Neste episódio do Raízes Ouro Verde, recebemos os jovens líderes Tieni Pipper Vianna (Coopereça) e Jhonn Kevin (Olavocooper). Eles compartilharam suas vivências e transformações dentro das cooperativas escolares de Lucas do Rio Verde e falaram como o cooperativismo tem fortalecido suas habilidades, amizades e sonhos, além de mostrar o impacto real de projetos como Lixo Zero, Horta Escolar e oficinas educativas. Uma conversa inspiradora sobre protagonismo jovem, educação e a formação de cidadãos cooperativos.
A conversa aborda a estrutura sistêmica da instituição, seu crescimento sustentável, o impacto positivo nas comunidades e a importância de manter a essência do cooperativismo.
Foram debatidos ainda os desafios e oportunidades futuras, a relevância do Sicredi no agronegócio e no apoio ao empreendedorismo, e a visão de uma instituição financeira cooperativa cada vez mais moderna e inovadora, sempre focada nas pessoas e no desenvolvimento local.
CAMILA CARPENEDO: Oi, gente, bem-vindos a mais um episódio do podcast Raízes Ouro Verde. É muito bom contar com cada um de vocês que tem acompanhado as histórias que a gente tem trazido aqui nesse projeto em comemoração aos 35 anos da cooperativa Sicredi Ouro Verde. Já contamos muitas histórias por aqui e hoje o tema é muito legal, né, Bruno? Muito legal.
BRUNO MOTTA: Um pouco diferente do que a gente vinha conversando até agora e os nossos entrevistados também, já já, eles vão conhecer. Mas, nesse episódio de hoje, a gente vai falar, então, sobre as cooperativas escolares. Você já ouviu falar sobre esse projeto? Esse projeto que começou aqui no Sicredi Ouro Verde em 2019 e hoje nós já temos cinco cooperativas escolares funcionando em cinco escolas aqui de Lucas do Rio Verde, Bruno.
CAMILA CARPENEDO: Já são cinco em funcionamento. Então, hoje a gente recebe aqui alguns alunos para contar um pouquinho sobre como esse projeto funciona na prática. Esse projeto que incentiva o protagonismo dos estudantes, em que eles vivenciam na prática o que é fazer parte de uma cooperativa.
BRUNO MOTTA: Isso mesmo. Dois representantes que estão aqui em nome de mais de 130 alunos, né, que participam das cooperativas escolares e que vão contar aqui pra gente um pouco de como é feito esse trabalho. Por isso, bem-vindos, então, os alunos Jhonn Kevin e a Tieni Vianna.
CAMILA CARPENEDO: Bem-vindos ao nosso podcast. A gente começa sempre pedindo para que vocês contem, justamente como diz o nome do nosso projeto, quais são as raízes de vocês. Então, eu quero saber quem é a Tieni, quem é o Jhonn Kevin. Contem pra gente um pouco mais, né, para que a gente possa conhecer um pouco mais de vocês dois, por favor.
TIENI PIPPER VIANNA: Meu nome é Tieni Piper Vianna. Eu tenho 13 anos. Moro aqui em Lucas desde quando eu nasci. Deixa eu ver. Estudo na Escola Eça de Queiroz. Faço parte da Cooperessa. Meu cargo na cooperativa é presidente. E eu gosto bastante daqui. Aqui está se tornando uma parte da minha vida.
JHONN KEVIN: Bem, eu sou o Jhonn Kevin. Não nasci aqui, mas moro aqui há uns sete anos. Nasci lá no Pará. Tenho 12 anos. Estudo ali na Olavo Bilac. Bem, estar aqui com vocês e também nesse lugar é muito legal. Porque quando eu cheguei aqui, senti um lugar acolhedor. E também fiquei muito feliz, já que todo mundo aqui me trata com muito carinho e amor.
BRUNO MOTTA: Muito legal. Então, sejam muito, muito bem-vindos aqui. Realmente a gente está muito feliz de receber vocês aqui. Eu sei que vocês já conheceram aqui o nosso espaço da sede administrativa outras vezes. Porque vocês vieram aqui fazer parte de algumas ações, alguns eventos das cooperativas escolares. E a gente fica muito feliz. Porque vocês são o fator do nosso cooperativismo, né, Bruno? Então, é muito legal a gente receber vocês aqui para conversar. Quem são esses líderes hoje cooperativistas? Já são lideranças do cooperativismo nas suas escolas. Então, conta para a gente.
