No episódio 23 do podcast Raízes Ouro Verde, recebemos Alexandre Furlan, presidente do Conselho das Relações de Trabalho da CNI, e Silvio Rangel, presidente da FIEMT, para uma conversa sobre o papel estratégico da indústria mato-grossense no cenário nacional.
O episódio aborda o crescimento da agroindústria, a importância da qualificação profissional e o impacto das instituições como SESI, SENAI e IEL no desenvolvimento regional. Uma reflexão sobre os caminhos que a indústria tem trilhado e as oportunidades que se abrem para as próximas gerações.
Eles falaram sobre a relevância e os desafios dessas instituições filantrópicas que são pilares no atendimento à saúde da população mato-grossense. A dupla ainda destacou o papel fundamental da comunidade e do cooperativismo na construção e manutenção desses serviços essenciais.
Um episódio emocionante sobre a importância da solidariedade e do envolvimento da sociedade para a sustentabilidade da saúde pública.
BRUNO MOTTA: Oi, pessoal, bem-vindos a mais um episódio do podcast Raízes Ouro Verde. É muito bom ter cada um de vocês nos acompanhando nesse projeto que celebra os 35 anos da Cooperativa Sicredi de Ouro Verde e que, neste ano, tem trazido muitas histórias aqui nesse espaço que foi preparado com muito carinho para cada um que nos acompanha e que tem nos acompanhado durante toda essa trajetória, né, Camila?
CAMILA CARPENEDO: Oi, gente, muito feliz em ter vocês com a gente em mais um episódio. Nós estamos, então, nessa segunda temporada do Raízes Ouro Verde, que é a nossa temporada que a gente está chamando de relevância, porque a gente está falando do nosso papel, da nossa cooperativa, dos diferentes setores da nossa sociedade.
E, hoje, a gente vai tratar de um tema que é a indústria, especialmente a indústria mato-grossense. E, para isso, a gente está aqui com dois convidados muito especiais que eu já começo agradecendo pela disponibilidade de estarem aqui com a gente nesse momento, que é o Alexandre Furlan, presidente do Conselho das Relações de Trabalho da Confederação Nacional da Indústria, CNI, e o Silvio Rangel, presidente do Sistema FIEMT e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria. E, também, os dois associados da Sicredi de Ouro Verde.
Sejam muito bem-vindos e muito obrigada pela participação aqui no Raízes Ouro Verde.
ALEXANDRE FURLAN: A gente é que agradece, né, Silvio, a oportunidade de estar aqui e dialogar um pouquinho com as pessoas que nos ouvem, que nos assistem sobre a importância do sistema cooperativo não só no nosso estado, mas acompanhando o desenvolvimento da nossa indústria.
SILVIO RANGEL: Bom, eu queria agradecer, Bruno, Camila, também ao nosso amigo e companheiro aqui, o Furlan, pela oportunidade de a gente estar podendo falar um pouquinho aqui da nossa indústria, do nosso desenvolvimento, né, ao longo dos anos, e, principalmente, com o apoio que o Sicredi tem dado para a indústria.
BRUNO MOTTA: Muito bem, vamos lá. Antes da gente começar a falar, realmente, da atuação da indústria aqui na nossa região, no início do nosso podcast, a gente pede para que vocês falem um pouco mais das raízes de cada um. Então, eu gostaria de saber e gostaria que vocês se apresentassem, né, para quem está nos acompanhando, quem é o Alexandre, quem é o Silvio.
ALEXANDRE FURLAN: Começo? Então, vamos lá. Meu nome é Alexandre Furlan. Eu já nasci dentro de uma indústria, em Concórdia, em Santa Catarina, porque o meu pai já trabalhava na Sadia, que passou a ser, depois de muitos anos, a maior companhia de alimentos do Brasil.
Hoje já está… virou BRF, já está lá com a Marfrig, mas comecei… Então, nasci em Concórdia, depois meu pai foi transferido para Toledo, aí fui fazer faculdade em Porto Alegre, me formei em Direito e Administração de Empresas e vim para Mato Grosso, no dia 5 de março de 87. Então, com 26 anos, para coordenar uma área jurídica da Sadia aqui, no Mato Grosso, e aqui fiquei. Depois passei pela presidência da Federação das Indústrias no ano 2000.
Tenho hoje uma indústria aqui no Estado, já há 22 anos, que é a Plastibras, também associada do Sicredi, e desenvolvo alguns trabalhos ainda na área de Relações do Trabalho, na CNI, como as discussões todas que giram em torno da questão de relação de emprego, de relação de trabalho. Hoje tem temas importantes que estão sendo tratados por aí, a questão da pejotização, a questão do trabalho em plataformas, quer dizer, para onde caminha, com a inteligência artificial, as relações de trabalho pelo mundo. Mas, historicamente, foi isso.
Tenho Direito e Administração de Empresas na formação, e já estou aqui em Mato Grosso há 38 anos.
SILVIO RANGEL: Silvio Rangel, atualmente presidente da Federação das Indústrias, e vice-presidente da CNI, Confederação Nacional da Indústria, e também estou à frente, como presidente, de um sindicato que é de bioenergia, que é o BioInd. Já estou no terceiro mandato e cheguei a Mato Grosso em janeiro de 83.
Então, tenho um pouquinho mais de Mato Grosso do que o Furlan. Vim com 15 anos de idade e, de lá para cá, tive família aqui, constituída aqui, a minha esposa é cuiabana, dois filhos cuiabanos, dois netos também já. E vou falar do amor que eu tenho por Mato Grosso, não só pela questão da família, mas por essa terra.
Então, acho que é aqui que a gente resolveu fincar raízes, e aqui que a gente tem oportunidades e teve as oportunidades. Sou formado em Economia e Direito, e algumas pós-graduações na área de bioenergia também.
CAMILA CARPENEDO: Que legal ouvir as histórias também de dois pioneiros, já estão há tanto tempo na indústria mato-grossense.
E vamos falar um pouquinho dessas duas entidades, então, que estão representadas também aqui, nesse momento. Seja a FIEMT, seja a CNI, também representada por dois profissionais mato-grossenses, então, nessa mesa. Vamos explicar um pouquinho para o pessoal como que a atuação hoje da FIEMT pode ser e também a nossa atuação na CNI.
SILVIO RANGEL: O sistema FIEMT, então, é constituído por mais três instituições. A Federação das Indústrias, o SESI, o SENAI e o IEL. E cada instituição dessa tem um trabalho à frente da indústria.
O SESI cuida da parte social, a parte de lazer, e também da saúde e segurança do trabalhador. O SENAI, por sua vez, é a parte de capacitação, das habilidades de um profissional da indústria. Então, tem tanto o curso técnico como o curso também superior, através de uma faculdade que a gente tem, que é a FATEC.
É um trabalho, realmente, de trazer pessoas, às vezes, fora do mercado do trabalho para dentro do mercado do trabalho. Esse é um papel importante no Estado, que tem índice de desemprego nos últimos anos, vai ficar em primeiro, segundo ou terceiro. Então, a gente tem uma falta de pessoas para o trabalho e a gente faz esse trabalho com algumas parcerias com o governo, Estado, prefeituras, indústrias.
E nós temos o IEL também, que é um braço da parte de pesquisa, desenvolvimento do empresário também, com curso de capacitação para o empresário, e também a parte de inovação e tecnologia que está tanto no SENAI como no IEL. Então, nós temos esse trabalho desenvolvido por essas entidades. E o papel da Federação das Indústrias, junto com mais 37 sindicatos que nós temos hoje, que são 17 setores, é de levar para o industrial o apoio necessário para que ele possa produzir de forma sustentável, de forma econômica, para que a gente possa gerar emprego, renda, gerar impostos, e esses impostos beneficiar a nossa população como um todo, com saúde, segurança, a parte de lazer, e, principalmente, educação, que eu acho que o vetor de educação, que o SESI também tem um papel na parte educacional, importante, porque eu acho que isso vai fazer com que nós, mato-grossenses ou brasileiros, possamos ter uma vida melhor no futuro.
ALEXANDRE FURLAN: Eu acho que a gente, só uma contextualização histórica, dentro disso que o Silvio está falando, a gente, a Federação das Indústrias, através das entidades SESI, SENAI e IEL, ela vem acompanhando, passo a passo, o desenvolvimento de Mato Grosso. Então, quando eu vim morar aqui, a gente sentia muita dificuldade na questão da mão de obra. Você tinha que trazer pessoas para cá de longe e, às vezes, as pessoas não se adaptavam.
Então, esse acompanhamento do desenvolvimento, acho que a Federação das Indústrias tem feito muito bem. E só para falar um pouquinho da CNI, a estrutura sindical no Brasil, ela tem os sindicatos na base, ela tem as Federações, as 27 Federações de Indústria, e a CNI, que é o nosso comando, vamos dizer assim, que é quem coordena todas as Federações e é quem tem, vamos dizer, o domínio institucional do SESI e do SENAI. O SESI e o SENAI são autônomos nos Estados, mas eles estão coordenados lá por cima.
