LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: O hospital, nesse momento, antes de entrar aqui, eu recebo a negação. Nós precisamos adquirir um novo aparelho de radioterapia, um terceiro. O gerente da Elekta, que é a indústria do acelerador linear, que é o aparelho de radioterapia mais popular conhecido assim, mandou uma mensagem dizendo, olha, o projeto está encaminhando, só que eu preciso de um sinal de 300 mil dólares. Custa 1 milhão e 600 mil dólares. Então, é um desafio. Daqui eu já estou pensando como é que eu vou fazer. É o tempo todo você articulando para que a instituição preste mais serviço com maior qualidade e maior humanização. Porque manter um hospital é um desafio muito grande. Por quê? Porque você tem que pôr seu centro cirúrgico para rodar. Existem pessoas precisando de uma cirurgia, no caso do câncer, que não pode ser amanhã, tem que ser hoje. Porque o câncer não espera. É a pior patologia. A ortopedia você estabiliza, o parto você realiza, algumas outras você consegue segurar. O câncer não. O tumor não para de agredir. Ou você tira pela cirurgia, ou você bloqueia com a quimioterapia ou a radioterapia. Então, os desafios são muito urgentes. E quando se fala em câncer pediátrico, pior ainda. Porque a velocidade com que o tumor na criança se manifesta e cresce é muito maior que no adulto. Então, o desafio de um dirigente de uma instituição e da própria instituição é 24 horas por dia pensando como eu vou fazer amanhã para que não aconteça amanhã o que está acontecendo hoje e assim por diante. Nós vivemos um estresse permanente. Porque nós lidamos com o que há de mais caro para nós, que é a vida. E de preferência, sem dor.

GABRIELA REFFATI: E assim, a saúde, ela… Quando a gente acha, não, está sob controle. Está tudo bem, fechamos, pagamos salário, pagamos os médicos. De repente vem, olha, estragou tal equipamento. Para consertar é 120 mil reais. Olha, nós precisamos urgente porque deu um vazamento na UTI. Pessoal de obra, precisamos ainda reorganizar os leitos, o que fazer. Então, nunca está sob controle. A gente tem sempre demandas do dia a dia, que vão acontecendo e que a gente precisa resolver. E tem as demandas que a gente tem que pensar curto, médio, longo prazo. Então, são desafios os diários que a gente vai matando os nossos leões por dia. E além destes, a gente tem que pensar… A gente não consegue acompanhar o crescimento. Principalmente quando a gente olha aqui para a nossa região que cresce muito rápido. Lá na área de câncer, a gente veio conversando o aumento de casos. Claro que é aumento populacional, mas aumento de casos. Então, a gente lida com essas… Estar sempre no limite. Estar sempre com a corda no pescoço para agir, para tomar decisões, para fazer. Porque a saúde não espera. Hoje você não tem tempo mais de fazer um planejamento estratégico com segurança.

LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Exatamente. O seu planejamento estratégico ele é feito assim, ele é refeito constantemente. Não sei se o senhor às vezes ouve falar, mas é aquela coisa. Mas como assim? Até mês passado os números eram uns e agora são outros. Sim. Os únicos números que permanecem são os das tabelas, né? Dos convênios e do SUS, esses permanecem os mesmos. Mas medicamentos, materiais são muito flutuantes. Então, a gente não consegue ter esse controle. É um paciente específico que está lá na UTI e ele precisa de uma dieta enteral que custa mil reais. Tu está recebendo dois mil reais pela diária para tudo daquele paciente ele precisa. Então, uma decisão é o tem que fazer. Não importa de onde vai ser. A gente vai ter que arranjar formas para fazer dar certo. Uma internação clínica no hospital de câncer, uma internação clínica no hospital de câncer, o paciente no SUS a conta fecha a cada cinco dias. A cada cinco dias você consegue faturar. É 600 reais. Não interessa o que ele consumiu nesses cinco dias. Tem paciente que consome mais de mil por dia. Porque o único antibiótico que vai atender é aquele. E não tem como trocar. Então, é o desafio. E eu falo para a Gabriela, tem que ter coragem. Tem que ter coragem para voltar hoje, para voltar amanhã, para voltar depois de amanhã. Mas a satisfação de ver que o seu trabalho junto com toda uma equipe está salvando vidas é o combustível.