CAMILA CARPENEDO: Vamos começar a falar das cooperativas? O que é para vocês, então, fazer parte de uma cooperativa escolar? Como que foi lá atrás assim? Quando vocês foram convidados a fazer parte da cooperativa? O que é que falaram para vocês?
JHONN KEVIN: Bem, eu cheguei na escola, né? Começou a aula, mais um dia comum. Até que chegou o antigo presidente e o vice na minha sala. Chegou convidando a gente para a cooperativa. De começo, eu botei o pé atrás, não queria ir. Mas aí começaram a falar que a cooperativa mudava a gente, fazia a gente conhecer novos amigos e também transformaria o nosso jeito de ser. E eu, como era novo na escola, entrei para poder fazer novas amizades, conhecer mais pessoas. Assim, quando eu entrei na cooperativa, eu fiquei muito feliz, já que o pessoal foi muito acolhedor. E, hoje em dia, só sou o que sou graças a eles.
TIENI PIPPER VIANNA: Eu, quando eu era pequena, minha irmã foi a primeira associada da Cooperessa também. Olha só, ela já traz o legado da irmã. Quando eu era pequena, eu tinha um pouquinho de inveja, porque eu também queria fazer parte. Mas não podia ainda, não tinha idade. Não tinha idade. E daí eu vim vindo com isso, precisando, com aquilo lá na cabeça. Eu quero fazer parte da cooperativa. Por causa que eu achava muito legal. Algumas ações, eu ia junto com a minha irmã, para ver quando era liberado. Eu ia junto com ela e via. Nossa, eu achava muito legal participar daquele grupo. Daí, eu comecei. Um certo dia, a professora orientadora foi chamar mais alunos novos. Chamaram lá e daí eu fiquei assim, agora eu posso. Eu fui lá, peguei a ficha de inscrição e estou muito feliz, até agora.
CAMILA CARPENEDO: Acho que é legal a gente falar, né, Bruno? A Tieni contou que conhecia já o projeto pela irmã dela. O projeto das cooperativas escolares aqui em Lucas começou lá, né? Essa é de Queiroz, em 2019. Então, a Cooperessa foi a primeira cooperativa escolar de Mato Grosso a ser fundada. O projeto, o programa de cooperativas escolares já existia lá no Rio Grande do Sul, mas aqui no Sicredi, Lucas do Rio Verde foi a primeira cidade a ter. E a primeira cooperativa foi a Cooperessa, lá em 2019. E hoje a gente já tem outras cooperativas, né? Deixa eu falar o nome de todas as cooperativas. Então, hoje a gente já tem a Olavo Cooper, que é a cooperativa do Jhonn. Temos a Cooperessa, que foi essa pioneira. Temos a Coperlino, temos a Coração Valente e a Sesicope. Todas elas aqui em Lucas do Rio Verde.
JHONN KEVIN: Mas vamos contar para o pessoal o que é uma cooperativa escolar? A cooperativa escolar, para mim, é um grupo que faz parte da escola que a gente aprende um pouquinho sobre o empreendedorismo e muitas outras coisas, a perder a vergonha, a aprender mais ideias, ter mais ideias e também muitas outras. A cooperativa, primeiro que foi um projeto desenvolvido pelo Sicredi. Mas também a cooperativa não é só um projeto, mas sim uma grande família entre todo mundo que está ali que te acolhe, te aceita e também te ajuda a se transformar no que você é hoje.
BRUNO MOTTA: A Camila já deu essa introdução da Cooperessa ter sido a primeira. Que ano que foi a Cooperessa?
TIENI PIPPER VIANNA: A Cooperessa em 2019.
BRUNO MOTTA: Em 2019.
CAMILA CARPENEDO: E a Olavo Cooper?
JHONN KEVIN: Foi em 2022.
CAMILA CARPENEDO: São recentes. Teve uma, a Coperlino também, que foi no ano passado. Então, é um trabalho que está sendo novo e vocês estão vindo do início, das raízes desse projeto mesmo. Qual é o sentimento de vocês verem isso já sendo desenvolvido? E daí a gente entra naquela coisa de… Quais são as ações realmente? Quais são as atividades que vocês mais realizam?
TIENI PIPPER VIANNA: A gente faz atividades entre si e a gente também faz atividades com projetos e ações em fazer a diferença em nossa comunidade. Então, a gente vai fazendo atividades com a escola e, quando pode, a gente vai fazendo aqueles pequenos projetos. O Sicredi disponibilizou também para a gente um joguinho que é a Cooperlândia. E eles ajudam bastante. Eles têm jogos, têm algumas missões para a gente resolver. Tem um livrinho, fica a dica. Tem o diário que a gente registra lá como que foi, o que a gente fez. Tem umas medalhinhas que a gente coloca como que você acha que foi, se você participou bem, se você não participou tanto e se você não participou.