Então, por exemplo, uma coisa importante, o que é importante termos em Mato Grosso? Que tipo de pessoas nós devemos qualificar para aquilo que Mato Grosso necessita? Não é a mesma coisa que São Paulo necessita, não é a mesma coisa que, eventualmente, o Rio Grande do Sul, que é um polo coureiro calçadista, necessita. Então, o importante é que a CNI, como guarda-chuva, vamos dizer, ela passa para as Federações de Indústria um apoio técnico. Por exemplo, o Silvio hoje tem todos os dados macroeconômicos do Brasil na mão.
Ou pelo Observatório da Indústria que ele tem aqui, em Mato Grosso, ou porque quaisquer coisas que ele precise em termos nacionais, em termos macro, a CNI pode auxiliar. Não só na área jurídica, como na área econômica, como na área de Saúde, Segurança e Trabalho, na área das novas regulamentadoras. Então, tudo isso.
A gente é, na verdade, um sistema. E esse sistema deve, em termos de Brasil, funcionar de forma harmônica. Uma coisa importante, só para não me estender nesse particular, é que, até alguns anos atrás, algumas Federações de Indústria tinham alguma coisa interessante e não compartilhavam muito as boas práticas.
E, de um tempo para cá, isso é um trabalho que o Silvio está fazendo, inclusive, muito. Por exemplo, semana passada, ele foi visitar o Ceará. O que era o Observatório da Federação do Ceará.
Então, nós temos intercambiado muito mais essas informações e cruzado essas melhores práticas entre Federações. Isso faz com que o sistema cada vez se fortaleça mais e a gente tenha um lobby propositivo para a indústria brasileira, tanto na Câmara quanto no Senado Federal, de forma tal que você consiga, através de políticas públicas, atender os anseios da indústria em termos de desenvolvimento.
SILVIO RANGEL: Só complementando o que o Furlan colocou, essa questão do Observatório é um ponto muito importante para nós hoje.
Hoje, o nosso Observatório é o Observatório de Mato Grosso. Então, ele traz dados, não só da indústria, mas da economia como um todo. E quando a gente vai para um determinado município, a gente faz um levantamento para entender quais são as necessidades daquele município, em termos de indústria, de empregabilidade, para que a gente possa ser mais assertivo nos cursos que a gente vai oferecer em determinadas regiões.
Então, isso é importante para a gente. E colocar também que o SENAI tem os Institutos SENAI de Tecnologia e Inovação. Então, nós temos mais de 86 institutos pelo Brasil todo e que são interligados.
Às vezes, eu não consigo trabalhar com um assunto aqui sobre inovação, tecnologia, mas eu vou buscar dentro do sistema, por isso que a gente fala sistema, em outro estado que possa trabalhar com aquele assunto. Então, acho que isso é importante só para contribuir.
CAMILA CARPENEDO: E quando a gente vai olhar para esse panorama da indústria, a gente entender o papel e representatividade da indústria de Mato Grosso hoje, para o Brasil e até um pouquinho desse olhar, desse crescimento dos últimos anos.
Como o Furlan falou, o sistema vem acompanhado exatamente desse crescimento. A gente tem observado um crescimento bem importante da indústria mato-grossense. Eu queria que vocês trouxessem um pouquinho desse cenário.
SILVIO RANGEL: Eu vou colocar assim, nos últimos 10 anos, é uma das indústrias que mais cresceu no Brasil. A gente realmente tem crescido muito e principalmente em alguns ramos, alguns setores, como de alimentos, principalmente a produção de carne, principalmente para exportação, uma área que o Furlan entende bastante, e também na parte de bioenergia, tanto na produção de biodiesel como de etanol. Nós, nos últimos anos, tivemos implantação de uma indústria nova, que é a indústria de etanol a partir do milho, e essa indústria nos favoreceu de um crescimento muito elevado.
Nós saímos da sétima colocação no país, em termos de produção, para a segunda posição, consolidada esse ano, e com a tendência do futuro que a gente possa até chegar em primeiro lugar, porque a gente ainda tem muito espaço de crescimento. Então, acho que é um setor que tem crescido bastante, mas principalmente nesse novo ciclo do Mato Grosso. O Mato Grosso cresceu, em todas as fases, parte agrícola, hoje nós somos grandes produtores de diversas commodities, mas é importante que a gente precise agora agregar valor, verticalizar a nossa produção, para que a gente realmente, ao invés de estar exportando produto, a gente possa industrializar aqui, agregando, gerando muito mais valor aqui dentro do Estado.
ALEXANDRE FURLAN: O que é importante a gente também, mas, de novo, uma retrospectiva histórica. Como é que o Mato Grosso começou? Como começaram os Estados lá do Sul? Primeiro, a indústria madeireira. Você tinha a exploração da madeira, você abria áreas onde você explorava madeira, e isso virava o que depois? Pecuária extensiva, pecuária de corte.
Então, nós passamos já por essas fases, depois o que veio depois? Depois veio, você tem soja e tem milho. O que é a soja e o milho? A soja e o milho são as proteínas vegetais que você pode transformar em proteína animal, que é o frango e o suíno. Então, a gente já passou por essas fases, por isso que dizem, eu não vou entrar na área que o Silvio falou, que ele já explicitou bem a área de bioenergia, mas dizem que o Mato Grosso vai ser o Estado provavelmente mais industrializado do Brasil nos próximos 20, 30 anos.
E por que isso? Porque a gente, passando esses patamares da verticalização que o Silvio está falando, vai chegar uma hora que a gente vai ter que ter indústria de ponta já, que você já passou por essas primeiras fases de agregação de valor. Então, você vai ter indústrias que estão além dessa indústria primária, vamos dizer assim, que transforma a proteína vegetal em proteína animal. Nós já estamos passando adiante disso.
Então, o importante é justamente saber que o Mato Grosso hoje, ele desponta como o Estado que mais cresce no Brasil, mas o Estado que também, e isso nós devemos, acho que, a um olhar integrativo que a gente tem entre a iniciativa privada e o governo atualmente, que é de você sair da 22ª posição do IDEB para a 8ª, é melhorar a educação, é melhorar a parte de qualificação profissional de professores, de infraestrutura no Estado que ainda precisa. Então, assim, nós somos um Estado que tem tudo para os próximos anos crescer. Por quê? Porque as instituições vêm fazendo o seu dever de casa ao longo dos últimos anos porque perceberam que não é só o governo que tem que tratar dos assuntos concernentes à população e ao desenvolvimento.
É a iniciativa privada que tem que capitanear isso. Quer dizer, o governo, como a gente sempre dizia, o governo não nos atrapalhando já está bom.
BRUNO MOTTA: E quando a gente olha, então, para a agroindústria, que eu acho que se a gente pensar lá na nossa região principalmente, hoje nós estamos gravando aqui de Cuiabá, que faz parte da área de atuação da Sicredi de Ouro Verde, mas a sede da nossa cooperativa está em Lucas do Rio Verde, Nova Mutum também é uma cidade da nossa área de atuação que tem um perfil bastante semelhante, e a agroindústria transformou a realidade desses municípios, assim como de outras cidades de Mato Grosso.
Como que vocês enxergam, então, o papel disso dentro da economia mato-grossense hoje?
SILVIO RANGEL: Eu colocaria, sim, como Lucas do Rio Verde, um caso, um exemplo muito positivo desta industrialização. Ao ponto que, hoje, Lucas, ele industrializa muito mais produtos do que se produz na região de Lucas. Então, é um caso de sucesso, realmente, e mostra que a indústria tem essa força de agregação, realmente, de valor, com indústrias importantes de etanol, de biodiesel, da parte de alimentos.
Então, aquela região ali é um modelo importante para que a gente possa fazer com que outras cidades possam ir nesse mesmo caminho. Ou seja, o momento que a gente chegar a agregar valor de mais de 100% do que a gente está produzindo de grãos, isso vai ser fantástico. E aí vai nesse caminho que foi colocado pelo Furlan.
A exemplo aí, nós temos, por exemplo, o algodão. Nós temos 73% do algodão do Brasil. Nós não temos aqui uma indústria da área de confecção.
Mas por quê? Porque ainda nós estamos num caminho de crescimento, através da fiação, e depois vem as outras indústrias, a tecelagem, a parte de cor da tecelagem. Isso realmente, ao longo do tempo, a gente entende que vai ter esses pontos positivos para a gente atrair novas indústrias de agregação, ou seja, de tecnologia alta, altamente tecnificada. E a indústria tem esse poder de atrair empregos tecnificados que pagam, muitas vezes, um valor maior.
E cria uma sinergia onde essa indústria está. Uma coisa importante. Nós falamos de uma região em que o conceito de sociedade para as pessoas que lá foram é diferente de outras regiões.
Por exemplo, eu fui secretário de Estado aqui de 2003 a 2008. Na época não era desenvolvimento…
ALEXANDRE FURLAN: precisava contextualizar o que foi contextualizado. Onde é que estava Mato Grosso? Qual é a importância do sistema nesse caminhar que Mato Grosso deu em relação ao desenvolvimento? Falamos das regiões, que vocês quiseram colocar, que as regiões se desenvolveram melhor. Acho que o Silvio foi muito feliz, agora, quando também colocou a parte dos Institutos SENAI de Tecnologia, que hoje você pode intercambiar necessidades ou boas práticas para lá e para cá.