CAMILA CARPENEDO: Eu acho que um ponto para a gente vir para as coisas boas é também entender que assim como vocês, tem muita gente que acredita nesses trabalhos que vocês desenvolvem e ajudam a sustentar tudo isso. E aí, antes da gente falar sobre a importância desse papel da comunidade nessa atuação dos hospitais, eu queria que a gente falasse de algumas conquistas recentes que transformaram a realidade dos hospitais que vocês hoje podem falar com orgulho de que, olha isso, com a mobilização das pessoas que acreditam assim como nós, isso aconteceu. Deu certo, né?

GABRIELA REFFATI: Um ponto é que a gente, por exemplo, aqui, estar à frente da instituição não significa estar sozinha. Então, além de termos hoje uma equipe e um corpo muito engajado, empenhado dentro do hospital, a gente tem também o senso de que a comunidade está conosco. Então, não estamos sozinhos nessa batalha, não estamos sozinhos no dia a dia, não estamos sozinhos olhando para os desafios e para tudo que a gente ainda tem que fazer. Nós acabamos de inaugurar o novo prédio da Hemodinâmica e das UTIs, é um prédio com quase mil metros quadrados. Foi uma obra de custo, ela teve mais de 20 milhões e ela foi toda feita com recursos de uma sociedade que se movimentou. Foram parceiros, foram doadores, foi o olhar de toda uma comunidade, seja de quais organizações, mas foi um olhar de toda a comunidade dizer vamos fazer isso acontecer. Então, é uma obra que a gente entrega para a comunidade utilizar e que, com certeza, foi possível porque a gente teve todo esse envolvimento, esse engajamento e esse olhar de colocar um pouco assim. Não é só responsabilidade de quem está lá, de uma fundação que são voluntários da sociedade que estão lá diariamente. Nós temos o presidente, o Sr. Marino Franz, que atua conosco diariamente. Ele sempre fala, vai dar certo. Então, a gente sempre acredita e se mobiliza muito com isso. E também com esse sentimento, principalmente que ele nos traz, enquanto representante da fundação, de que nós temos que envolver a sociedade e que a sociedade vai vir junto porque é um hospital que é de nós, para nós, para a nossa comunidade. Então, com certeza, esse é um ponto que a gente olha e que a gente consegue grandes feitos por causa de todo esse engajamento.

LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Maravilha isso, né? Hospital, uma coisa assim, um exemplo muito claro de momento. Há três anos atrás, nós imaginávamos que tínhamos que ampliar nossa campanha de prevenção pelo interior do Estado. Eu peguei e liguei para um parceiro e disse, cara, nós temos que fazer alguma coisa diferente. O que nós vamos fazer? Ele falou, já sei. Vamos lançar um ônibus e vamos equipá-lo. Vamos vender cotas. Numa noite, nós vendemos 60% das cotas. R$ 15 mil cada cota. Nós temos um ônibus que percorre o Estado de Mato Grosso. Semana passada ele desceu por aqui, não sei se parou aqui. Foi por aqui. Nós atendemos, ano passado, 26 mil pessoas. São cinco cidades por mês, uma média de 500 pessoas por cidade. Esse ônibus custou R$ 2 milhões, tudo de doação. Ali tem mamógrafo de última geração, equipamentos de coleta de PSA, consultório de ginecologia, gabinete dentário para fazer a detecção do câncer de boca. Nós temos quatro ou cinco especialistas que acompanham. E por que isso acontece? Não é bancado por convênio com o governo, é a sociedade. O Sicredi é um grande parceiro. Não sei se pode falar valor aqui, mas todo mês ele faz uma doação expressiva que nos ajuda a custear. Isso já vem de alguns anos. Então, é assustador o que nós estamos vendo. Segundo os especialistas, os estudiosos, o índice de detecção de câncer era de aproximadamente 2,5%, 3%. No universo dessa prevenção. Hoje passa de 10%. A vinda do pessoal do sul para o Mato Grosso com esse sol escaldante, agricultura, câncer de pele, assustador. O que nós fazemos? Levamos o pessoal para Cuiabá e já fazemos a cirurgia ali. Não se faz mais biópsia de pele lá. Já faz o procedimento. E, se precisa da sequência, ele já sai de lá com o agendamento da radioterapia, que é o caminho natural. Então, nesse momento, com a ajuda da sociedade, nós estamos devolvendo para a sociedade um serviço magnífico de prevenção. Imagina o impacto disso chegar nas comunidades que não têm nenhum acesso a esse serviço. Pensando no tamanho de Mato Grosso. Vai uma estrutura de assistente social, vai tudo.