BRUNO MOTTA: Vamos, então, explicar para o pessoal como é que efetivamente vocês movimentam a cooperativa na escola. O que vocês fazem? Como são esses encontros? E você falou de alguns projetos que vocês desenvolvem tanto para a escola quanto para a comunidade. Que projetos são esses?
JHONN KEVIN: Eu vou falar um desses projetos que foi desenvolvido na escola, o Lixo Zero, onde um grupo de pessoas se reuniram e passamos a dar ensinamentos aos alunos sobre que lixo não é lixo e sim resíduo. A gente até veio dar uma palestra aqui uma vez, aqui no Sicredi, para todos, sobre o que era o Lixo Zero. E, com isso, a gente, como cooperativa, foi tendo um conhecimento a mais sobre como reduzir e reutilizar e também a escola foi vendo que aquilo era bom e foi aceitando e passamos em todas as salas avisando isso.
CAMILA CARPENEDO: O projeto Lixo Zero é um projeto que aqui no Sicredi já acontece, aqui na nossa sede administrativa, em algumas agências aqui de Lucas do Rio Verde também, mas também é um projeto do município de Lucas do Rio Verde. Então, as escolas do município já também estão desenvolvendo essa metodologia do Lixo Zero. Então, vocês trabalharam para conscientizar os outros colegas, é isso?
JHONN KEVIN: Legal. A gente também está fazendo no nosso objeto de aprendizagem também englobando o Lixo Zero, que a gente quer fazer de mudas de temperos e ervas, que a gente vai usar a caixinha de leite que as merendeiras usam para fazer a comida, alguma bebida, a gente vai plantar nelas. A gente também tinha a outra ideia, só que a gente viu que não englobava muito e não ajudava muito.
BRUNO MOTTA: Além desse projeto muito importante do Lixo Zero, tem outros projetos que vocês fazem também. Eu tive uma outra oportunidade que eu estive na cooperativa acompanhando vocês, o trabalho da Horta, que vocês desenvolveram. Tem as oficinas de cordel também. Você participa dessas? Como é que são elas?
TIENI PIPPER VIANNA: Na Horta, a gente, por o momento, não começou ainda por causa que a gente está sem pessoas lá na Horta para ajudar. E, quando a gente voltar… Eu participo, sim, da Horta. E, quando a gente voltar, a gente vai fazer que nem antes, vai deixar tudo organizadinho, bem limpinho. E, futuramente, a gente vai estar trazendo os alunos ali na Horta para ter conscientização das coisas e também como funciona uma Horta. É um projeto da Horta mesmo, que tudo o que vocês produzem ali fica para a escola. Vocês levam ali para os lanches de vocês. Tem tudo isso também. Leva para casa. Leva para casa também.
CAMILA CARPENEDO: Muito legal. E lá, na Eça, quais outros também tem?
TIENI PIPPER VIANNA: A gente tem as oficinas, o plano de ação que a gente está desenvolvendo e tem o objeto de aprendizagem que a gente já organizou tudo e, nessa sexta-feira, a gente já vai colocar a mão na terra.
BRUNO MOTTA: Que legal. E como que é, assim, para chamar mais gente? Eu acho que isso… Eu e a Bruno já estamos fazendo esse projeto do Raízes Ouro Verde já faz algumas semanas, né, Bruno? Nós já gravamos mais de 20 episódios. E a gente ouviu muitas histórias de pioneiros que começaram as cooperativas nas suas cidades. Não as cooperativas escolares, as cooperativas como a nossa, Sicredi Ouro Verde. E eles falaram que um dos desafios que eles tinham era fazer as pessoas acreditarem que a cooperativa estava certa. E para vocês, como que é esse desafio de chamar mais gente para ser associado das cooperativas?
JHONN KEVIN: Para a gente, é fácil. Porque, depois que as pessoas lá da escola vejam o que a gente está fazendo, quais são os benefícios, essas coisas, eles pedem para a gente, às vezes. A gente está lá no recreio e, do nada, aparece uma pessoa lá e pede. Como que é a cooperativa? Eu quero me associar. A gente está fazendo uma lista, porque a gente tem um número… Lista de espera, já. Lista de espera. Porque tem um número máximo que a gente deixou, e a gente já está completando ele. Daí, a gente tem uma lista de muitas pessoas que querem fazer parte. Para a gente, no começo, foi difícil, quando foi fundado. Mas, depois que o pessoal foi vendo o que a cooperativa fazia na escola e também o que ela conseguia tomar destaque, foi vindo pessoa, vindo pessoa. Nesse ano, quando a gente passou chamando nas salas, a gente até tomou um susto, porque foi metade da sala pedindo para participar da cooperativa. Daí, como a Tieni disse, também tem uma lista de espera e, daí, essas pessoas que estão pedindo, algumas entram e outras estão indo para a lista de espera.