E olhar o Mato Grosso no futuro é olhar um dos estados que vai mais desenvolver no país e mais crescer no país. E, para isso, a gente vai precisar contar com Federação de Indústria, com Sicredi, com as pessoas que, efetivamente, se preocupam com o desenvolvimento do estado, sem política, com política partidária, eu queria dizer.
CAMILA CARPENEDO: E aí eu queria puxar, mesmo que a gente está falando desse futuro e desse papel também dos jovens, eu queria que a gente fizesse essa mensagem final justamente com esse olhar, sabe? De como a gente vai trazer, então, essas pessoas que vão fazer esse futuro. Pode ser assim? Essa mensagem final é de engajamento, de pensar nessas pessoas, nesses jovens. Então, o que a gente vai trazer para que façam esse futuro de Mato Grosso? Seja trabalhando na indústria, seja empreendendo. Pode ser? Pode ser.
BRUNO MOTTA: Então, Kaique, tudo certo aí? Podemos seguir, não é? Você quer fazer a pergunta, querido? Pode, pode. Pode fazer. Posso fazer? Então, agora, já nos encaminhando para o final, já agradecendo vocês também por essa participação aqui no nosso Raízes Ouro Verde.
CAMILA CARPENEDO: Muitas boas histórias, né, Bruno, que ouvimos hoje aqui sobre esse futuro e esse papel da indústria em Mato Grosso e no Brasil. Vamos deixar uma mensagem final. Então, pensando nesse olhar para o futuro que nós falamos tanto, como nós vamos trazer essas pessoas, então, que vão fazer esse futuro da indústria mato-grossense? Queria deixar para a mensagem final de vocês.
SILVIO RANGEL: Eu acho que é uma parte muito importante. O governo tem feito um trabalho importante na questão de valorização da educação do Mato Grosso, igual foi colocado. Nós saímos da 22ª colocação para a 8ª. Esse ano deve ficar entre os cinco. Eu acho que a gente tem que pensar que o jovem, as crianças do Mato Grosso, é o futuro do nosso Estado e que a gente precisa investir cada vez mais nessas crianças através da educação, seja para trazê-las para o setor produtivo como um todo. A gente tem feito esse papel, desenvolver as crianças para o lado da robótica, da automação, de instigar ela realmente que ela possa fazer parte, que ela tem esse potencial que está ali e a gente vê o tanto que isso é importante.
Por quê? Quando a gente traz a robótica, você só não está mostrando para a criança que ela vai trabalhar com a robótica. Mas eles criam equipes que desenvolvem ao longo do tempo desse processo. E ali cada um tem um papel de desenvolvimento. Então tem uma atuação específica de cada um. Um é administrador da equipe, outro é o mecânico, outro é… Então cada um tem um papel. Então você desenvolve realmente a possibilidade daquela criança estar dentro da indústria, gostar realmente de fazer esse trabalho.
Então acho que o futuro são as crianças. É através da educação que a gente possa ter uma indústria mais forte, a transformação, a verticalização da nossa produção. Então esse novo ciclo econômico passa realmente pela educação. E a gente tem esse papel, acho que nós sabemos dessa oportunidade que a gente tem de transformar vidas. Então seja na inclusão de pessoas com deficiência também, é um papel importante que a gente faz. E a transformação das crianças, dos jovens, para que esse novo mundo do trabalho para ele seja alguma coisa mais interessante, mais importante, e que ele entenda que ele pode realmente fazer parte desse futuro e desse crescimento do Estado.
ALEXANDRE FURLAN: Eu acho que o meu recado iria para os pais desses jovens. Primeiro para incentivar os seus filhos a percorrerem o estudo como necessário para a formação. Porque além de princípios e valores que você carrega, que vem de berço, eu acho que os pais dessas crianças, que talvez tenham um pouco mais de dificuldade, eles deveriam transmitir aos seus filhos que eles não são piores e nem melhores do que ninguém. Que todos vivem em pé de igualdade no sentido de que, se eles batalharem e estudarem, eles vão chegar lá. Então assim, eu sempre digo uma coisa, comece pequeno, mas pense grande e ande rápido. Então que essas crianças que hoje nós conseguimos fazer no SESI, com que elas tenham uma visão diferenciada, e de repente se pegar um menino aqui da periferia de Cuiabá e colocar ele lá em Houston, nos Estados Unidos, numa competição, significa que qualquer um pode. Desde que ele tenha a força para isso, e a força começa dentro de casa. Começa em os pais pensarem que os filhos podem sim ter um espaço nesse mundo tão competitivo, se eles incutirem esses princípios e valores fundamentais de família, mas se eles disserem para os jovens, você não é pior do que o filho do rico, você é igual a ele. E se você for atrás da tua oportunidade, ela vai aparecer. E se você for melhor que o filho do rico, você vai ser melhor que ele no futuro.
CAMILA CARPENEDO: Muito obrigada, nós agradecemos, Bruno, Alexandre Furlan, Silvio Rangel, por esse momento aqui com a gente. Ficamos muito felizes em compartilhar essas conversas e agradecemos também pela contribuição de vocês dois para esse desenvolvimento da indústria mato-grossense, que tanto nos orgulha, e nós do Sicredi também nos orgulhamos de fazer parte e poder também contribuir com esse desenvolvimento. Obrigada pela participação de vocês aqui.
SILVIO RANGEL: Nós que agradecemos, Camila e Bruno, por estar aqui junto com o Furlan e bater esse papo gostoso aqui dentro do Raízes Ouro Verde. Para a gente realmente foi um prazer estar aqui. Obrigado.
ALEXANDRE FURLAN: Da mesma forma, fiquei muito feliz e acredito que vocês estão no caminho certo no sentido de explicitar aquilo que é o Sicredi, aquilo que são as raízes do cooperativismo, para todo mundo aqui em Mato Grosso. Muito obrigado.
BRUNO MOTTA: Muito bem, muito obrigado também a você que nos assistiu em mais um episódio do podcast Raízes Ouro Verde, esse projeto que já contou tantas histórias, né, Camila? Já passaram tantas pessoas por aqui, mas que ainda tem muita coisa pela frente. Continue acompanhando, seja no nosso site sicrediouroverde35anos.com.br, seja nas nossas redes sociais, no Spotify, todos os episódios passados já estão lá e todos os que ainda estão por vir. Continue com a gente. Até semana que vem!
BRUNO MOTTA: Isso, Camila. Olha, agora nessa segunda temporada, a gente já falou isso aqui antes, mas é sempre bom reforçar, né? É uma segunda temporada que trata da relevância do Sicredi Ouro Verde. Então, por aqui, muitas histórias de pessoas que atuam na nossa região e que fazem realmente a diferença junto com a nossa cooperativa.
CAMILA CARPENEDO: Hoje não é diferente. Hoje nós vamos falar de saúde. E por isso, nós estamos recebendo aqui hoje a Gabriela Reffati, que é diretora executiva do Hospital São Lucas, aqui de Lucas do Rio Verde, e o Laudemir Moreira Nogueira, presidente e diretor do Hospital de Câncer de Mato Grosso. Duas instituições que prestam trabalho muito importante para a nossa região, né, Camila? É isso mesmo. E sejam muito bem-vindos. Uma alegria receber vocês aqui no estúdio da nossa cooperativa, aqui na nossa sede, em Lucas do Rio Verde, para a gente falar um pouquinho, principalmente, da atuação, né, dessas duas instituições tão importantes para a saúde do nosso Estado e também da nossa relação tão próxima, né, entre a nossa cooperativa e essas duas instituições. Então, sejam muito bem-vindos. Muito obrigado. Muito bem.
BRUNO MOTTA: Olha, a gente geralmente começa falando muito sobre as raízes dos nossos convidados e hoje esse ponto das raízes será um pouquinho diferente. A gente quer saber as raízes da Gabriela, as raízes do Laudemir ligadas ao trabalho que vocês prestam hoje. Como que foi essa conexão com a área da saúde, essa conexão atual com os hospitais que representam? Começa aí, Gabriela.
GABRIELA REFFATI: Vamos lá, então. Eu sou a Gabriela, eu sou enfermeira de formação, então sempre atuei na área da saúde, né? Iniciei no Rio Grande do Sul, minha formação é em Porto Alegre e depois morei um tempo fora do Brasil, na Austrália, fiz alguns cursos e retornei e já retornei para o Mato Grosso. Trabalhei em Cuiabá e depois de Cuiabá vim para Lucas do Rio Verde, isso há 11 ou 12 anos atrás. Quando eu vim para Lucas do Rio Verde, o hospital tinha 36 leitos e eu até vim sem conhecer, sem conhecer o hospital e o prefeito na época, que era o Otaviano, ele disse, não, vamos para lá, você vai trabalhar, o hospital é grande e eu cheguei e disse, nossa, o hospital tem 36 leitos. Ele disse, não, mas nós vamos ficar muito grandes e hoje nós estamos aí com quase 200 leitos, então realmente ficamos grandes e vamos ficar cada vez maiores, né? Hoje estamos representando aí o atendimento de mais de 120 mil pessoas, hoje credenciadas aqui na atenção primária, né, do nosso município, fora toda demanda de convênios e particular. Então, uma grande representatividade aí na história de Lucas, né, o nosso Hospital São Lucas.
LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Obrigada, Gabriel. Bom, meu nome é Laudemir Moreira Nogueira, eu sou advogado, mato-grossense e eu chego em Cuiabá para fazer faculdade. Me formo, constituo minha família, monto escritório, assessoro empresas, fui advogado do Banco Bradesco durante vários anos e nesse tempo eu conheço alguns médicos que lutavam para pôr em funcionamento o hospital de câncer, que era um prédio inacabado. São 23 mil metros de área construída e fui ajudá-los nessa luta. No primeiro dia que eu estive lá, vi aquele monumento inacabado, aquela coisa que precisava funcionar, me apaixonei por aquilo e estou lá até hoje. Eu brinco que eu li a ata de abertura do hospital, mas é verdade. E aí passei a ocupar conselhos, conselho fiscal, conselho deliberativo, vice-presidência, até que me convenceram em 2015 a me tornar presidente. Estou lá até hoje. Na época que o começo da presidência, o hospital tinha feito, em 2014, 47 mil atendimentos. O ano passado nós fizemos 252 mil atendimentos.
CAMILA CARPENEDO: Eu queria que vocês contassem, Gabriela, talvez não participou do início do Hospital São Lucas, chegou há pouco mais de 10 anos, pelo que você falou. O Laudemir, pelo que eu entendi, participou, então, desde muito do início ali do Hospital de Câncer, pelo menos da implementação dele, a abertura. Vamos contar um pouquinho dessa trajetória dessas duas instituições, então, né? Esse crescimento tão expressivo, no caso do Hospital São Lucas, que cresceu acompanhando essa necessidade dessa nossa região. O Hospital de Câncer, da mesma forma, acompanhando toda essa necessidade de Mato Grosso.
GABRIELA REFFATI: O Hospital São Lucas, ele nasceu em 1999. Em 2003, foi constituída a Fundação Luverdense de Saúde. Então, eu falo que a gente tem aí uma característica em comum, quando a gente olha para as nossas instituições, o Sicredi e a fundação, que ela nasceu da vontade dos moradores, da nossa população, de fazer algo. Então, vamos nós, comunidade, aqui, estruturar um hospital, fazer uma fundação para que a gente tenha saúde. Então, sempre que a gente conta e que a gente revive um pouquinho da história da fundação, isso é muito marcante, assim. As fotos, os primeiros documentos, todos os participantes dessa fundação, desse conselho, são pessoas da sociedade que realmente disseram, vamos fazer uma instituição de nós, para a nossa população, para gerar esse atendimento e para trazer e fazer uma saúde de qualidade. Então, assim, ela já nasceu com essa intenção de fazer saúde de qualidade, de nós mesmos aqui, enquanto comunidade, nos unirmos para construir algo que nos atenda. Então, isso é muito marcante desde o início da fundação. E ela vem crescendo e continua trazendo esse espírito nela. Continua marcada por um conselho administrativo que são pessoas da nossa comunidade, são representantes da nossa comunidade, que estão ativamente lá, buscando melhorias, buscando investimentos com parceiros, assim como a gente já tem uma parceria de longo prazo com o Sicredi, no sentido, em amplos sentidos, de doações de apoio, inclusive de apoio com gestão, de apoio com estratégias educativas, com eventos. Então, assim, são várias linhas dessa parceria. Então, o hospital sempre teve essa característica muito forte. A fundação nasceu com essa característica de ser da sociedade. A sociedade fez, se falava antes assim, fizeram com as próprias mãos mesmo. E ela continua mantendo essa ideia e trazendo esse senso de pertencimento aí para a comunidade. Então, isso eu acho muito bacana.
LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: O hospital não é diferente, o hospital de câncer. Ele nasce de um desejo de um médico, o primeiro médico oncologista de Mato Grosso. Doutor Zé Leite Figueiredo, já falecido. Em 1954, ele cria a Associação Mato Grosso Centro de Combate ao Câncer, que é a dona do hospital de câncer. É uma entidade civil, em forma de associação, e filantrópica. Ali ele começa um sonho, lutar para que os pacientes oncológicos tivessem um espaço próprio para tratar. Essa luta vai, ela adormece, ela nasce. Nos anos 1980, chega em Cuiabá mais dois oncologistas que se unem a ele. O sistema dos hospitais, tanto aqui da Gabriela que de Lucas, ele é um sistema de cooperativa. São pessoas que se unem para construir algo que possa prestar serviço e atender uma demanda da sociedade. Naquele momento, Mato Grosso tinha dez leitos fictícios para oncologia em todo o estado. Não existia atendimento? O fictício porque era assim, lá no sul tem lá, Mato Grosso tem quantos leitos de oncologia? Dez leitos. Mas isso não quer dizer que tinha dez leitos. Não tinha nenhum aparelho de radioterapia voltado para isso. Aí começa o hospital, hoje tem dois aparelhos, tem braquiterapia, um centro cirúrgico enorme. Estamos concluindo agora uma UTI nova de 18 leitos, temos UTI pediátrica. Por exemplo, hospital Loucura, 24 horas por dia. Mas é um trabalho conjunto, um trabalho cooperativo também.
BRUNO MOTTA: Vocês trouxeram antes e agora também alguns números, né, Bruno, do que representa esses atendimentos. Eu queria que vocês trouxessem um pouquinho mais para que as pessoas pudessem entender também o que é hoje essa atuação dessas duas instituições. O que elas representam no caso do Hospital de Câncer para Mato Grosso, para esse atendimento especializado. No caso do Hospital São Lucas aqui para essa região.
GABRIELA REFFATI: Hoje o nosso hospital é o único da cidade, o único de Lucas do Rio Verde. Nós atendemos toda a nossa região aqui por meio de um contrato com o nosso município, onde a gente assume toda a demanda de saúde, né, desde a média até alta complexidade. Hoje nós temos em torno aí de 510 colaboradores. Estamos indo para uma expansão para em torno de 600, agora com as novas UTIs e hemodinâmica. Temos 6 salas cirúrgicas, que hoje realizam em torno de 950 cirurgias mês. Fazemos em torno aí de 5 mil atendimentos mês de urgência e emergência. Também atuamos bastante na parte da ginecologia obstetrícia, né, que é uma das nossas maiores demandas. E realizamos em torno de 135 partos mês aqui. Então, representamos aí esse atendimento, né? São, como eu falei antes, são mais de 120 mil credenciados, que o município tem credenciado na atenção básica. Então, a gente sabe que é a população que, por mais que não esteja residindo aqui, ela está buscando saúde aqui e está dentro do nosso atendimento, né, da nossa linha de atendimento. Então, hoje nós temos aí quase 200 leitos agora com essa ampliação e sempre pensando em expandir, porque a demanda ela vem mais rápida do que qualquer construção.
LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Por mais que o hospital esteja crescendo, como você disse. Exatamente. O hospital de Câncer, nós temos 130 leitos, num projeto agora de iniciar a expansão para mais 60. Mas é um hospital diferenciado, porque nós trabalhamos só com especialidade oncológica. Crescer o hospital muito não é a solução, ao contrário, é criar mais problemas. Porque nós vamos começar a absorver demandas que poderiam ser resolvidas em outras esferas. O que nos preocupa, em cima disso que a gente trabalha, é a modernização do hospital e a qualificação. Tanto é que nós temos várias residências. Nós temos residência em cirurgia oncológica, em clínica médica, em radioterapia, anestesiologia. Iniciamos de gastro, temos também de bucomaxilo, acho que faltou alguma. Nós hoje formamos médicos no estado, isso é muito importante. Temos também residência em UTI, tanto adulto quanto pediátrica. Porque há uma carência muito grande de profissionais no Mato Grosso. Você para buscar médico de fora, porque são especialistas, eles não vêm por pouco dinheiro. Nós temos 700 empregados CLT, fora empresas, prestadores de serviços que circulam. Mas com exceção de diagnóstico de imagem, todos os serviços são do hospital. Somente diagnóstico por imagem, que hoje é terceirizado, mas atua em nome e no interesse do hospital. Isso é um volume de serviços e de gente. Vocês para terem uma ideia, nós servimos no hospital 1.600 refeições por dia. É muita coisa. É muita coisa. A área é muito grande, você tem toda a manutenção. É um prédio muito bonito, mas custa muito caro. Mas eu volto a dizer, o que mais motiva é quando você entra naqueles corredores. Aconteceu um fato interessante agora recentemente. Eu sou da família de agricultores no interior do estado. E eu fui advogado de um tio durante muitos anos. Ele faleceu, ele era rico, os filhos deles todos bem de vida. Um casal de filhos, inclusive um deles é meu padrinho. Chegou e falou, nós vamos pegar um pedaço de uma das fazendas que nós recebemos e vamos doar para o hospital. Eu falei, o que eu vou fazer com isso? Ele falou, não, você vai ter uma ideia, você vai fazer alguma coisa. Nós tivemos uma ideia, Gabriela. Nós criamos uma nova clínica médica com 25 leitos. Nove leitos de isolamento com característica de semi-UTI. Com janelas enormes para fora ali, sabe, para o jardim. Fizemos um jardim lindo. Todas as camas com balança. Os isolamentos são maiores que essa sala aqui. Então, assim, humanização. Lá dentro tem área de convivência da família. Tem uma capela lá dentro. Quer dizer, o paciente não tem que se sentir em um ambiente de doença. A nossa grande preocupação é que o paciente se sinta em um ambiente que busca acolhimento. Muitas vezes ele sabe que está para morrer. E o paciente sente isso. Mas ele não precisa sofrer. Esse é o nosso lema lá. Não pode sofrer. Aí veio essa doação. Uma família, dois irmãos, doaram 4 milhões e 500 mil reais para o hospital. Cash. Montamos essa clínica linda. Então, isso é magnífico para nós.