BRUNO MOTTA: Acho que a gente pode começar aqui pela nossa região, Gabriela. Como que vocês avaliam realmente esse histórico, não só da Ouro Verde, mas do sistema, Sicredi, no caso do Hospital de Câncer, mas da Ouro Verde, no caso do Hospital São Lucas. Destacam vocês no econômico, no social, nesse apoio. Como que vocês avaliam essa trajetória, nesses últimos anos?

GABRIELA REFFATI: Na verdade, nós somos grandes parceiros. A gente, inclusive, muitas vezes, quando a gente conversa no hospital, o Sicredi praticamente faz parte. Então, às vezes, eu converso com a Magalhães de Hortz, não, mas a gente já conversa com o Sicredi. Na verdade, eles podiam até ter uma sala aqui conosco. Então, é muita parceria mesmo, em todos os sentidos. Hoje, a gente tem um trabalho junto na questão financeira. Nós temos serviços que o Sicredi nos presta, mas o além disso é saber que nós podemos contar. O Sicredi representou, podemos falar alguns números, mas, nos últimos anos, mais de 3 milhões em doações, em apoios a obras e construções. Fora, sempre que precisamos, vamos fazer um aporte para uma construção que vai reverter em serviços e nós vamos conseguir nos equilibrar, o Sicredi sempre foi parceiro, em todos os sentidos, olhando não só como uma instituição bancária, não só como uma instituição financeira, mas olhando como uma cooperativa, olhando como somos todos parte da mesma sociedade e estamos trabalhando em prol dessa sociedade. Então, é muito significativo essa parceria e que vai, muitas vezes, além. Nós já tivemos apoio, muitas vezes, no dia a dia mesmo. Vamos pedir um apoio para o RH do Sicredi? O que eles nos dão de ideias? Já tivemos um conselho que foi de empresários para a gente olhar junto a parte estratégica que o Sicredi fez parte. Então, são N situações diferentes em que há esse apoio e esse suporte. Por isso que eu falo muito na parceria, porque a gente sabe que a gente pode contar. E sempre que a gente tem alguma situação, nos ocorre, vamos conversar com o pessoal do Sicredi, porque a gente sabe que sempre surgem ideias novas, bacanas, de projetos que a gente vai estar juntos, tanto sociais, muitas vezes, também. A gente sabe que vamos fazer um evento, está com quem a gente vai contar. Lista começa, Sicredi. Então, eu falo muito da parceria mesmo, de saber que nós podemos contar com essa instituição, não só olhando por questão de ser uma instituição financeira, mas sim como parceira e como sociedade, como enxergar esse viés de nos apoiar.

LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Bom, lá no hospital a parceria tem sido mais financeira, mas muito importante. Nós reconstruímos o centro cirúrgico, fizemos seis novas salas. O apoio financeiro do Sicredi na aquisição dos equipamentos foi fundamental. Mais de um milhão de reais. Agora nós estamos com a parceria para a revitalização da recepção. Também já está em execução. E vários outros projetos, mas o mais importante de todos é essa da prevenção, porque essa garante a continuidade e leva direto para quem precisa a ajuda. Ela vai lá no centro da necessidade. Tem pessoas que nunca tinham estado na frente de um médico. Mas, olha só, com o apoio do Sicredi, nós conseguimos manter essa campanha. E não é o apoio só financeiro para o custeio. Muitas cidades, a conta do hotel onde ficam os nossos médicos, o Sicredi é que paga. Já está resolvido, o Sicredi já autorizou. O pessoal do Sicredi, no dia, às vezes, quando acontece o final de semana, estão lá todo mundo de camiseta servindo lanche. Essa parceria dos dois lados transmite acolhimento e simplicidade. Não é por ser o diretor-presidente do hospital que estou distante daquela pessoa mais humilde. O gerente, o diretor do Sicredi, também está suscetível a tudo isso. E ele não cria esse abismo. Isso é muito importante. E essa parceria, toda vez que nos reunimos, tive a oportunidade de conversar com o pessoal lá em Cuiabá. O seu Eudir já esteve lá conosco algumas vezes. É muito importante essa parceria. Porque são duas situações totalmente diferentes. Aqui se trabalha com dinheiro. Lá se trabalha com saúde. Mas, para ganhar dinheiro, preciso ter saúde. E, sem dinheiro, não se custeia a saúde. Então, são mãos que se apoiam para levar um resultado a quem mais precisa. Infelizmente, a oncologia, hoje, o principal acesso é o SUS. Não adianta. Porque o tratamento oncológico é muito caro. É muito caro. Por mais simples, um tratamento de próstata não sai por menos de 100 mil, 150 mil. Se tiver alguma… ter que implantar alguma coisa lá, uma prótese, passa de 200, 300 mil reais. Então, a maioria das famílias não tem um plano de saúde. Se não tem um plano de saúde, esquece. E o que a gente busca? O apoio de instituições, permitir que essas pessoas recebam esse tratamento.