CAMILA CARPENEDO: E o que vocês acham que essas pessoas mais buscam? O que eles querem fazer nas cooperativas?
TIENI PIPPER VIANNA: Eu acho que as pessoas querem aprender mais, porque a gente tem bastante ideia. Soltar as ideias que eles têm nessas cabeças. E aprender bastante, porque a gente aprende ali. Ali é um lugar… Também tem algumas pessoas que vão fazer parte só porque se sente sozinha e isso muda a pessoa.
BRUNO MOTTA: Essas atividades, elas são no contraturno, certo? Vocês estudando no período da manhã, elas são feitas à tarde. Explica para a gente um pouco da estruturação da cooperativa, porque aqui estamos com dois presidentes, mas vocês têm diretores, vocês têm os conselheiros. Como é que é?
JHONN KEVIN: Eu não entendi muito essa pergunta.
BRUNO MOTTA: Quem mais faz parte da diretoria da cooperativa junto com vocês? Os outros cargos?
TIENI PIPPER VIANNA: Tem as presidentes, que sou eu e mais a vice. Tem os dois secretários, dois tesoureiros, o diretor de pesquisa, diretor de comunicação, o diretor de educação ambiental e educação cooperativa. É uma grande equipe, né? E tem também alguns que fazem parte do conselho fiscal.
JHONN KEVIN: Já na minha, como acabou de iniciar, teve grandes mudanças, ainda estamos sem a gestão ali, o time de gestão. Então, está só eu e mais alguns líderes ali naquela coordenação.
CAMILA CARPENEDO: E lembrando que são todos alunos da mesma faixa de idade, certo? São todos de quais turmas, geralmente?
TIENI PIPPER VIANNA: A maioria que tem ali são do sétimo ano.
JHONN KEVIN: Na nossa, a gente pegou mais do sétimo ano também e do sexto, por causa que se pegar ali do oitavo, o ano que vem já vai sair. Eu já vou sair. Do nono ano também. Ali raramente tem alguns do nono ano, só se quiser fazer parte bastante. Mas o que está mais tendo lá é do sexto e sétimo.
CAMILA CARPENEDO: E vocês fazem a Assembleia? Como que funciona? Porque a Assembleia é considerada o ponto alto da cooperativa, o momento em que os associados votam.
TIENI PIPPER VIANNA: Vocês fazem a Assembleia? Sim. Inclusive, a gente vai fazer a nossa Assembleia para decidir o vice e os outros coordenadores da gestão. E também, quando a gente vai fazer a nossa Assembleia, a gente sempre busca achar a opinião de todo mundo ali, porque a gente é cooperativa. Então, todos ali têm voz para falar e dar sua opinião.
JHONN KEVIN: A gente também tem, e vai ter agora, que vai ser também para decidir os cargos. Porque tem três cargos faltando, sem nenhuma pessoa. Porque a gente tem uma pedra ali, no meio do caminho, do quinto que vai para o sexto, que é a militar. Porque a maioria vão para a militar. Só que daí alguns saem. Só que está tudo bem, a gente tem bastante. E deixa eu ver mais o quê… É, é só isso.
CAMILA CARPENEDO: E eu quero saber mais sobre o que vocês acreditam que a cooperativa mais mudou, primeiro na vida de vocês, e depois a gente fala também um pouquinho mais na escola. Mas o que mudou na vida de vocês, desde que vocês começaram a fazer parte da cooperativa?
JHONN KEVIN: Na minha vida, ela mudou que assim… Antes eu não falava com ninguém, eu era mais para mim ali, eu não chegava perto de ninguém. Eu tinha pavor de chegar perto de um microfone. E hoje eu estou aqui.
CAMILA CARPENEDO: Está dando entrevista, Jhonn. E hoje você está aqui.
TIENI PIPPER VIANNA: Eu também perdi o medo de falar no microfone, porque eu me temia. Eu sempre falava para as meninas, que sempre estavam comigo. Eu estou muito nervosa. Naquele dia ali da geração cooper, eu também estava tremendo minhas pernas. Igual a vara verde que falaram lá. Eu estava igualzinha. E também eu não tinha tantas amigas e amigos lá. Eu fiquei… Deixa eu ver a palavra certa. Eu me soltei mais lá.