CAMILA CARPENEDO: Quando a gente fala, né, Bruno, desse impacto, dessa atuação de vocês, dos números, né? Mil e seiscentas refeições, tantos leitos. A gente fala desse impacto direto, digamos assim, na saúde das pessoas, né? Mas como que vocês conseguem enxergar além disso, né? Nesse impacto em oferecer um serviço de saúde para quem, no caso do Hospital São Lucas, até um tempo atrás não tinha acesso. No caso do Hospital de Câncer, da mesma forma, não se tinha acesso. Vocês conseguem mensurar esse impacto para essas pessoas efetivamente atendidas? Esse impacto humano, né?
LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Eu vou dar um exemplo para vocês. Um dia desses eu estava saindo para almoçar e tinha um casal lá fora, o senhor na cadeira de rodas e ela segurando a cadeira e falando para ele assim, vamos, não tem problema. Ele, não, eu vou cair. Não, vamos, eu te seguro. Para onde que eles iriam? Eles iriam dar uma volta no prédio para acessar o serviço de radioterapia, porque por dentro só iria se fosse, né, como não era horário de atendimento deles. Aí eu cheguei e perguntei, o que vocês vão? Ah, vamos no setor de radioterapia. Aí eu falei, se o senhor confiar no piloto aqui, peguei ele com a cadeira de rodas e vai aqui, fecha a porta, abre a porta. Quando chegou lá, eu perguntei, vocês são de onde? Lá no Baixo Paraguai. Aí ele virou para mim e falou assim, quem é o senhor? Eu não costumo falar que eu sou o presidente. Eu falei, eu sou o presidente do Hospital de Câncer. A reação dele na hora, ele pulou em pé com dificuldade e me abraçou e começou a chorar. Gente, nesse hospital até o presidente pilota cadeira de rodas. Não, isso para mim não tem coisa mais gratificante. Não reconhecer o presidente, mas da pessoa poder ser atendida, alcançar o atendimento. Se sentir acolhida, né? Se sentir acolhida e com simplicidade. Isso para nós, para mim especificamente, então, é uma coisa muito gratificante. Vendo essas pessoas chegarem com dificuldade. Acessar um serviço de alta tecnologia, de altíssima complexidade. Para nós, assim, e salvar vidas, né? No momento de tanta vulnerabilidade dessas pessoas, né? Sim, muita dor. No caso de vocês, né? Porque no caso do câncer, a Gabriela sabe mais do que eu, porque ela é da área da saúde mesmo. O diagnóstico do câncer é quase que um atestado de óbito, não é isso? Se a pessoa não tem na família alguém que possa… Calma, vamos buscar uma informação mais segura e tal. É um atestado de óbito, quase.
GABRIELA REFFATI: E, na verdade, assim, também a gente, né? Nos desafios de estar à frente de instituições de saúde, o nosso olhar acaba estando… Eu preciso, né? Ter estratégias. Preciso ter estratégias, principalmente financeiras, né? Que são as nossas maiores dificuldades. Hoje, eu acho que para qualquer diretor de serviço de saúde, tem todos esses desafios diários de pensar na estratégia, pensar no financeiro. Então, a gente não olha, também, muitas vezes para o marketing e porque eu falo, assim, do pessoal lá fora enxergar o que acontece lá dentro. Então, às vezes, até quando está num dia, assim, pesado, às vezes a gente está em reunião e problema, problema e problema. Peraí, vamos… Eu falo até com as meninas, com as minhas gerentes. Vamos sair, vamos dar uma volta. Vamos olhar o hospital. Porque quando a gente anda, a gente vê os milagres acontecendo ali. Então, a gente vê… Olha, o bebezinho nasceu. Nasceu bem, graças a Deus. A pediatra avaliando. Chegou um paciente grave na emergência. Está sendo estabilizado, está tudo bem. A família está tranquila. Paciente na UTI tendo alta. Doadores da alegria. Então, a gente vê os projetos acontecendo lá dentro. Quando vê, às vezes, a gente está lá num dia tribulado, vem uma música, porque é um projeto de música acontecendo lá dentro. Então, está tudo acontecendo lá dentro, né? E a gente tem uma operação tão difícil do dia a dia, que às vezes a gente não consegue ter esse olhar. A gente que está ali dentro, imagina para quem está lá fora, né? Então, eu falo assim, é muito gratificante e é o que faz valer a pena, é justamente a gente ver tudo isso acontecendo. E ver as pessoas saindo com a sua saúde reestabelecida. Ver aquele amor nos profissionais de saúde, porque eu falo que quem está na saúde, não é por dinheiro, não é por status, é por amor, né? Que são pessoas que chegam lá, deixaram suas famílias em casa. Em sua maioria mulheres, na nossa instituição, são quase 90% mulheres. Então, assim, a gente vê um time todo, né? Dando o seu melhor, médicos, equipes. E aí a gente vê esses milagres acontecendo no dia a dia e aí a gente percebe, nossa, realmente é fantástico. O trabalho vale a pena.
BRUNO MOTTA: Olha só, Gabriela, você comentou agora, um dos desafios que a gente, de fora, né? Imagina que são enfrentados. Mas eu queria que vocês, antes da gente começar a falar ainda mais intenso aí sobre os pontos bons, os pontos positivos de todo esse trabalho, certamente existem desafios atuais que as instituições enfrentam. Atuais, quando eu digo atuais, é os desafios de hoje, né? Hoje, no dia dessa gravação, os desafios que vocês estão enfrentando. Queria que vocês comentassem um pouquinho sobre isso, pra gente entender realmente quais são as realidades.
LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: O hospital, nesse momento, antes de entrar aqui, eu recebo a negação. Nós precisamos adquirir um novo aparelho de radioterapia, um terceiro. O gerente da Elekta, que é a indústria do acelerador linear, que é o aparelho de radioterapia mais popular conhecido assim, mandou uma mensagem dizendo, olha, o projeto está encaminhando, só que eu preciso de um sinal de 300 mil dólares. Custa 1 milhão e 600 mil dólares. Então, é um desafio. Daqui eu já estou pensando como é que eu vou fazer. É o tempo todo você articulando para que a instituição preste mais serviço com maior qualidade e maior humanização. Porque manter um hospital é um desafio muito grande. Por quê? Porque você tem que pôr seu centro cirúrgico para rodar. Existem pessoas precisando de uma cirurgia, no caso do câncer, que não pode ser amanhã, tem que ser hoje. Porque o câncer não espera. É a pior patologia. A ortopedia você estabiliza, o parto você realiza, algumas outras você consegue segurar. O câncer não. O tumor não para de agredir. Ou você tira pela cirurgia, ou você bloqueia com a quimioterapia ou a radioterapia. Então, os desafios são muito urgentes. E quando se fala em câncer pediátrico, pior ainda. Porque a velocidade com que o tumor na criança se manifesta e cresce é muito maior que no adulto. Então, o desafio de um dirigente de uma instituição e da própria instituição é 24 horas por dia pensando como eu vou fazer amanhã para que não aconteça amanhã o que está acontecendo hoje e assim por diante. Nós vivemos um estresse permanente. Porque nós lidamos com o que há de mais caro para nós, que é a vida. E de preferência, sem dor.
GABRIELA REFFATI: E assim, a saúde, ela… Quando a gente acha, não, está sob controle. Está tudo bem, fechamos, pagamos salário, pagamos os médicos. De repente vem, olha, estragou tal equipamento. Para consertar é 120 mil reais. Olha, nós precisamos urgente porque deu um vazamento na UTI. Pessoal de obra, precisamos ainda reorganizar os leitos, o que fazer. Então, nunca está sob controle. A gente tem sempre demandas do dia a dia, que vão acontecendo e que a gente precisa resolver. E tem as demandas que a gente tem que pensar curto, médio, longo prazo. Então, são desafios os diários que a gente vai matando os nossos leões por dia. E além destes, a gente tem que pensar… A gente não consegue acompanhar o crescimento. Principalmente quando a gente olha aqui para a nossa região que cresce muito rápido. Lá na área de câncer, a gente veio conversando o aumento de casos. Claro que é aumento populacional, mas aumento de casos. Então, a gente lida com essas… Estar sempre no limite. Estar sempre com a corda no pescoço para agir, para tomar decisões, para fazer. Porque a saúde não espera. Hoje você não tem tempo mais de fazer um planejamento estratégico com segurança.
LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Exatamente. O seu planejamento estratégico ele é feito assim, ele é refeito constantemente. Não sei se o senhor às vezes ouve falar, mas é aquela coisa. Mas como assim? Até mês passado os números eram uns e agora são outros. Sim. Os únicos números que permanecem são os das tabelas, né? Dos convênios e do SUS, esses permanecem os mesmos. Mas medicamentos, materiais são muito flutuantes. Então, a gente não consegue ter esse controle. É um paciente específico que está lá na UTI e ele precisa de uma dieta enteral que custa mil reais. Tu está recebendo dois mil reais pela diária para tudo daquele paciente ele precisa. Então, uma decisão é o tem que fazer. Não importa de onde vai ser. A gente vai ter que arranjar formas para fazer dar certo. Uma internação clínica no hospital de câncer, uma internação clínica no hospital de câncer, o paciente no SUS a conta fecha a cada cinco dias. A cada cinco dias você consegue faturar. É 600 reais. Não interessa o que ele consumiu nesses cinco dias. Tem paciente que consome mais de mil por dia. Porque o único antibiótico que vai atender é aquele. E não tem como trocar. Então, é o desafio. E eu falo para a Gabriela, tem que ter coragem. Tem que ter coragem para voltar hoje, para voltar amanhã, para voltar depois de amanhã. Mas a satisfação de ver que o seu trabalho junto com toda uma equipe está salvando vidas é o combustível.
CAMILA CARPENEDO: Eu acho que um ponto para a gente vir para as coisas boas é também entender que assim como vocês, tem muita gente que acredita nesses trabalhos que vocês desenvolvem e ajudam a sustentar tudo isso. E aí, antes da gente falar sobre a importância desse papel da comunidade nessa atuação dos hospitais, eu queria que a gente falasse de algumas conquistas recentes que transformaram a realidade dos hospitais que vocês hoje podem falar com orgulho de que, olha isso, com a mobilização das pessoas que acreditam assim como nós, isso aconteceu. Deu certo, né?
GABRIELA REFFATI: Um ponto é que a gente, por exemplo, aqui, estar à frente da instituição não significa estar sozinha. Então, além de termos hoje uma equipe e um corpo muito engajado, empenhado dentro do hospital, a gente tem também o senso de que a comunidade está conosco. Então, não estamos sozinhos nessa batalha, não estamos sozinhos no dia a dia, não estamos sozinhos olhando para os desafios e para tudo que a gente ainda tem que fazer. Nós acabamos de inaugurar o novo prédio da Hemodinâmica e das UTIs, é um prédio com quase mil metros quadrados. Foi uma obra de custo, ela teve mais de 20 milhões e ela foi toda feita com recursos de uma sociedade que se movimentou. Foram parceiros, foram doadores, foi o olhar de toda uma comunidade, seja de quais organizações, mas foi um olhar de toda a comunidade dizer vamos fazer isso acontecer. Então, é uma obra que a gente entrega para a comunidade utilizar e que, com certeza, foi possível porque a gente teve todo esse envolvimento, esse engajamento e esse olhar de colocar um pouco assim. Não é só responsabilidade de quem está lá, de uma fundação que são voluntários da sociedade que estão lá diariamente. Nós temos o presidente, o Sr. Marino Franz, que atua conosco diariamente. Ele sempre fala, vai dar certo. Então, a gente sempre acredita e se mobiliza muito com isso. E também com esse sentimento, principalmente que ele nos traz, enquanto representante da fundação, de que nós temos que envolver a sociedade e que a sociedade vai vir junto porque é um hospital que é de nós, para nós, para a nossa comunidade. Então, com certeza, esse é um ponto que a gente olha e que a gente consegue grandes feitos por causa de todo esse engajamento.
LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Maravilha isso, né? Hospital, uma coisa assim, um exemplo muito claro de momento. Há três anos atrás, nós imaginávamos que tínhamos que ampliar nossa campanha de prevenção pelo interior do Estado. Eu peguei e liguei para um parceiro e disse, cara, nós temos que fazer alguma coisa diferente. O que nós vamos fazer? Ele falou, já sei. Vamos lançar um ônibus e vamos equipá-lo. Vamos vender cotas. Numa noite, nós vendemos 60% das cotas. R$ 15 mil cada cota. Nós temos um ônibus que percorre o Estado de Mato Grosso. Semana passada ele desceu por aqui, não sei se parou aqui. Foi por aqui. Nós atendemos, ano passado, 26 mil pessoas. São cinco cidades por mês, uma média de 500 pessoas por cidade. Esse ônibus custou R$ 2 milhões, tudo de doação. Ali tem mamógrafo de última geração, equipamentos de coleta de PSA, consultório de ginecologia, gabinete dentário para fazer a detecção do câncer de boca. Nós temos quatro ou cinco especialistas que acompanham. E por que isso acontece? Não é bancado por convênio com o governo, é a sociedade. O Sicredi é um grande parceiro. Não sei se pode falar valor aqui, mas todo mês ele faz uma doação expressiva que nos ajuda a custear. Isso já vem de alguns anos. Então, é assustador o que nós estamos vendo. Segundo os especialistas, os estudiosos, o índice de detecção de câncer era de aproximadamente 2,5%, 3%. No universo dessa prevenção. Hoje passa de 10%. A vinda do pessoal do sul para o Mato Grosso com esse sol escaldante, agricultura, câncer de pele, assustador. O que nós fazemos? Levamos o pessoal para Cuiabá e já fazemos a cirurgia ali. Não se faz mais biópsia de pele lá. Já faz o procedimento. E, se precisa da sequência, ele já sai de lá com o agendamento da radioterapia, que é o caminho natural. Então, nesse momento, com a ajuda da sociedade, nós estamos devolvendo para a sociedade um serviço magnífico de prevenção. Imagina o impacto disso chegar nas comunidades que não têm nenhum acesso a esse serviço. Pensando no tamanho de Mato Grosso. Vai uma estrutura de assistente social, vai tudo.
BRUNO MOTTA: Acho que a gente pode começar aqui pela nossa região, Gabriela. Como que vocês avaliam realmente esse histórico, não só da Ouro Verde, mas do sistema, Sicredi, no caso do Hospital de Câncer, mas da Ouro Verde, no caso do Hospital São Lucas. Destacam vocês no econômico, no social, nesse apoio. Como que vocês avaliam essa trajetória, nesses últimos anos?
GABRIELA REFFATI: Na verdade, nós somos grandes parceiros. A gente, inclusive, muitas vezes, quando a gente conversa no hospital, o Sicredi praticamente faz parte. Então, às vezes, eu converso com a Magalhães de Hortz, não, mas a gente já conversa com o Sicredi. Na verdade, eles podiam até ter uma sala aqui conosco. Então, é muita parceria mesmo, em todos os sentidos. Hoje, a gente tem um trabalho junto na questão financeira. Nós temos serviços que o Sicredi nos presta, mas o além disso é saber que nós podemos contar. O Sicredi representou, podemos falar alguns números, mas, nos últimos anos, mais de 3 milhões em doações, em apoios a obras e construções. Fora, sempre que precisamos, vamos fazer um aporte para uma construção que vai reverter em serviços e nós vamos conseguir nos equilibrar, o Sicredi sempre foi parceiro, em todos os sentidos, olhando não só como uma instituição bancária, não só como uma instituição financeira, mas olhando como uma cooperativa, olhando como somos todos parte da mesma sociedade e estamos trabalhando em prol dessa sociedade. Então, é muito significativo essa parceria e que vai, muitas vezes, além. Nós já tivemos apoio, muitas vezes, no dia a dia mesmo. Vamos pedir um apoio para o RH do Sicredi? O que eles nos dão de ideias? Já tivemos um conselho que foi de empresários para a gente olhar junto a parte estratégica que o Sicredi fez parte. Então, são N situações diferentes em que há esse apoio e esse suporte. Por isso que eu falo muito na parceria, porque a gente sabe que a gente pode contar. E sempre que a gente tem alguma situação, nos ocorre, vamos conversar com o pessoal do Sicredi, porque a gente sabe que sempre surgem ideias novas, bacanas, de projetos que a gente vai estar juntos, tanto sociais, muitas vezes, também. A gente sabe que vamos fazer um evento, está com quem a gente vai contar. Lista começa, Sicredi. Então, eu falo muito da parceria mesmo, de saber que nós podemos contar com essa instituição, não só olhando por questão de ser uma instituição financeira, mas sim como parceira e como sociedade, como enxergar esse viés de nos apoiar.
LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Bom, lá no hospital a parceria tem sido mais financeira, mas muito importante. Nós reconstruímos o centro cirúrgico, fizemos seis novas salas. O apoio financeiro do Sicredi na aquisição dos equipamentos foi fundamental. Mais de um milhão de reais. Agora nós estamos com a parceria para a revitalização da recepção. Também já está em execução. E vários outros projetos, mas o mais importante de todos é essa da prevenção, porque essa garante a continuidade e leva direto para quem precisa a ajuda. Ela vai lá no centro da necessidade. Tem pessoas que nunca tinham estado na frente de um médico. Mas, olha só, com o apoio do Sicredi, nós conseguimos manter essa campanha. E não é o apoio só financeiro para o custeio. Muitas cidades, a conta do hotel onde ficam os nossos médicos, o Sicredi é que paga. Já está resolvido, o Sicredi já autorizou. O pessoal do Sicredi, no dia, às vezes, quando acontece o final de semana, estão lá todo mundo de camiseta servindo lanche. Essa parceria dos dois lados transmite acolhimento e simplicidade. Não é por ser o diretor-presidente do hospital que estou distante daquela pessoa mais humilde. O gerente, o diretor do Sicredi, também está suscetível a tudo isso. E ele não cria esse abismo. Isso é muito importante. E essa parceria, toda vez que nos reunimos, tive a oportunidade de conversar com o pessoal lá em Cuiabá. O seu Eudir já esteve lá conosco algumas vezes. É muito importante essa parceria. Porque são duas situações totalmente diferentes. Aqui se trabalha com dinheiro. Lá se trabalha com saúde. Mas, para ganhar dinheiro, preciso ter saúde. E, sem dinheiro, não se custeia a saúde. Então, são mãos que se apoiam para levar um resultado a quem mais precisa. Infelizmente, a oncologia, hoje, o principal acesso é o SUS. Não adianta. Porque o tratamento oncológico é muito caro. É muito caro. Por mais simples, um tratamento de próstata não sai por menos de 100 mil, 150 mil. Se tiver alguma… ter que implantar alguma coisa lá, uma prótese, passa de 200, 300 mil reais. Então, a maioria das famílias não tem um plano de saúde. Se não tem um plano de saúde, esquece. E o que a gente busca? O apoio de instituições, permitir que essas pessoas recebam esse tratamento.
BRUNO MOTTA: Acho que é legal a gente mencionar também que a cooperativa, no caso, o Sicredi, atua também como um instrumento para que a sociedade, no caso, seus associados, principalmente, possam fazer esse apoio a essas instituições. E um exemplo muito claro disso é o nosso fundo social.
LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Sim, fundamental isso. Eu ia comentar sobre isso. Nós recebemos agora, esses dias, mais de 300 mil reais. De uma campanha que foi feita com os associados. De uma campanha que é com os associados. Ela é extremamente voluntária. A pessoa não… Olha, existe… Foi entregue agora, dias atrás, lá em Cuiabá. Nós recebemos 300 mil reais. Magnífico isso! E, do fundo social, nós também viemos aqui no recebimento. Também fomos contemplados com nossos projetos. E é muito bacana também ver as outras instituições. A gente acaba… É a nossa, é a nossa. Mas, no dia do fundo social, tinham várias instituições. Cada uma com o seu trabalho. Lá na ponta, fazendo ações de voluntários. Levando, seja esporte para a comunidade, seja lazer, cultura. Mas, cada instituição, com o seu propósito, trazendo os seus projetos. E algumas instituições quase não acreditando que estão sendo apoiadas e aportadas. Porque nem só de ideais se vive. As instituições precisam ter como custear essas ações. Então, do fundo social, é muito bacana. A gente vê as outras instituições pequenas e que dependem, muitas vezes, disso para a sua continuidade. E trazer essa consciência no associado, que não é um papel fácil. A gente sabe que chegar na ponta e trazer isso… Vamos vestir a camisa com a gente? Vamos doar os R$ 70? Não é fácil. Então, é um trabalho que se faz, que o Sicredi faz. E que chega lá no final, na hora de distribuir o fundo social, a gente vê quantas pessoas impactadas vão ter com essas ações. Não só olhando para a nossa instituição, mas olhando no todo essa questão do fundo social.
GABRIELA REFFATI: E quando você traz, Gabriela, esse ponto de trazer a consciência para os associados, eu me lembro também de uma história um pouco mais recente, que foi durante a pandemia. O quanto isso vai trazendo um processo até de aculturamento das pessoas, de entender que é importante olhar para essa atuação em prol das instituições e fazer isso por meio da cooperativa. Eu lembro que, na pandemia, muito rapidamente, toda aquela situação acontecendo em 2020, a cooperativa colocou nas suas assembleias, olha, vamos destinar um valor a mais, um aporte a mais do nosso fundo social, exclusivamente para atuar com a saúde. E isso foi rapidamente aprovado pelos associados por esse entendimento da importância. E isso impactou diretamente, tanto as instituições de vocês, beneficiadas na época, quanto muitas outras instituições de Mato Grosso, que foram impactadas num momento tão difícil. Além disso, puxando a questão da pandemia, eu falo que a pandemia, para as instituições de saúde, ela foi solitária, sim. Porque quem pôde, se fechou em casa, se isentou e se protegeu. Nós que estávamos vivendo a saúde, fomos para o meio de tudo. Mas tivemos muito apoio. Tornou menos solitária pelo fato justamente da gente… Toda semana que a gente vivenciava um desafio diferente, tinha alguém do Sicredi entrando em contato. Como é que está a situação aí? O que vocês estão precisando? Era muito… A gente sabia que está tudo bem, está o caos, mas a gente tem esse apoio, vamos comprar ventilador mecânico, que foi uma das maiores urgências. Mas era ventilador mecânico, era medicamento, que um dia custava R$3,00, o outro dia custava R$300,00. Então… E tudo foi muito apoiado no sentido… Vocês precisam do Sicredi? O Sicredi está aqui. Vamos fazer um aporte? Vamos movimentar a sociedade? Então, tornou menos difícil. Passamos e passamos, graças a Deus, sem faltar atendimento para ninguém. Montamos aí mais de 50 leitos de UTI em internações e fomos atendendo. Então, por toda justamente essa sensação de… Estamos todos ali olhando para essa causa e os associados também olharam. A gente teve aporte também na época que foi muito importante para a gente conseguir passar. Não falo com tranquilidade porque não foi, mas passamos.
LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: O hospital de câncer foi diferente. Ele recebeu esse aporte, Sicredi pôs dinheiro vivo para nós. Uma caixa de luva de procedimento custava R$4,00. Na semana seguinte custava R$40,00, depois foi a R$120,00. O que aconteceu no hospital? Nós não abrimos leitos extraordinários por conta da nossa especialidade. Porém, nós não podíamos dar alta para os nossos pacientes que não… Por exemplo, paciente de UTI. Ele sai da UTI e tem que ir para o leito. E foi ficando, porque ele não tinha para onde ir. Por exemplo, um paciente dela daqui de Lucas que estava com problema de câncer, que teve que ir para Cuiabá e depois precisava de um acompanhamento hospitalar. Ele ficou lá. Nós ficamos com superlotação, porque os nossos pacientes não podiam receber alta. E os custos explodiram. Ou seja, a nossa UTI tirava dali e tal. Tivemos que suspender a cirurgia por falta de leitos, porque não tinha como mandar esses pacientes embora. Então, assim, foi geral. Olha, mas eu acho que essa pandemia, apesar de tudo de ruim que ela trouxe, ela deixou uma coisa boa. Tem que ter solidariedade.
CAMILA CARPENEDO: Como que vocês entendem a importância, então, de instituições, assim como o Sicredi, faz? E vocês mesmos já trouxeram alguns outros exemplos de que a comunidade precisa estar sempre envolvida, para que as instituições consigam se sustentar. Então, como que a gente traz mais gente?