BRUNO MOTTA: Acho que é legal a gente mencionar também que a cooperativa, no caso, o Sicredi, atua também como um instrumento para que a sociedade, no caso, seus associados, principalmente, possam fazer esse apoio a essas instituições. E um exemplo muito claro disso é o nosso fundo social.

LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Sim, fundamental isso. Eu ia comentar sobre isso. Nós recebemos agora, esses dias, mais de 300 mil reais. De uma campanha que foi feita com os associados. De uma campanha que é com os associados. Ela é extremamente voluntária. A pessoa não… Olha, existe… Foi entregue agora, dias atrás, lá em Cuiabá. Nós recebemos 300 mil reais. Magnífico isso! E, do fundo social, nós também viemos aqui no recebimento. Também fomos contemplados com nossos projetos. E é muito bacana também ver as outras instituições. A gente acaba… É a nossa, é a nossa. Mas, no dia do fundo social, tinham várias instituições. Cada uma com o seu trabalho. Lá na ponta, fazendo ações de voluntários. Levando, seja esporte para a comunidade, seja lazer, cultura. Mas, cada instituição, com o seu propósito, trazendo os seus projetos. E algumas instituições quase não acreditando que estão sendo apoiadas e aportadas. Porque nem só de ideais se vive. As instituições precisam ter como custear essas ações. Então, do fundo social, é muito bacana. A gente vê as outras instituições pequenas e que dependem, muitas vezes, disso para a sua continuidade. E trazer essa consciência no associado, que não é um papel fácil. A gente sabe que chegar na ponta e trazer isso… Vamos vestir a camisa com a gente? Vamos doar os R$ 70? Não é fácil. Então, é um trabalho que se faz, que o Sicredi faz. E que chega lá no final, na hora de distribuir o fundo social, a gente vê quantas pessoas impactadas vão ter com essas ações. Não só olhando para a nossa instituição, mas olhando no todo essa questão do fundo social.

GABRIELA REFFATI: E quando você traz, Gabriela, esse ponto de trazer a consciência para os associados, eu me lembro também de uma história um pouco mais recente, que foi durante a pandemia. O quanto isso vai trazendo um processo até de aculturamento das pessoas, de entender que é importante olhar para essa atuação em prol das instituições e fazer isso por meio da cooperativa. Eu lembro que, na pandemia, muito rapidamente, toda aquela situação acontecendo em 2020, a cooperativa colocou nas suas assembleias, olha, vamos destinar um valor a mais, um aporte a mais do nosso fundo social, exclusivamente para atuar com a saúde. E isso foi rapidamente aprovado pelos associados por esse entendimento da importância. E isso impactou diretamente, tanto as instituições de vocês, beneficiadas na época, quanto muitas outras instituições de Mato Grosso, que foram impactadas num momento tão difícil. Além disso, puxando a questão da pandemia, eu falo que a pandemia, para as instituições de saúde, ela foi solitária, sim. Porque quem pôde, se fechou em casa, se isentou e se protegeu. Nós que estávamos vivendo a saúde, fomos para o meio de tudo. Mas tivemos muito apoio. Tornou menos solitária pelo fato justamente da gente… Toda semana que a gente vivenciava um desafio diferente, tinha alguém do Sicredi entrando em contato. Como é que está a situação aí? O que vocês estão precisando? Era muito… A gente sabia que está tudo bem, está o caos, mas a gente tem esse apoio, vamos comprar ventilador mecânico, que foi uma das maiores urgências. Mas era ventilador mecânico, era medicamento, que um dia custava R$3,00, o outro dia custava R$300,00. Então… E tudo foi muito apoiado no sentido… Vocês precisam do Sicredi? O Sicredi está aqui. Vamos fazer um aporte? Vamos movimentar a sociedade? Então, tornou menos difícil. Passamos e passamos, graças a Deus, sem faltar atendimento para ninguém. Montamos aí mais de 50 leitos de UTI em internações e fomos atendendo. Então, por toda justamente essa sensação de… Estamos todos ali olhando para essa causa e os associados também olharam. A gente teve aporte também na época que foi muito importante para a gente conseguir passar. Não falo com tranquilidade porque não foi, mas passamos.

LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: O hospital de câncer foi diferente. Ele recebeu esse aporte, Sicredi pôs dinheiro vivo para nós. Uma caixa de luva de procedimento custava R$4,00. Na semana seguinte custava R$40,00, depois foi a R$120,00. O que aconteceu no hospital? Nós não abrimos leitos extraordinários por conta da nossa especialidade. Porém, nós não podíamos dar alta para os nossos pacientes que não… Por exemplo, paciente de UTI. Ele sai da UTI e tem que ir para o leito. E foi ficando, porque ele não tinha para onde ir. Por exemplo, um paciente dela daqui de Lucas que estava com problema de câncer, que teve que ir para Cuiabá e depois precisava de um acompanhamento hospitalar. Ele ficou lá. Nós ficamos com superlotação, porque os nossos pacientes não podiam receber alta. E os custos explodiram. Ou seja, a nossa UTI tirava dali e tal. Tivemos que suspender a cirurgia por falta de leitos, porque não tinha como mandar esses pacientes embora. Então, assim, foi geral. Olha, mas eu acho que essa pandemia, apesar de tudo de ruim que ela trouxe, ela deixou uma coisa boa. Tem que ter solidariedade.

CAMILA CARPENEDO: Como que vocês entendem a importância, então, de instituições, assim como o Sicredi, faz? E vocês mesmos já trouxeram alguns outros exemplos de que a comunidade precisa estar sempre envolvida, para que as instituições consigam se sustentar. Então, como que a gente traz mais gente?