CAMILA CARPENEDO: E isso você percebe também com essas suas amigas, por exemplo? É o mesmo sentimento para elas?
TIENI PIPPER VIANNA: Eu tenho duas mais próximas. Elas também foram por causa do meu incentivo, porque eu ficava no pé. Vamos, vamos. É, vamos. Elas também. Tem uma que ela gosta bastante, que ela é a primeira secretária. Ela gosta bastante. Ela se soltou mais. Ela é a que mais se solta ali praticamente. A Bruna está perdendo o medo também. Que ela falou ali. Ela também estava quase nervosa. Ela está perdendo um pouquinho o medo, porque a gente percebeu que não tem… Quando falar no microfone, o microfone machuca. É só o nervosismo mesmo de errar as coisas. Eu, em uma AGO, até chorei. De nervosa. Sim, eu estava nervosa. E naquela época eu era tesoureira. E eu tinha que falar os números. Eu estava nervosa de errar os números.
BRUNO MOTTA: E dá para perceber essa evolução. Com certeza. É, porque senão aqui ela já estaria… Mas agora a gente vai perguntar os números da cooperativa para ela. Não, brincadeira, brincadeira, Tieni. Não é o sufoco da nossa conversa. Mas eu acho que o Jhonn também podia falar. Como você vê nos colegas, Jhonn? Você percebeu também, assim como a Tieni falou, de outros colegas que se sentiram mais pertencentes a um grupo? Mudaram os seus relacionamentos a partir da participação na cooperativa?
JHONN KEVIN: Sim. Eu tinha um amigo meu que eu já conhecia ele de muito tempo. E a gente era quase tipo irmão. Quando a gente entrou na cooperativa, eu e ele nos sentimos muito no medo de chegarmos no pessoal e eles começarem a ignorar a nós. Daí, quando a gente foi fazendo amizade, eu e ele fomos nos soltando. Fomos ficando mais alegres e interagindo com os outros.
CAMILA CARPENEDO: É muito legal essa proximidade que gera, o projeto gera para vocês também. Vocês falaram bastante sobre esse apoio da cooperativa, do Sicredi Ouro Verde estar com vocês. E da escola também, como é a gestão? Por exemplo, tem professores que acompanham vocês diariamente nesses projetos?
JHONN KEVIN: Eu acho que na Olavo tinha a professora Marta, tinha a professora… Qual é a professora? A Giovana. A Giovana. Como é esse contato das professoras com vocês? A Giovana, ela é muito boa. Eu gosto bastante dela. Porque ela nos ajuda quando a gente está em momentos, alguns momentos ruins, quando a gente está nervoso. Ela fala, não tem problema não, vai dar tudo certo. Vamos resolver. É, vamos resolver. Ela também ajuda a gente a entender as missões. Ela fala, ela passa as missões para a gente na Cooperlândia e a gente consegue entender de boa. A prof. Valéria, que é a nova professora que está agora, ela é muito legal com a gente. Ela faz brincadeiras. Quando a gente está fazendo algum projeto, como agora a recepção dos novos associados, ela está lá, está vendo que o clima está ali? Ela vai lá, bota uma música, anima o clima. Ela deixa todo mundo feliz e é isso.
CAMILA CARPENEDO: Legal. As professoras orientadoras, então, são essas professoras que conduzem todo o projeto com vocês, apoiam em todas as ações. Mas eu queria saber também, como que vocês percebem as principais mudanças das cooperativas na escola de vocês, a partir dos projetos que vocês desenvolvem, os outros alunos que não necessariamente fazem parte, mas veem a atuação de vocês ali nas cooperativas?
JHONN KEVIN: Tem algumas pessoas que… Eu vou falar do presidente da Coperlino. Ele era bastante bagunceiro, o que ele já falou para a gente. Tem algumas pessoas que vão mudando, vão percebendo que aquilo lá não é errado. Também fazem parte da cooperativa, vão tendo aquele interesse em aprender mais sobre a cooperativa. E isso é muito legal.
TIENI PIPPER VIANNA: Lá na cooperativa, quando a gente faz algum projeto, quando eu faço um projeto, no começo eu nem percebo, mas quando eu estou lá sentada no repertório, chegam as pessoas e falam… Olá, o menino da cooperativa! Ele apareceu na televisão esses dias. Como? Ele vem falar comigo, pergunta como é que eu sou na cooperativa. E isso me mostrou que a cooperativa… Mostrou que estou criando raízes ali e que eu nunca vou esquecer.