GABRIELA REFFATI: Eu acho que a grande questão que a gente enfrenta quando a gente fala de doações e do envolvimento da comunidade é uma barreira cultural. Nós temos uma sociedade que enxerga que alguém tem responsabilidade. O SUS vem com essa questão de saúde para todos, é um direito de todos, dever do Estado. E a gente sabe que, na prática, não é assim. Não existe um cofre público que sustente toda uma saúde da população. Então, hoje, a representação de leitos, ela é muito maior nos hospitais filantrópicos do que no restante dos hospitais. Então, hoje, o terceiro setor tem uma representação grandiosa na prestação de serviço público em saúde, mas ela não é de responsabilidade de um governo. Então, o que acontece se uma instituição filantrópica não consegue se sustentar e não consegue prestar serviços? Então, o Estado vai absorver? Não é assim. Então, o que se tem muito nessa questão cultural é das pessoas entenderem que a responsabilidade da saúde tem que ser prestada pelo Estado, é direito de todos, dever do Estado. E, na verdade, na prática, não é assim. Na prática, o olhar que nós temos que ter é em achar um equilíbrio para instituições filantrópicas, com o envolvimento da sociedade, prestando serviços tanto para a área privada, para convênios, muitas vezes, equilibrar a conta com o que o particular paga, equilibra a conta do SUS, e é essa a ideologia. Então, eu acho que um grande desafio para todos que se envolvem e que participam é a gente trabalhar nessa mudança cultural de fazer a comunidade entender esse senso de pertencimento. E, mesmo, eu acho que nós avançamos muito, não olhando a nível de Brasil, que é muito grande, mas, olhando só aqui, pelo menos para a nossa cidade, é uma comunidade que se envolve muito, que, quando a gente surge com ideias, são abraçadas. Nós também tivemos a doação de um automóvel, de uma Dodge RAM. Fizemos uma rifa, foi contemplado um empresário da cidade e ele doou a RAM novamente. E ela foi vendida, então, num automóvel que valia 300 mil, a gente conseguiu quase um milhão e compramos, investimos na obra, então fez parte de todo esse nosso novo prédio. Então, são ações, de fato, como essa, em que a sociedade se envolve, em que entende, eu faço parte. Nós tivemos muitas doações desse novo prédio, de produtores rurais locais, de pessoas que foram conhecer o hospital, realmente. Teve um em específico que me marcou muito, que foi um produtor rural, ele foi com o presidente da fundação, o presidente mostrou o hospital, olha, nós temos isso. Ele disse, nossa, que hospital, vocês estão fantásticos. A minha família toda foi atendida aqui. Eu, hoje, não preciso sair daqui para ser atendido. Eu vou ajudar, sim, na construção dessa nova ala. Eu sinto, eu tenho essa, eu sinto que vou fazer parte disso. E a nós, nossa, que ótimo, esperávamos, toquei, vai auxiliar. E ele fez uma doação de 500 mil reais. Então, se a gente pensar, nossa, e enxergar, olha o que as pessoas estão entrando dentro da nossa instituição, estão vendo, quando eu falo dos milagres acontecendo ali e se sentindo parte e entendendo. Eu também vou ver esse crescimento, vou participar desse crescimento junto. Nós temos a empresária da cidade, nós temos uma construtora, que é a BDR, que é a nossa grande parceira, que vem também nesse senso de cooperar, que essa obra eles já, nós vamos construir, nós vamos fazer a estrutura para vocês. E agora finalizou essa obra e ele já veio no final e disse, e aí? Qual vai ser a próxima? Então, a gente não precisa nem ir lá cobrar e dizer, vamos, ajuda de novo, vamos construir. Não. E aí? Qual vai ser a próxima? Vamos lá? Vamos fazer mais? Então, eu acho que também a credibilidade da gente entregar, acabamos de entregar uma obra lindíssima que vai atender a nossa população. Vão ser dez leitos destinados ao SUS de UTI, que a gente sabe que é uma demanda aqui da nossa região gritante. Então, eu acho que devolver isso para a comunidade também traz um grande impacto e uma credibilidade de dizer no próximo eu vou ajudar também, porque a gente sabe que vem mais serviços de saúde para a população.
BRUNO MOTTA: Olha só, pessoal, antes de a gente finalizar aqui, dois pontos que eu acho que a gente pode fazer até juntos, né, Camila? Que é uma mensagem. A gente gostaria de saber uma mensagem que vocês querem deixar para quem está acompanhando o podcast e que é indiretamente ou diretamente beneficiado pelo trabalho que vocês realizam e, junto a isso, quem está acompanhando, pensa em um trabalho voluntário, pensa em uma doação, pensa em algo nesse sentido. Como essa pessoa pode fazer ter acesso às instituições? E beneficiado, mas também quem indiretamente ou usando a cooperativa como um instrumento também apoia o trabalho de vocês, porque a gente também nesse podcast está falando para esses associados que nos acompanham que são, efetivamente, os doadores de todo esse trabalho quando a gente faz via Sicredi para as instituições. Então, acho que a mensagem para todos esses públicos aí. Pode começar.
GABRIELA REFFATI: A gente já repetiu muito isso na conversa, eu volto a falar, então, da questão da parceria e do conseguir chegar nesse associado trazendo toda essa importância de ser parceiro, de auxiliar as instituições, mas também de fazer parte. Aí, às vezes, as pessoas pensam, como que eu posso fazer parte? Como é que eu posso? Hoje nós temos várias iniciativas acontecendo no hospital, nós temos o nosso Instagram para dúvidas, temos compartilhado as ações, temos hoje o nosso banco de leite, que ele trabalha 100% para atendimento da nossa população, para atendimento dos nossos bebês da UTI neonatal, e que tem muitas ações voltadas à comunidade. Então, eu acho que além do olhar de, ah, eu vou doar um recurso, não, não consigo, mas eu posso, existem várias outras formas da gente se sentir parte e conseguir auxiliar. Então, nós temos vários projetos, quem tiver interesse, buscar o nosso Instagram, temos também algumas ações internas do hospital, temos doadores da alegria, temos projetos de música, e claro que vamos ter sempre ações voltadas para o nosso crescimento, que é o que nós precisamos sempre estar correndo contra o tempo em função do crescimento da população. Então, já estamos pensando em novos projetos, em aumento, novamente, da instituição, e com certeza vamos contar com toda a sociedade, contar com a cooperativa, e contar com todo esse apoio, e a nossa grande expectativa, com tudo, com todos esses desafios diários, com todas essas lutas que a gente enfrenta no curto, médio e longo prazo, o nosso grande lema é prestar assistência e saúde de qualidade. Então, essa é a nossa maior busca da nossa fundação, de nós do hospital, tenho certeza de todos os nossos colaboradores, o nosso time, todos os nossos médicos, nós temos uma equipe muito engajada, uma equipe que realmente veste a camisa, uma equipe muito orgulhosa, quando a gente coloca os vídeos e coloca as ideias para as equipes, assim, é muito bom ver esse orgulho deles, nossa, eu tenho muito orgulho do meu hospital, do hospital que eu trabalho. Então, isso é muito bom, porque a gente sabe que realmente está todo mundo no mesmo sentido, que é prestar assistência de saúde, de qualidade, para a nossa população.
LAUDEMIR MOREIRA NOGUEIRA: Pois é, não sei se vocês olharam no calendário, mas, coincidentemente, hoje é o dia mundial do hospital. Nós temos uma mensagem muito bonita no nosso Instagram. Nós não tínhamos visto. Nós temos uma mensagem muito bonita no Instagram do hospital. Como que as pessoas podem participar? Nós temos lá os grupos de voluntariado, nós estamos em todas as redes sociais, YouTube, Instagram, Facebook, eu mandei tirar só do TikTok, não estava legal. Lá tem todo um caminho para participar. O hospital, ele lida com algumas restrições, porque o nosso paciente, ele é especial, ele tem a imunidade baixa, mas a participação da sociedade é fundamental. Seja através de doações, seja através… Nós temos um grupo de orações, nós temos papelaria lá dentro do hospital, todas as crenças, não há restrição. Nós temos o setor de voluntários, que é um espaço muito grande, também foi doado por parcerias. O hospital é aberto a isso e precisa disso. Isso é que é fundamental. Você disse uma frase há pouco, que sem essa ajuda, muitos hospitais não funcionariam. E é verdade, é verdade, porque é muito dinâmico o hospital, como a Gabriela disse. Estamos construindo, temos mais a construir. O hospital não para. Ou ele cresce ou ele muda internamente. Ele tem que estar se modernizando porque as normas de segurança, cada dia são maiores e mais exigentes, graças a Deus. Isso permite que você reduza infecções hospitalares e tudo mais. Então, nós estamos em todas as redes sociais. Para o nosso parceiro Sicredi, eu deixo uma mensagem. O que você fez até hoje foi muito importante. Você pode fazer mais, não só doando, mas divulgando, mostrando o que essa instituição faz pela sociedade de Mato Grosso. Nós temos um lema, que é cuidar de gente e salvar vidas. Essa é a nossa missão. Nós fazemos isso há 25 anos e queremos fazer outros tantos e mais tantos. Eu agradeço a vocês a oportunidade de mostrar o hospital para o seu associado. Agradeço a direção do Sicredi, a todos os Sicredis, vamos dizer assim, especialmente a quem Lucas, que nos convidou, e dizer que nós estamos lá prontos para recebê-los nas demandas que forem colocadas. O hospital de câncer é de Mato Grosso. É de toda a sociedade.
CAMILA CARPENEDO: E nós agradecemos imensamente pelo tempo dedicado, pela vinda de vocês até aqui, né, Bruno, como falamos no início, para a gente tratar desse tema, para a gente mostrar esse trabalho belíssimo que os dois hospitais desenvolvem. Quero parabenizar vocês dois pela condução desses trabalhos e agradecer novamente por estarem aqui com a gente e para a gente deixar essa mensagem tão importante para quem está nos assistindo, né, Bruno. Então, obrigada Gabriela Reffati, diretora executiva do Hospital São Lucas e Laudemir Moreira Nogueira, diretor-presidente do Hospital de Câncer de Mato Grosso. Muito obrigada de coração por estarem aqui com a gente.
BRUNO MOTTA: Obrigada e até a próxima!
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