GABRIELA REFFATI: Eu acho que a grande questão que a gente enfrenta quando a gente fala de doações e do envolvimento da comunidade é uma barreira cultural. Nós temos uma sociedade que enxerga que alguém tem responsabilidade. O SUS vem com essa questão de saúde para todos, é um direito de todos, dever do Estado. E a gente sabe que, na prática, não é assim. Não existe um cofre público que sustente toda uma saúde da população. Então, hoje, a representação de leitos, ela é muito maior nos hospitais filantrópicos do que no restante dos hospitais. Então, hoje, o terceiro setor tem uma representação grandiosa na prestação de serviço público em saúde, mas ela não é de responsabilidade de um governo. Então, o que acontece se uma instituição filantrópica não consegue se sustentar e não consegue prestar serviços? Então, o Estado vai absorver? Não é assim. Então, o que se tem muito nessa questão cultural é das pessoas entenderem que a responsabilidade da saúde tem que ser prestada pelo Estado, é direito de todos, dever do Estado. E, na verdade, na prática, não é assim. Na prática, o olhar que nós temos que ter é em achar um equilíbrio para instituições filantrópicas, com o envolvimento da sociedade, prestando serviços tanto para a área privada, para convênios, muitas vezes, equilibrar a conta com o que o particular paga, equilibra a conta do SUS, e é essa a ideologia. Então, eu acho que um grande desafio para todos que se envolvem e que participam é a gente trabalhar nessa mudança cultural de fazer a comunidade entender esse senso de pertencimento. E, mesmo, eu acho que nós avançamos muito, não olhando a nível de Brasil, que é muito grande, mas, olhando só aqui, pelo menos para a nossa cidade, é uma comunidade que se envolve muito, que, quando a gente surge com ideias, são abraçadas. Nós também tivemos a doação de um automóvel, de uma Dodge RAM. Fizemos uma rifa, foi contemplado um empresário da cidade e ele doou a RAM novamente. E ela foi vendida, então, num automóvel que valia 300 mil, a gente conseguiu quase um milhão e compramos, investimos na obra, então fez parte de todo esse nosso novo prédio. Então, são ações, de fato, como essa, em que a sociedade se envolve, em que entende, eu faço parte. Nós tivemos muitas doações desse novo prédio, de produtores rurais locais, de pessoas que foram conhecer o hospital, realmente. Teve um em específico que me marcou muito, que foi um produtor rural, ele foi com o presidente da fundação, o presidente mostrou o hospital, olha, nós temos isso. Ele disse, nossa, que hospital, vocês estão fantásticos. A minha família toda foi atendida aqui. Eu, hoje, não preciso sair daqui para ser atendido. Eu vou ajudar, sim, na construção dessa nova ala. Eu sinto, eu tenho essa, eu sinto que vou fazer parte disso. E a nós, nossa, que ótimo, esperávamos, toquei, vai auxiliar. E ele fez uma doação de 500 mil reais. Então, se a gente pensar, nossa, e enxergar, olha o que as pessoas estão entrando dentro da nossa instituição, estão vendo, quando eu falo dos milagres acontecendo ali e se sentindo parte e entendendo. Eu também vou ver esse crescimento, vou participar desse crescimento junto. Nós temos a empresária da cidade, nós temos uma construtora, que é a BDR, que é a nossa grande parceira, que vem também nesse senso de cooperar, que essa obra eles já, nós vamos construir, nós vamos fazer a estrutura para vocês. E agora finalizou essa obra e ele já veio no final e disse, e aí? Qual vai ser a próxima? Então, a gente não precisa nem ir lá cobrar e dizer, vamos, ajuda de novo, vamos construir. Não. E aí? Qual vai ser a próxima? Vamos lá? Vamos fazer mais? Então, eu acho que também a credibilidade da gente entregar, acabamos de entregar uma obra lindíssima que vai atender a nossa população. Vão ser dez leitos destinados ao SUS de UTI, que a gente sabe que é uma demanda aqui da nossa região gritante. Então, eu acho que devolver isso para a comunidade também traz um grande impacto e uma credibilidade de dizer no próximo eu vou ajudar também, porque a gente sabe que vem mais serviços de saúde para a população.

BRUNO MOTTA: Olha só, pessoal, antes de a gente finalizar aqui, dois pontos que eu acho que a gente pode fazer até juntos, né, Camila? Que é uma mensagem. A gente gostaria de saber uma mensagem que vocês querem deixar para quem está acompanhando o podcast e que é indiretamente ou diretamente beneficiado pelo trabalho que vocês realizam e, junto a isso, quem está acompanhando, pensa em um trabalho voluntário, pensa em uma doação, pensa em algo nesse sentido. Como essa pessoa pode fazer ter acesso às instituições? E beneficiado, mas também quem indiretamente ou usando a cooperativa como um instrumento também apoia o trabalho de vocês, porque a gente também nesse podcast está falando para esses associados que nos acompanham que são, efetivamente, os doadores de todo esse trabalho quando a gente faz via Sicredi para as instituições. Então, acho que a mensagem para todos esses públicos aí. Pode começar.