BRUNO MOTTA: Muito bom. Fale um pouco mais para a gente de como vocês percebem o futuro da cooperativa e a presença de vocês nesse futuro. Porque, como já falamos, são cooperativas relativamente novas. Com mais tempo, tem cerca de seis anos. Então, tem muita coisa para fazer ainda. Como vocês estão se preparando para isso?
JHONN KEVIN: A gente está se preparando assim. A gente está vendo as pessoas ali, está preparando para passar o meu cargo para outra pessoa. Estou conhecendo as pessoas, estou fazendo amizade com aquelas pessoas e vendo. E na hora lá, eu vou estar sempre para auxiliar aquela pessoa quando ela for presidente e eu ainda estiver lá. Ela fica com medo de fazer alguma coisa, eu vou falar, calma, eu já passei por isso.
CAMILA CARPENEDO: Tem um trabalho de transição, né? Tem a sucessão, olha só.
TIENI PIPPER VIANNA: Eu também, quando eu mudei de cargo, eu ajudei algumas pessoas. Aqui na agial mesmo, tinha uma que ia falar da Coperlino, que ela estava muito nervosa. E eu vi que ela estava muito nervosa. Eu disse, vai dar tudo certo, porque eu já passei por aquilo. E eu vi que não é tão difícil assim. E como era a GEF deles, que era de formação, eu pensei, vou falar isso, que daí ela vai perder o medo. E agora ela perdeu.
BRUNO MOTTA: E agora vamos falar então com Tieni e Jhonn, lideranças das suas cooperativas. Dois presidentes, né? Como que é ser liderança desse grupo? Qual que é o maior desafio para vocês, para liderar uma cooperativa?
JHONN KEVIN: Desafio mesmo nem é a liderança, mas sim na hora de falar em público ali, de mostrar para os associados que eles também conseguem, eles têm capacidade para fazer aquilo. Então, na parte de ser líder, é dar o exemplo e seguir aquele exemplo também.
CAMILA CARPENEDO: Inspirar, motivar eles. Isso é o mais difícil?
TIENI PIPPER VIANNA: O mais difícil para mim é que tem algumas pessoas lá da minha cooperativa que também é um pouquinho igual a dele. Tem algumas que ficam na cabeça, não vou conseguir fazer isso. Tem ideias, vai e fala, esquece, não vai dar certo. E eu falo, vai dar certo. Fala que a gente coloca aqui, toda ideia é boa. A gente só precisa de um planejamento para conseguir fazê-la. O mais é isso mesmo, que tem algumas pessoas que não entendem que todas as ideias que eles têm vão servir para alguma coisa.
BRUNO MOTTA: Como vocês percebem a necessidade de ter cada vez mais jovens nesse espaço de protagonismo? Porque é uma nova geração, que é o futuro realmente de tudo o que a gente vê que está sendo construído. Como vocês se veem nisso e percebem a necessidade de cada vez mais ter jovens protagonistas?
JHONN KEVIN: Eu percebo que, se a minha geração, agora, precisa ver e aprender que há coisa melhor do que algumas pessoas estão fazendo, tem que perceber que é muito bom ter aquele grupo de pessoas ajudando, que tem pessoas ali preparadas para te ajudar. E é isso. Precisa ter mais jovens protagonistas assim como nós, porque conseguir fazer a diferença, mostrar que a cooperativa que está ali está tendo um propósito e está conseguindo cumprir com aquele propósito. Vamos supor, se eu completar todos os meus anos e daí eu saio, e não aparece mais ninguém para fazer aquilo, a cooperativa vai acabar. Vai deixar de ser aquela cooperativa que faz a diferença, que mostrava o jeito de ser. E é isso.
CAMILA CARPENEDO: E só diminuindo. Então, é um desafio grande, continuar trazendo pessoas, manter a cooperativa em funcionamento, fazer com que ela continue fazendo a diferença na escola. É, lideranças. Não é fácil esse trabalho aí de vocês. Mas eu quero saber, o que vocês acham que foi o maior aprendizado de vocês? O que mais vocês aprenderam em todo esse trabalho? Não precisa ser um, pode ser várias coisas também, se vocês quiserem trazer. O que vocês acham que nunca mais vão esquecer e vão levar para a vida de vocês?