GABRIELA REFFATI: A gente já repetiu muito isso na conversa, eu volto a falar, então, da questão da parceria e do conseguir chegar nesse associado trazendo toda essa importância de ser parceiro, de auxiliar as instituições, mas também de fazer parte. Aí, às vezes, as pessoas pensam, como que eu posso fazer parte? Como é que eu posso? Hoje nós temos várias iniciativas acontecendo no hospital, nós temos o nosso Instagram para dúvidas, temos compartilhado as ações, temos hoje o nosso banco de leite, que ele trabalha 100% para atendimento da nossa população, para atendimento dos nossos bebês da UTI neonatal, e que tem muitas ações voltadas à comunidade. Então, eu acho que além do olhar de, ah, eu vou doar um recurso, não, não consigo, mas eu posso, existem várias outras formas da gente se sentir parte e conseguir auxiliar. Então, nós temos vários projetos, quem tiver interesse, buscar o nosso Instagram, temos também algumas ações internas do hospital, temos doadores da alegria, temos projetos de música, e claro que vamos ter sempre ações voltadas para o nosso crescimento, que é o que nós precisamos sempre estar correndo contra o tempo em função do crescimento da população. Então, já estamos pensando em novos projetos, em aumento, novamente, da instituição, e com certeza vamos contar com toda a sociedade, contar com a cooperativa, e contar com todo esse apoio, e a nossa grande expectativa, com tudo, com todos esses desafios diários, com todas essas lutas que a gente enfrenta no curto, médio e longo prazo, o nosso grande lema é prestar assistência e saúde de qualidade. Então, essa é a nossa maior busca da nossa fundação, de nós do hospital, tenho certeza de todos os nossos colaboradores, o nosso time, todos os nossos médicos, nós temos uma equipe muito engajada, uma equipe que realmente veste a camisa, uma equipe muito orgulhosa, quando a gente coloca os vídeos e coloca as ideias para as equipes, assim, é muito bom ver esse orgulho deles, nossa, eu tenho muito orgulho do meu hospital, do hospital que eu trabalho. Então, isso é muito bom, porque a gente sabe que realmente está todo mundo no mesmo sentido, que é prestar assistência de saúde, de qualidade, para a nossa população.

LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Pois é, não sei se vocês olharam no calendário, mas, coincidentemente, hoje é o dia mundial do hospital. Nós temos uma mensagem muito bonita no nosso Instagram. Nós não tínhamos visto. Nós temos uma mensagem muito bonita no Instagram do hospital. Como que as pessoas podem participar? Nós temos lá os grupos de voluntariado, nós estamos em todas as redes sociais, YouTube, Instagram, Facebook, eu mandei tirar só do TikTok, não estava legal. Lá tem todo um caminho para participar. O hospital, ele lida com algumas restrições, porque o nosso paciente, ele é especial, ele tem a imunidade baixa, mas a participação da sociedade é fundamental. Seja através de doações, seja através… Nós temos um grupo de orações, nós temos papelaria lá dentro do hospital, todas as crenças, não há restrição. Nós temos o setor de voluntários, que é um espaço muito grande, também foi doado por parcerias. O hospital é aberto a isso e precisa disso. Isso é que é fundamental. Você disse uma frase há pouco, que sem essa ajuda, muitos hospitais não funcionariam. E é verdade, é verdade, porque é muito dinâmico o hospital, como a Gabriela disse. Estamos construindo, temos mais a construir. O hospital não para. Ou ele cresce ou ele muda internamente. Ele tem que estar se modernizando porque as normas de segurança, cada dia são maiores e mais exigentes, graças a Deus. Isso permite que você reduza infecções hospitalares e tudo mais. Então, nós estamos em todas as redes sociais. Para o nosso parceiro Sicredi, eu deixo uma mensagem. O que você fez até hoje foi muito importante. Você pode fazer mais, não só doando, mas divulgando, mostrando o que essa instituição faz pela sociedade de Mato Grosso. Nós temos um lema, que é cuidar de gente e salvar vidas. Essa é a nossa missão. Nós fazemos isso há 25 anos e queremos fazer outros tantos e mais tantos. Eu agradeço a vocês a oportunidade de mostrar o hospital para o seu associado. Agradeço a direção do Sicredi, a todos os Sicredis, vamos dizer assim, especialmente a quem Lucas, que nos convidou, e dizer que nós estamos lá prontos para recebê-los nas demandas que forem colocadas. O hospital de câncer é de Mato Grosso. É de toda a sociedade.

CAMILA CARPENEDO: E nós agradecemos imensamente pelo tempo dedicado, pela vinda de vocês até aqui, né, Bruno, como falamos no início, para a gente tratar desse tema, para a gente mostrar esse trabalho belíssimo que os dois hospitais desenvolvem. Quero parabenizar vocês dois pela condução desses trabalhos e agradecer novamente por estarem aqui com a gente e para a gente deixar essa mensagem tão importante para quem está nos assistindo, né, Bruno. Então, obrigada Gabriela Reffati, diretora executiva do Hospital São Lucas e Laudemir Moreira Nogueira, diretor-presidente do Hospital de Câncer de Mato Grosso. Muito obrigada de coração por estarem aqui com a gente.

BRUNO MOTTA: Obrigada e até a próxima!

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