JHONN KEVIN: O aprendizado que eu vi e que eu tive na cooperativa das ideias, do medo de falar em público, no microfone, e também de fazer amizades. E o meu comportamento. Assim como a Tieni disse, vou levar para a minha vida perder o medo de falar em público, perder o medo de socializar com as pessoas. E também aprendi com a professora Marta Brizola que fazer o bem faz bem. A gente tem que fazer o bem ao próximo, não esperando receber uma coisa em troca, mas sim se sentir melhor por fazer aquilo.
CAMILA CARPENEDO: Excelente. Esses aprendizados, vocês levam eles para dentro de casa também, né? Como é essa atuação de vocês em casa? O que mudou na relação dentro de casa? No apoio? Porque é um aprendizado que vocês aplicam na escola, mas que também pode ser levado para casa.
JHONN KEVIN: Eu tive um dia, como ele disse, que fazer o bem. Bom, esses dias eu estava arrumando os meus brinquedos, né? Brinquedos. A minha mãe tinha pedido para me separar uns para doar. E tinha uns quebrados. Eu coloquei lá do lado do lixo e foi aparecer umas crianças lá e pegaram. E eu senti muito bem, eu senti uma alegria no coração depois de ter feito isso. E também eu brinco com a minha irmã porque tem um dilema, se não me engano que era aqui do Sicredi, que fala que quem coopera cresce. E eu disse para ela que ela tem que cooperar mais porque ela está ficando à minha altura. Eu cooperei bastante, agora ela também tem que.
TIENI PIPPER VIANNA: E é muito bom ter aquele conforto. Eu percebi que eu também estou me soltando mais dentro de casa, que era o lugar que eu mais me soltava. Eu comecei a tomar destaque. Minha mãe fica falando de mim para a família, quando eu dou palestra, quando eu faço alguma coisa. E também, como eu fiz parte do projeto do Lixo Zero, agora eu consigo fazer compostagem, entender mais sobre o conceito de reutilizar e reduzir. Muito legal! Esse daí já também está lá em casa, porque a minha mãe é uma das professoras que está fazendo, envolvidas no Lixo Zero da minha escola.
CAMILA CARPENEDO: Que legal! Vai longe, né? Todos esses aprendizados vão se multiplicar. E como vocês enxergam a missão de vocês, nesse mundo aí, agora ainda como crianças, mas como jovens que são o nosso futuro no cooperativismo, na sociedade. Qual é a missão desses jovens de hoje?
JHONN KEVIN: Eita! Pergunta difícil! Qual é a missão? Pelo jeito do pessoal da minha cooperativa, é de ensinar as coisas que são boas, e que são certas. Aprender bastante. Tem algumas pessoas que vão fazer alguns cargos, trabalhar no Sicredi. Pode também ter alguns. E isso ajudar na profissão do futuro deles.
TIENI PIPPER VIANNA: Assim como a Tieni disse, pessoas da minha cooperativa têm um sonho, sim, de conseguir um cargo alto. E com a cooperativa, está ajudando a mudar os futuros deles, eles estão tendo aquela missão de fazer a diferença. E mostrar que não é só adulto que pode, mas sim crianças e adolescentes também podem, se quiserem.
BRUNO MOTTA: Com certeza! Com certeza podem fazer muita diferença nesse mundo. Com certeza! Para vocês, o contexto do cooperativismo está sendo muito bem aplicado. Mas eu queria que vocês comentassem sobre a importância de a gente falar cada vez mais de cooperativismo na escola, dentro de casa. De cooperar. De cooperar.
CAMILA CARPENEDO: Como vocês sentem e visualizam essa relevância realmente do cooperativismo?
JHONN KEVIN: O cooperativismo, tanto quanto na escola, em casa e em outros lugares, eu vou aprendendo que tenho que ajudar o próximo e também aprender a cooperar em comunidade, cooperar com as pessoas, ajudar as outras pessoas. E também cooperar está me ensinando a ser uma nova pessoa, mudar o meu jeito de ser. Também tem alguns cargos que as pessoas vão fazer no futuro que a pessoa tem um sonho, eu quero trabalhar com isso, mas isso vai e falar em público. E eu não gosto de falar em público. Na cooperativa, eu aprendi a falar em público, eu aprendi a usar o microfone, aprendi tudo. E isso é bom, que a pessoa consiga seguir o sonho que ela tem.
CAMILA CARPENEDO: O que a escola de vocês significa para vocês? Vocês gostam do ambiente onde vocês estudam, dos professores, da equipe da escola? O que a Olavo significa para o Jhonn? O que a Eça significa para a Tieni? Conte para a gente.
JHONN KEVIN: Para mim, a minha escola significa um caminho, também do aprendizado. Eu fiz bastante amizades lá e eu quero levar essas amizades junto comigo. Amizades boas, algumas ruins que eu não quero levar comigo. O aprendizado também, que eu aprendi a ser melhor, de ter o lixo zero, essas coisas.
TIENI PIPPER VIANNA: Como a Tieni disse, a escola… Eu conheci amizades, amigos… Amigos não, irmãos. Onde a gente está, eles estão juntos. E também a escola está moldando o meu caminho, faz parte da minha história. Então, eu nunca vou me esquecer dela.
BRUNO MOTTA: Muito bom, gente. Vamos seguir já para o fechamento, Bruno? Eu quero saber dos sonhos de vocês. A profissão? Sonho de futuro, não necessariamente a profissão. O que vocês sonham para o futuro de vocês? Para esse ambiente que a gente vive, para a nossa cidade, enfim… O que vocês sonham? Como vocês acham que vão poder ajudar, né?
JHONN KEVIN: Um sonho meu é ser uma boa pessoa e ajudar bastante as pessoas. Minha profissão é fazer medicina veterinária. Que legal! Eu gosto bastante de animal. E eu quero fazer a mudança nisso também. Eu quero usar o que eu aprendi, o que eu estou aprendendo, para englobar nesse sonho que eu tenho. Eu sei que vai ajudar muito.
TIENI PIPPER VIANNA: Com certeza. Meu sonho é algum dia poder fazer a diferença, tanto na minha comunidade quanto no país. Algum dia estar lá em cima, olhar para trás e ver tudo o que eu passei. E quanto à profissão, ainda não sei o que eu quero ser na vida. Eu vou deixar a vida me levar. Tem tempo ainda para pensar, né, Jhonn? Tem.
CAMILA CARPENEDO: Dá para fazer a diferença de muitas formas, né, Jhonn? Não precisa ser uma profissão só, né? É. Que legal! Muito bom! Nós queremos agradecer, então, a presença de vocês, do Jhonn, da Tieni. Agradecer pela participação. Agradecer também as escolas, né? Que permitiram a vinda deles aqui também. Permitiram essa participação. E deixar o que vocês deixam, o último recado de vocês, né? Como vocês estão se sentindo nesse momento? O que acharam também da experiência, da participação? A gente gostou muito das histórias que vocês trouxeram, mas queremos saber de vocês também, essa consideração final que vocês têm.
JHONN KEVIN: Eu quero agradecer a todos vocês, né? Que me deram a chance de estar aqui. Também agradecer ao Sicredi por estar moldando a minha vida e me ajudando a ser uma pessoa melhor. E estou aqui para dizer que crianças e adolescentes podem, sim, fazer a diferença. É só você querer. É só você ir lá e tentar. Se você não tentar, não acontece.
TIENI PIPPER VIANNA: Eu quero agradecer muito também ao Sicredi por ter disponibilizado essa chance de a gente fazer parte de uma coisa que eu nunca participei, mas já vi. Eu quero também agradecer a participação que vocês têm na nossa cooperativa, ajudando a ter esses materiais. A parceria de vocês. Lembrei a palavra. Parceria. Agora, deixa eu ver. O que mais? Esqueci a palavra. Esqueci o que eu estava pensando. Agradecer também pela ajuda do Bruno, né? Isso. Muito bem.
CAMILA CARPENEDO: Tá bom, gente. A gente quer agradecer também muito, então, como o Bruno já falou. Agradecer por vocês terem vindo. Agradecer às escolas, aos pais, né? Também, que permitiram que vocês viessem até aqui no nosso estúdio para que a gente pudesse fazer essa gravação do nosso podcast Raízes Ouro Verde. Que é um tema tão importante. Queremos agradecer também à Secretaria de Educação, que é parceira do Programa Cooperativas Escolares aqui em Lucas do Rio Verde. Para que o programa aconteça, existe essa parceria e todo esse apoio da Secretaria de Educação. E agradecer a você que nos assistiu em mais esse episódio do Raízes Ouro Verde, né, Bruno?
BRUNO MOTTA: Isso mesmo. Ainda tem muito mais pela frente nas próximas semanas. Mas a gente tem certeza que quem vem nos acompanhando já conseguiu absorver muita história, muito conhecimento sobre tudo que a gente tem contado aqui. Então, como a Camila disse, nossos agradecimentos. Muito obrigado, realmente, por estarem acompanhando. E na próxima semana tem mais. Aguardamos vocês.
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